terça-feira, 10 de março de 2026
Alvos da direita há anos, Xandão e Toffoli caem pelas próprias mãos.
Nívia Maria Vasconcellos inicia circulação de projeto de poesia e performance no interior da Bahia
A escritora feirense Nívia Maria Vasconcellos deu início, na sexta-feira, 6, à circulação presencial do projeto "OCORPOÉUMAFOTONOESCURO: Poesia e Performance", com estreia no Colégio Estadual de Tempo Integral Novis Filho, no município de Tanquinho. A atividade reuniu estudantes, professores e comunidade escolar em uma experiência que integrou literatura, música e performance.
Na estreia, o público acompanhou a performance literomusical protagonizada por Nívia Maria Vasconcellos ao lado da musicista Dayane Sampaio. Em cena, poesia falada, música ao vivo e elementos corporais se entrelaçam, criando uma atmosfera sensorial que amplia a experiência poética.
Dirigido por Geovane Mascarenhas, o trabalho parte dos livros "OCORPOÉUMAFOTONOESCURO" e "Cãibra de Nó", nos quais a autora investiga temas como corpo, memória, densidade emocional e experimentações da linguagem.
Além da apresentação artística, a programação contou com roda de conversa com a poetisa Mariana Paim, minissarau e atividades voltadas ao diálogo com estudantes da rede pública, aproximando jovens leitores dos processos criativos da poesia contemporânea.
A circulação segue nos próximos dias:
13 de março - Nordestina
Colégio Estadual de Tempo Integral Manuel Guimarães Santana, às 14 horas
14 de março - Quijingue
Programação da Festa Literária de Quijingue (Fliqui), às 20 horas
O projeto também acontece em ambiente virtual, com a disponibilização gratuita de e-book e audiobook do livro "Cãibra de Nó", além de depoimentos sobre o processo criativo da autora, publicados em seu perfil no Instagram @niviamvasconcellos.
Com a circulação, Nívia Maria Vasconcellos amplia o diálogo da poesia com diferentes públicos e territórios, reafirmando a potência da literatura como espaço de encontro entre palavra, corpo e sonoridade.
Equipe
Direção: Geovane Mascarenhas (@geomasc)
Performance: Nívia Maria Vasconcellos e Dayane Sampaio
Mediação: Mariana Paim
Assessoria de Imprensa: Cid Fiuza
Fotografia: Ana Reis
Design: Sério Magno
Libras: Jamile Costa e Noelma Ramos
Ilustrações Cãibra de Nó: Ana Noronha
Ilustrações OCORPOÉUMAFOTONOESCURO: Gabriel Ferreira
Fotos: Ana Reis
Enviado por Cid Fiuza - Assessoria de Imprensa
Habitação popular
Por Paulo Cesar Bastos
A melhoria das condições do País é um direito e um dever de todos. Existem soluções sensatas e medidas simples que podem melhorar o bem-estar social sem prejudicar o tão procurado equilíbrio orçamentário. Todos, portanto, podem e devem colaborar com o futuro e o desenvolvimento do nosso País. Participar é preciso. Como engenheiro civil há mais de cinquenta anos, faço neste texto algumas reflexões sobre o grave problema da habitação popular. Em grande parte das cidades brasileiras de médio porte - Feira de Santana, na Bahia, por exemplo - existem áreas consideráveis, em ruas e bairros populares, ainda desocupadas, porém já dispondo, para os nossos padrões, de razoável infraestrutura urbana.
Esses terrenos baldios ou vazios urbanos existem não só por especulação, mas também por outros motivos, uma vez que são de comercialização difícil. As vendas não ocorrem por falta de compradores com quantia disponível, porque os mesmos, de baixa renda, necessitariam de financiamentos de longo prazo com taxas e prestações compatíveis com os seus níveis de renda. Em algumas grandes capitais - Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo são exemplos - os vazios urbanos não ocorrem somente como terrenos baldios; aí eles aparecem como prédios abandonados em zonas comerciais antigas ou instalações industriais desativadas em zonas de residências por problemas ambientais. Vale recordar que, ao longo dos anos, foram construídos imensos conjuntos habitacionais em zonas periféricas desprovidas de infraestrutura urbana. Tal fato exigiu a implantação dessa infraestrutura e a inclusão do gasto no custo final da casa popular, majorando-o em torno de 10 a 30%. Além disso, as prefeituras criaram novas linhas de transporte coletivo, às vezes deficitárias, encarecendo, dessa forma, a tarifa geral.
Acrescenta-se, ainda, a localização distante com acessos por artérias desertas trazendo a insegurança e até o abandono das casas pelos moradores. Compreendendo-se, portanto, que as edificações dos grandes conjuntos não resolveram o problema habitacional, uma alternativa poderia vir a ser desenvolvida em paralelo: o conjunto dos vazios. A partir das suas atuais linhas empresariais, a Caixa Econômica Federal trabalharia mais vigorosamente com créditos direcionados para a construção de casas populares em terrenos livres nos bairros já dotados de infraestrutura. Para uma saudável competição e para inserir no mercado as pequenas ou e médias construtoras, locais ou regionais, o número de residências financiadas por empresa seria limitado em função do porte das cidades, quantidade de construtoras pretendentes e outros condicionamentos técnicos e mercadológicos. O plano aqui sugerido traria diversas vantagens como: custo menor da casa própria, melhoria do visual urbano, mais segurança para os moradores, tarifas de ônibus mais econômicas, crescimento da indústria da construção civil e a consequente geração de emprego e renda refletindo no fortalecimento de toda a economia regional. Esta proposta não se esgota no aqui exposto, poderá ser ampliada e aprimorada atraves do debate e da permuta das ideias. O seu primeiro propósito é despertar a atenção da sociedade e dos governos, em todos os seus níveis, para a necessidade da adoção de medidas práticas, econômicas e viáveis para reativar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da população brasileira utilizando os recursos e as soluções sólidas e concretas que a engenharia brasileira possui e que pode, precisa e deve aplicar.
Paulo Cesar Bastos é engenheiro civil.segunda-feira, 9 de março de 2026
Agenda aberta da psicóloga Maria Cosmo
Psicologia para Mulheres - Atendimento Online
Projeto Retreta resgata tradição musical das filarmônicas no Coreto da Matriz
A música das tradicionais bandas filarmônicas voltou a ocupar o espaço público em Feira de Santana. O projeto "Retreta - Nosso Palco É a Praça", levou duas valorosas apresentações ao Coreto da Praça da Matriz: a Sociedade Filarmônica 25 de Março, fundada em 1868 e considerada a mais antiga da Bahia em atividade, e a Sociedade Litero Musical Minerva Cachoeirana, da cidade de Cachoeira. O projeto promove o resgate de uma tradição histórica da vida cultural das cidades brasileiras. As retretas musicais, concertos realizados em praças públicas, marcam gerações.
O público acompanhou um repertório formado por dobrados, marchas e composições tradicionais do universo das bandas filarmônicas, reafirmando a importância dessas instituições para a preservação da tradição no interior baiano. Além da celebração cultural, o evento também foi marcado por um gesto de solidariedade. A diretoria da Sociedade Filarmônica 25 de Março comunicou a diretoria da Sociedade Litero Musical Minerva Cachoeirana que estará doando cerca dede 200 quilos de alimentos, destinados às famílias atingidas pelas enchentes que recentemente afetaram a cidade de Cachoeira.
As doações foram viabilizadas por meio de contribuições pessoais do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, de empresários locais e da diretoria da Fundação Senhor dos Passos. As chuvas deixaram mais de 400 famílias desalojadas no município do Recôncavo Baiano. O Projeto Retreta reafirma o papel das filarmônicas como instituições fundamentais para a formação cultural e musical da população, mantendo viva uma tradição centenária que faz parte da identidade das cidades baianas.
Realizada no histórico Coreto da Praça da Matriz, construído em 1916, a Retreta simboliza o reencontro entre a música, a memória e a praça pública como espaço de convivência cultural. Também promove o resgate de uma tradição histórica das cidades interioranas brasileiras. Os concertos realizados em praça pública marcaram gerações. Durante as apresentações, o público acompanhou um repertório formado por dobrados, marchas e composições do universo das bandas filarmônicas, reafirmando a importância dessas instituições para a preservação de um forte símbolo da cultura musical do interior.
Enviado por Carlos Brito
EUA formam coalizão militar com 11 países latinos. Brasil ficou fora.
A Tríplice Fronteira (Foz do Iguaçu) poderá ser um dos alvos iniciais da ação militar conjunta.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesse sábado, em Miami, presidentes de 12 países latino-americanos para formalizar a criação de uma coalizão militar chamada "Escudo das Américas". O objetivo seria o de combater os cartéis de drogas na região, além de afastar do continente os "adversários" de Washington "de fora do Hemisfério", em uma referência indireta a concorrentes como China e Rússia. O presidente estadunidense comparou a novo acordo ao trabalho dos EUA no Oriente Médio.
O Brasil ficou fora da coalizão. Estavam presentes os presidentes de Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Panamá, Honduras, Guiana, Bolívia, Trinidad e Tobago, Costa Rica, República Dominicana e Chile.
Fonte: https://polibiobraga.blogspot.com/
domingo, 8 de março de 2026
Arquitetura de um colapso
O desmonte sistêmico do eixo Pequim-Teerã, criado para contornar a legalidade internacional. Márcio Coimbra para a Crusoé:
sábado, 7 de março de 2026
"Brincando e Conhecendo Feira de Santana" lançada
Lançada "Brincando e Conhecendo Feira de Santana", uma publicação educacional memorável de autoria dos professores Lélia Fernandes e José Raimundo de Azevêdo. Totalmente ilustrado com fotografias de Angelo Pinto e publicado pela Editora Martins & Martins, trata-se de um livro e uma caixa com dez quebra-cabeças, contando a história de diversos locais de Feira de Santana e que foi adquirido pela Prefeitura Municipal para distribuição nas escolas municipais, com o objetivo dos alunos do ensino fundamental aprenderem mais sobre nossa terra.
sexta-feira, 6 de março de 2026
Sesc Bahia realiza a Vernissage "Canteiro de Obras" de Claudio Tozzi
Programação inclui bate papo com artistas e show da Banda Levante Resistência
O Centro Cultural e Restaurante Sesc Feira de Santana apresenta a exposição "Canteiro de Obras", que oferece um panorama abrangente da produção artista do arquiteto paulista Claudio Tozzi, um dos principais nomes da arte brasileira surgida na década de 1960 e expoente do Novo Realismo.
Psicóloga Maria Cosmo com agenda aberta
Contagem regressiva: faltam dois meses para fechamento do cadastro eleitoral
Até 6 de maio, poderão ser realizados os seguintes serviços: emissão da 1ª via do título de eleitor, transferência de domicílio eleitoral, alteração do local de votação, dentre outros
Daqui a dois meses o cadastro eleitoral será fechado. Isso significa que eleitoras e eleitores têm até o dia 6 de maio para solicitar a primeira via do título, regularizar a situação eleitoral, coletar a biometria, solicitar a transferência do local de votação, entre outros serviços.
O encerramento do cadastro ocorre 150 dias antes do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, conforme estabelece o artigo 91 da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições). É uma medida prevista em todos os anos eleitorais e tem como objetivo garantir a preparação do pleito.
Locais de atendimento
Os postos de atendimento da Justiça Eleitoral estão disponíveis em toda a Bahia e podem ser procurados de forma antecipada. No portal do TRE-BA, é possível consultar os endereços e horários de funcionamento das unidades na capital e no interior. Também é possível realizar diversos procedimentos de forma on-line, por meio do Autoatendimento Eleitoral, disponível no site do Tribunal.
Documentação
Para o atendimento, é necessário apresentar documento oficial de identificação com foto (original) e comprovante de residência atualizado, emitido há, no máximo, três meses. Nos casos de emissão da primeira via do título, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do modelo antigo não será aceita isoladamente. Homens que completam 19 anos em 2026 devem apresentar também o certificado de quitação do serviço militar.
Impedimentos
As eleitoras e os eleitores que deixaram de votar ou justificar poderão enfrentar impedimentos, como emissão de passaporte, posse em cargo público, renovação de matrícula em instituição de ensino, entre outros.
Quem estiver com o título cancelado não poderá votar nas Eleições deste ano e, além disso, estará sujeito às restrições mencionadas.
Confira também:
Enviado por ASCOM TRE-BA
Não foi o Ocidente que começou esta guerra
O único estadista europeu que apoiou a ofensiva de Israel e dos EUA foi Zelensky. Porque, tal como Israel, não pode ignorar a guerra que a teocracia iraniana declarou contra o Ocidente.
Rui Ramos para o Observador:
quinta-feira, 5 de março de 2026
Caso Master: petistas tentam empurrar a culpa para Bolsonaro, cronologia revela outra história
Cronologia de nomeações mostra que os servidores acusados já ocupavam posições estratégicas nos governos Lula e Dilma
Por David Agape
Na manhã de 4 de março de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão levou à segunda prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ao afastamento judicial de dois servidores do Banco Central — ambos com tornozeleira eletrônica — e ao bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões. Segundo a investigação, os dois funcionários públicos recebiam propina para atuar como espiões internos da autarquia em favor do banqueiro, repassando informações sensíveis e antecipando movimentos da fiscalização.
Antes mesmo de o país absorver a dimensão do que estava descrito nos autos — que incluem desde planos de ataques físicos contra jornalistas até uma rede privada de vigilância operando no entorno do banco, envolvendo até o FBI — a tropa digital alinhada ao governo Lula tentou emplacar nas redes a tese de que o caso Master seria, na essência, culpa da gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central indicado por Jair Bolsonaro. O argumento central repetido nas redes é que o Master só teria existido porque o Banco Central autorizou, em 2019, a transferência do controle do antigo Banco Máxima para Daniel Vorcaro.
O problema é que essa narrativa exige ignorar parte substancial do que as próprias investigações revelam. A prisão dos dois servidores do Banco Central mostra que o núcleo do esquema estava instalado na estrutura de supervisão bancária muito antes de 2019. A cadeia de promoções que levou Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana a esses cargos começa em 2007 e atravessa, sem ruptura, os governos Lula, Dilma e Temer.
A cronologia ganha ainda mais peso quando se observa o ambiente político em torno do Banco Master já durante o atual governo. Daniel Vorcaro manteve interlocução frequente com figuras centrais da administração Lula e com aliados históricos do PT. Em pelo menos uma ocasião, chegou a se reunir diretamente com o próprio presidente Lula.
A engrenagem montada anos antes
A tese de que o escândalo Master seria um produto direto da era Bolsonaro esbarra em um dado elementar: Paulo Sérgio e Bellini não foram alçados ao núcleo da supervisão bancária por Campos Neto, nem por Bolsonaro. Eles já estavam entrincheirados ali quando Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central, em fevereiro de 2019.
O cruzamento de dados sobre nomeações, promoções internas e histórico funcional revela uma sequência contínua que atravessa quatro governos. Em 2007, no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, com o aval de Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles foi indicado para a Diretoria de Administração da autarquia. Quatro anos depois, já sob Dilma Rousseff, Anthero foi promovido à Diretoria de Fiscalização, o posto mais relevante na supervisão do sistema bancário.
Foi dessa posição que, em 2015, ele promoveu Paulo Sérgio à chefia do Departamento de Supervisão Bancária, o DESUP. É ali que se monitora o sistema financeiro em tempo real. É dali que saem alertas sobre liquidez, inconsistências, riscos operacionais e indícios de deterioração. O departamento alimenta a Diretoria de Fiscalização, que pode intervir, impor restrições, instaurar procedimentos ou até empurrar uma instituição para a liquidação. Não por acaso, entre operadores do próprio caso, o DESUP foi descrito como “a área que abre e fecha banco”. É justamente nesse ponto mais sensível da máquina que estavam Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, os dois servidores agora afastados por decisão judicial.
Dois anos depois, em 2017, no governo Michel Temer, ele próprio foi elevado à Diretoria de Fiscalização, ocupando justamente o espaço antes ocupado por Anthero. Antes de subir, indicou para seu lugar no DESUP Bellini Santana. Quando Roberto Campos Neto chegou ao Banco Central, em 2019, os dois já ocupavam posições centrais na engrenagem mais delicada da supervisão.
Essa sucessão desmonta a tentativa de concentrar toda a origem do problema em uma única canetada de 2019. A estrutura que mais tarde seria acusada de servir ao Master já vinha sendo montada e consolidada desde 2007, passando por Lula, Dilma e Temer, sem ruptura institucional relevante nesse núcleo específico.
A transformação do fiscal em consultor
O que a Polícia Federal descreve não é uma simples relação imprópria entre regulador e regulado. O quadro exposto nos autos é mais grave: havia, segundo a investigação, uma arquitetura funcional de corrupção, com canal de comunicação próprio, fluxo de informação sensível e pagamentos recorrentes.
Paulo Sérgio e Bellini integravam um grupo de WhatsApp criado para facilitar a comunicação direta entre Daniel Vorcaro e agentes que, institucionalmente, deveriam fiscalizar o banco. Nesse canal, Paulo Sérgio repassava ao controlador do Master alertas internos do Banco Central sobre movimentações da instituição detectadas pelos sistemas de monitoramento da autarquia. Isso permitia que Vorcaro se antecipasse à fiscalização formal, ajustasse condutas, preparasse respostas e neutralizasse riscos antes que eles se transformassem em questionamentos oficiais. Em outras palavras: o fiscal havia sido convertido em consultor do fiscalizado.
Bellini Santana, por sua vez, mantinha encontros reservados com Vorcaro fora das dependências do Banco Central, longe de registro formal e longe de trilha documental. Ao mesmo tempo, aparecia internamente como nome forte para ascender à Diretoria de Fiscalização, em substituição a Ailton de Aquino Santos. Segundo os autos, os pagamentos eram disfarçados por contratos fictícios de consultoria, o mesmo expediente usado para remunerar outros integrantes da rede ligada ao Master.
As mensagens reproduzidas na decisão de André Mendonça são diretas. Em uma delas, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, avisa ao banqueiro: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?” Vorcaro responde: “OK.” Em outra: “Belline cobrando, paga?” A resposta vem sem hesitação: “Claro.” O “Belline” mencionado nas conversas é Bellini Santana, o mesmo servidor promovido ao DESUP em 2017 por Paulo Sérgio, que por sua vez havia sido elevado por uma cadeia de comando formada nos governos anteriores.
O nível de proximidade extrapolava o ambiente institucional. Segundo a própria investigação, Vorcaro chegou a providenciar guia turístico para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, em Orlando. Uma relação incompatível com qualquer ideia séria de supervisão pública.
As portas que continuaram abertas
Se a resposta política do governo se apoia no discurso de autonomia institucional e rigor regulatório, a cronologia de 2025 cria um embaraço difícil de contornar. Naquele ano, enquanto o Banco Master já enfrentava processo administrativo sancionador por descumprimento do recolhimento compulsório — uma obrigação regulatória básica —, Daniel Vorcaro circulou com frequência notável dentro do próprio Banco Central.
Foram 17 entradas presenciais, somando mais de 34 horas dentro da autarquia. O trânsito não se limitou a um setor periférico. Passou pelo gabinete de Gabriel Galípolo, pela Diretoria de Fiscalização, pelo DESUP e por comitês internos de governança. Cinco dessas visitas foram reuniões diretas com Galípolo.
Em 1º de abril de 2025, Vorcaro permaneceu 2h42 em uma reunião prevista para durar uma hora. Em 11 de abril, voltou ao gabinete e ficou 3h08, o encontro mais longo do período. Nesse mesmo período, uma auditoria do BRB retirou cerca de R$ 19 bilhões em ativos do perímetro original da negociação envolvendo o Master. Despacho interno do Banco Central, posteriormente apresentado pela defesa de Vorcaro à Justiça, indica que Paulo Sérgio Neves de Souza chegou a confirmar em ao menos uma ocasião o trânsito do banqueiro junto à autarquia — inclusive mencionando a viagem a Dubai que seria usada pela defesa para rebater a narrativa de fuga.
Em 8 de maio, Vorcaro e Galípolo voltaram a se reunir por 1h19. Na mesma data, o Banco Master apresentou ao Banco Central pedido de dispensa temporária do recolhimento compulsório — pedido que o BC negou, por ausência de amparo legal e regulamentar. Em 22 de julho houve nova reunião entre Galípolo, Ailton de Aquino e Vorcaro. Dois dias depois, em 24 de julho, o Banco Central autorizou a transferência do Banco Voiter para Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que também acabaria preso.
Do Banco Central ao Planalto
O acesso de Vorcaro não se limitava ao regulador. Os registros do Gabinete de Segurança Institucional mostram que o controlador do Master entrou ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto entre 2023 e 2024.
Em 3 de abril de 2024, Vorcaro entrou no Planalto às 17h29. Minutos depois, às 17h51, o senador Jaques Wagner (PT-BA) também entrou para uma reunião fora da agenda. Wagner articulou diversas movimentações ligadas ao banco.
Após deixar o STF em 2023, Ricardo Lewandowski foi contratado pelo banco para integrar um comitê consultivo estratégico, com remuneração de R$ 250 mil mensais — contrato articulado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). Mesmo depois de assumir o Ministério da Justiça em 2024, os pagamentos continuaram ao escritório administrado por sua família, acumulando R$ 6,5 milhões no total, dos quais R$ 5,25 milhões foram pagos quando já chefiava o Ministério da Justiça. Segundo apuração do portal Metrópoles, o próprio Jaques Wagner também articulou a contratação de Guido Mantega como consultor do Master, com remuneração de cerca de R$ 1 milhão por mês para atuar na negociação com o BRB — pagamentos que podem ter alcançado ao menos R$ 11 milhões. Wagner nega ter intermediado a contratação de Mantega; confirmou, no entanto, ter indicado Lewandowski.
O detalhe ganha peso porque é o mesmo Jaques Wagner que, mais tarde, subiria o tom na CPI para jogar o foco sobre Campos Neto, como se a história começasse e terminasse na presidência anterior do Banco Central.
Em 4 de dezembro de 2023, Daniel Vorcaro entrou no Palácio do Planalto acompanhado do empresário mineiro Lucas Prado Kallas. Registros do Gabinete de Segurança Institucional obtidos pelo site Poder360 via Lei de Acesso à Informação mostram que os dois tiveram a entrada registrada exatamente no mesmo minuto: 15h42. A reunião não apareceu na agenda oficial do governo, e não há registro público sobre o conteúdo da conversa.
Kallas é um empresário do setor de mineração e sócio de Vorcaro na farmacêutica Biomm. Mineiro como o banqueiro, construiu forte trânsito político em Brasília e em Minas Gerais. Em 2023, passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado “Conselhão” de Lula, por indicação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Seu nome também aparece em investigações relacionadas à mineração e à exploração de rejeitos minerais em Minas Gerais. Ambos também são representados pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Uma reunião ainda mais reveladora veio exatamente um ano depois. Em 4 de dezembro de 2024, um encontro fora da agenda reuniu o presidente Lula, Daniel Vorcaro, Guido Mantega, Rui Costa, Alexandre Silveira, Gabriel Galípolo e Augusto Lima. A reunião não apareceu no relatório oficial do GSI e só veio a público depois, por meio de revelações da imprensa.
Segundo os relatos divulgados, Vorcaro expôs as dificuldades financeiras do banco, relatou que o BTG havia demonstrado interesse em comprá-lo por valor simbólico e perguntou diretamente a Lula se deveria vender. Lula o aconselhou a não vender e ainda criticou Roberto Campos Neto e André Esteves. Cerca de um mês depois, Galípolo — presente naquela mesma sala — assumiu a presidência do Banco Central.
Em 2023, como parte de uma estratégia de governança, Vorcaro criou um conselho consultivo com Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola e o ex-secretário-executivo do BC Geraldo Magela.
O esquema que atravessou governos
Há um ponto real, documentado e indiscutível no argumento dos governistas: em outubro de 2019, a diretoria colegiada do Banco Central, já sob a presidência de Roberto Campos Neto, autorizou a transferência do controle acionário do Banco Máxima para Daniel Vorcaro. Sem esse ato, o Master não existiria nos termos em que passou a operar. Esse fato é concreto.
Mas isso não resolve a questão central. Autorização societária e esquema de propina são coisas distintas. Uma decisão formal da diretoria em 2019 não apaga o fato de que Paulo Sérgio estava no DESUP desde 2015 e Bellini desde 2017. Tampouco altera o núcleo do que a Polícia Federal descreve: o pagamento sistemático a servidores instalados no coração da fiscalização para orientar o banqueiro e contornar o monitoramento interno.
A tentativa de explicar tudo pela “desregulação” esbarra numa contradição difícil de superar. Se a desregulação teria aberto as portas, por que o mecanismo decisivo descrito nos autos foi a compra justamente dos agentes encarregados de fiscalizar e impor limites? Se as regras teriam sido afrouxadas a ponto de facilitar tudo, por que era necessário pagar propina a quem controlava os alertas, os fluxos internos e a temperatura da supervisão?
É aqui que a blindagem política da esquerda falha. Para sustentar a tese de que o caso Master pertence essencialmente à era Bolsonaro, é preciso ignorar 2007, 2011, 2015, 2017, 2024 e 2025, para fixar os olhos apenas em 2019. Só que as datas não permitem esse recorte. Nem os históricos de promoção. Nem os registros de agenda. Nem as mensagens. Nem o acesso excepcional de Vorcaro ao Banco Central e ao Planalto já sob Lula e Galípolo.
O que os elementos disponíveis desenham é outra história. O Banco Central, ao que tudo indica, não foi deformado por uma única gestão nem por uma única assinatura. Foi penetrado por dentro, por servidores que atravessaram governos e acumularam poder num setor decisivo, e por fora, por um banqueiro que, em dezembro de 2024, pôde perguntar pessoalmente ao presidente da República o que fazer com o próprio banco — com o futuro presidente do Banco Central sentado na mesma sala.
Se há uma disputa em curso, ela não é apenas sobre quem será punido. É sobre quem conseguirá controlar a narrativa antes que a cronologia fale por si. E, até aqui, a cronologia é o maior problema de quem tenta transformar o caso Master em um escândalo conveniente demais para caber só no colo do adversário.
Título e Texto: David Agape, A Investigação, 5-3-2026
Fonte: https://www.caoquefuma.com/













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