Por Reinaldo Azevedo
O PT conseguiu quatro mandatos com a Constituição
que aí está. Ficará, se Dilma conseguir encerrar o próximo período, 16 anos no
poder. E se prepara, um tanto alheio à realidade, para fazer uma reforma que
busque eternizá-lo no poder. Não vai conseguir.
Mesmo com o país dividido, mesmo tendo obtido
apenas 38% dos votos, com uma abstenção recorde; mesmo estando quase exilado às
faixas de renda do país hoje mais dependentes dois benefícios estatais, os
petistas se acham na condição de liderar uma reforma política contra o
Congresso. Que os peemedebistas não duvidem um só segundo: o partido, embora o
principal aliado do petismo, é o principal alvo das tentações totalitárias dos
companheiros.
Em seu discurso de posse, Dilma afirmou que
pretende encaminhar a reforma política via plebiscito, que é como colocar o
carro adiante dos bois; que é como fazer o rabo abanar o cachorro. Repetiu a
sua intenção nas duas entrevistas concedias até agora. No seu modelo ideal,
faz-se um plebiscito e uma constituinte exclusiva para a reforma. Em favor da
tese, alega ter recebido uma petição de movimentos sociais com oito milhões de
assinaturas. Ocorre que mais de 80 milhões deixaram de votar na represidenta.
Perceberam a desproporção?
Fazer uma constituinte exclusiva corresponde a
montar uma assembleia só com a finalidade de fazer a reforma, que será,
obviamente, distorcida pelos ditos movimentos sociais, que nada mais são do que
braços do PT. Pior: se os constituintes podem elaborar o texto e ir para casa,
não terão compromisso nenhum com os seus efeitos.
É claro que, desse processo, resultaria um modelo
tendente a fortalecer os fortes e a enfraquecer os fracos. O partido quer, por
exemplo, financiamento público de campanha. Ora, como seria distribuído esse
dinheiro? Teria de obedecer necessariamente aos votos obtidos na eleição
anterior. Vale dizer: quem hoje dispõe de uma vantagem tenderia a carregá-la
para o futuro. O PT também tem especial predileção pelo voto em lista. Quer
encher o Congresso com os seus burocratas sem rosto.
Se propostas como essas vencem um plebiscito, os
congressistas estariam obrigados a aceitá-la. "Ah, mas se é a vontade da
maioria…" Bem, propostas as mais asquerosas e fascistoides podem contar com o
apoio da maioria sem que a democracia saia ganhando com isso, não é mesmo?
Proponha pena de morte e mutilações para bandidos perigosos, e isso tende a
contar com a anuência popular. Quem disse que é bom?
O PMDB resiste à tentação totalitária da senhora
Dilma Rousseff e faz muito bem! Até porque a legenda está na mira dos
companheiros. Eles sabem que o partido dificilmente deixará de ter um candidato
próprio nas próximas eleições.
A única forma decente de conciliar uma participação
mais direta com os pressupostos da democracia representativa é fazer a reforma
com o auxílio de referendo. Aí, sim: o Congresso volta uma reforma, e a
população diz se aceita ou não a mudança.
Fora desse modelo, o que se tem é tentação
golpista. O golpismo das urnas, que substituiu os taques no neoautoritarismo
em curso em vários países da América Latina. Dilma que não venha posar de
bolivariana. A gente nem sabe se ela termina o mandato, certo? A
Venezuela, a Bolívia e o Equador não são aqui.
Fonte: "Blog
Reinaldo Azevedo"
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