Com direção de Marcelo Lazzaratto e atuação de Carol Gonzalez e Chico Carvalho, espetáculo aborda a dificuldade de comunicação na sociedade contemporânea
Cena de "A Linha Solar": Crédito: Bob Sousa
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Durante a madrugada, Barbara e Werner discutem. Permanecer juntos ou se separar parece impossível para eles. Com esse argumento, a comédia "A Linha Solar", do autor russo Ivan Viripaev, coloca em cena um casal em uma briga metafísica, engraçada, cruel e cósmica. Idealizada pela atriz e produtora Carol Gonzalez, a montagem tem direção de Marcelo Lazzaratto e a própria atriz em cena ao lado de Chico Carvalho, marcando a primeira encenação do texto no Brasil. A estreia acontece no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, no dia 24 de abril, com temporada até 17 de maio de 2026.
"No primeiro momento, o espetáculo parece apostar em uma estética e em uma linguagem realista. No entanto, quanto mais a peça progride, percebemos que Viripaev flerta com o teatro do absurdo e o surrealismo. Durante a conversa, esses dois adultos explicitam tanto a violência quanto a irracionalidade cotidiana. Enquanto isso, o relógio de cena marca sempre 5 horas da manhã", afirma Carol Gonzalez.
Como é próprio desse autor, o texto, apesar de denso, utiliza muito humor e provocação. Em cena, o trabalho retrata o individualismo e, ao mesmo tempo, a luta pelo amor, em que duas pessoas tentam desesperadamente se comunicar. De acordo com Gonzalez, é quase uma "sessão de terapia sobre o tema ser feliz com sua mulher, seu marido, seu parceiro e com o mundo".
Entrar em contato com essa dramaturgia foi uma agradável surpresa para o diretor. "Fiquei encantado com o fato de Viripaev traduzir tão bem, em palavras, situações tão comuns para os casais. Observamos as pessoas se digladiando nesses momentos, experimentando um sofrimento absoluto enquanto estão no meio da tempestade. O autor faz um verdadeiro mergulho na complexidade humana", diz Marcelo Lazzarotto.
Publicada em 2018, a peça destaca-se por dar voz a questões existenciais, mas também como explica o autor: "mostra problemas de comunicação usando o exemplo de uma família. No entanto, não é uma peça sobre uma família, e sim sobre o que está acontecendo no mundo. Todos os problemas que vemos hoje - guerras, conflitos, incompreensões, crises políticas - são falhas nos sistemas de comunicação. Então, a comunicação é o tema central para mim." E insiste: "A peça é feita para ser engraçada - e se não for, então algo deu errado." Para o diretor, apesar da densidade, ela também traz levezas, uma peça cheia de contradições como é comum na falta de comunicação.
Sobre a encenação
A encenação aposta na força do texto e na condução dos atores. Em cena, Carol Gonzalez e Chico Carvalho sustentam o embate do casal a partir de um espaço reduzido: a cenógrafa Simone Mina cria uma ambientação com duas cadeiras móveis e projeções, evocando um tabuleiro de jogo. Nesse desenho, a luz - assinada pelo próprio Marcelo Lazzaratto - ganha protagonismo ao traduzir os estados emocionais dos personagens, acompanhando as mudanças de humor e intensidade da relação.
O título, "A Linha Solar", faz referência à distância que se estabelece entre Barbara e Werner. Ao longo da peça, ela insiste no desejo de que os dois "estejam do mesmo lado", enquanto ele aponta a dificuldade dela em ceder. A imagem do sol, que à primeira vista remete à luz, ao calor e à ideia de felicidade, revela também outro aspecto: as sombras que cada um carrega em si mesmo.=
Ações formativas
O projeto também se desdobra em um conjunto de ações formativas realizadas no CCBB SP, voltadas a interessados em geral, com atenção especial a coletivos e grupos de teatro da periferia de São Paulo e região. A programação articula três encontros: no dia 13 de março, foi realizada uma leitura da peça seguida de conversa com convidados; no dia 25 de abril, o público poderá acompanhar um ensaio aberto do espetáculo, também seguido de bate-papo; e, nos dias 6, 13 e 14 de maio, acontece uma oficina de produção teatral dedicada ao compartilhamento de estratégias para viabilização de projetos culturais, abordando desde a elaboração de propostas e construção de cronogramas e orçamentos até caminhos práticos para acesso a editais e mecanismos de fomento, como o ProAC e a Lei Rouanet, com o objetivo de fortalecer a autonomia dos grupos participantes.
Sobre Ivan Viripaev
Nascido em 1974 na Rússia, Ivan Viripaev é roteirista, diretor de cinema, ator e diretor de arte. Suas peças já foram traduzidas e montadas em diversos países, como Coreia do Sul, Estados Unidos, França e outras nações europeias. No Brasil, seu espetáculo "Oxigênio" foi dirigido por Márcio Abreu em 2010.
Atualmente, Viripaev é diretor artístico e produtor geral da Fundação Teal House Integral Development Foundation, em Varsóvia, Polônia. Em 2019, ele foi considerado um dos dramaturgos mais influentes e importantes do mundo, sendo citado pelo New York Times como "o dramaturgo mais promissor da Europa". É um dos autores contemporâneos mais conhecidos e mais frequentemente encenados no mundo atualmente.
O autor também é conhecido por sua posição intransigente de não colaboração com o Estado russo, formulada após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que ele criticou com veemência. Em maio de 2022, o artista renunciou à sua cidadania russa e recebeu a cidadania polonesa.
Sinopse
Às cinco da manhã, numa cozinha, o casal Barbara e Werner está à beira da separação, da exaustão, da incompreensão de tudo. Impossível separar-se, impossível permanecer juntos. Apesar das feridas, do cansaço e do desgosto, eles tentam e agarram-se ao desejo de se explicarem até ao fim. Viripaev nos apresenta uma magnífica parábola sobre o amor.
FICHA TÉCNICA
Texto: Ivan Viripaev
Direção Geral: Marcelo Lazzaratto
Elenco: Carol Gonzalez e Chico Carvalho
Tradução: Elena Vássina e Aimar Labaki
Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Direção de Arte: Simone Mina
Trilha Sonora Original e Sonoplastia: Eddu Ferreira
Assistência de Direção: Marina Vieira
Assistência de Figurino e Arte: Graziella Cavalcanti
Assistência de Cenografia: Vinicius Cardoso
Fotografia: Bob Sousa
Identidade Visual: Kleber Góes
Mídias Digitais: CANNAL Mídias Digitais
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes
Equipe de produção: Laís Machado e Pedro de Freitas
Produção Executiva: Périplo
Idealização e Direção de Produção: Carol Gonzalez
Realização: Sangiorgi e Gonzalez Produções
SERVIÇO:
Espetáculo "A Linha Solar"
Data: de 24/04/2026 a 17/05/2026 - de quinta-feira a segunda-feira
Quintas, sextas e segundas, às 19 horas e sábados, domingos e feriados, às 18 horas.
Sessões com intérpretes de Libras: 3 e 10/5, domingo às 18 horas.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Ingressos: R$30,00 (inteira) | R$15,00 (meia entrada), disponíveis bb.com.br/cultura e
na bilheteria do CCBB São Paulo. Os ingressos são liberados na sexta-feira da semana
anterior de cada semana às 12 horas.
Capacidade: 120 lugares | Duração: 70 minutos | Classificação: 16 anos
Informações à imprensa: Canal Aberto Assessoria de Imprensa