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A partir de quinta-feira, 12 - Orient CinePlace Boulevard

A partir de quinta-feira, 12 - Orient CinePlace Boulevard
15h45 - 18h20 - 21 (Dublado)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Tombamento do Monumento Relógio Rotary será solicitado

Rotary Clube pede ao prefeito José Ronaldo instauração do procedimento administrativo


Monumento Relógio Rotary, em 2021 (Foto: Franz Reuter)

O Rotary Club de Feira de Santana vai solicitar do prefeito José Ronaldo o Tombamento do Monumento Relógio Rotary como Patrimônio Cultural Municipal. Para tanto solicitará a instauração do procedimento administrativo visando ao determinado objetivo. 

O Relógio Rotary, construído por iniciativa do primeiro clube de Rotary da cidade, consolidou-se, ao longo do tempo, como marco urbano, referencial simbólico e elemento integrante da memória coletiva da cidade, ultrapassando sua função original para assumir relevante significado histórico, cultural, social e urbanístico.

Trata-se de um bem que expressa, de forma material, a contribuição do Rotary para o desenvolvimento urbano e para a promoção dos valores de cidadania, cooperação e serviço à comunidade, razão pela qual sua proteção legal representa um ato de reconhecimento institucional e de preservação da memória urbana de Feira de Santana.

Nesse sentido, o Rotary Club encaminhará um Dossiê Técnico de Tombamento, contendo histórico, justificativa, fundamentação legal e caracterização do bem, com vistas a subsidiar a análise pelos órgãos municipais competentes e a deliberação do Conselho Municipal de Cultura, culminando com a edição do respectivo Decreto de Tombamento.

O presidente Ruy Sandes Leal Filho, em nome dos rotarianos, conta com a sensibilidade do prefeito Josér Ronaldo para "as causas relacionadas à preservação do patrimônio cultural e à valorização da história da cidade".

Na justificatica da solicitação, o Rotary Club coloca que "o monumento ultrapassou sua função utilitária original para tornar-se referência espacial, ponto de encontro, elemento identitário e símbolo da cooperação entre sociedade civil organizada e poder público."

Dizs mais que "no longo do tempo, o Relógio Rotary consolidou-se como parte da memória coletiva urbana, integrando o cotidiano da cidade, aparecendo em relatos orais, fotografias, registros jornalísticos e na vivência afetiva da população."

Assim, o tombamento se justifica por: "Valor histórico, como testemunho da ação cívica do Rotary em Feira de Santana; Valor cultural e simbólico, enquanto marco identitário da cidade; Valor urbanístico, compondo a paisagem e a leitura histórica do espaço público; e Valor social, por integrar práticas de sociabilidade urbana e memória afetiva local."

Relevante cartão postal, o Monumento Relógio Rotary foi criado pelo arquiteto Amélio Amorim.
Foi doado pelo Rotary ao Município - então, era prefeito José Falcão da Silva.
É um exemplo visível de promoção da imagem pública do Rotary,  causando impacto positivo na comunidades, além de provocar  conscientização sobre o clube de serviço.
Localizado bem no centro da cidade, no segundo quarteirão da avenida Getúlio Vargas, onde está a praça de alimentação, o marco rotário é feito em fibra de vidro e tem altura de 16 metros.
Desde 7 de julho de 1997, há quase 29 anos, que o Monumento Relógio Rotary está implantado no centro da cidade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Mostra inédita de Sarah Maldoror, no Centro Cultural Banco do Brasil, celebra o legado anticolonial e a estética revolucionária da cineasta franco-guadalupense

31 títulos destacam papel pioneiro na história dos cinemas negros e de mulheres




Crédito: BJ Nikolaisen (divulgação)



Uma mostra inédita dedicada à Sarah Maldoror, considerada uma das primeiras cineastas negras a filmar na África, acontece no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), de 21 de fevereiro a 22 de março.  Com entrada gratuita, a retrospectiva traz curtas e longas-metragens, que destacam o papel da cineasta franco-guadalupense na história dos cinemas negros e de mulheres.
Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929-2020) foi uma figura central do cinema anticolonial. A cineasta construiu uma filmografia de mais de quarenta títulos que documentam e ficcionalizam as frentes de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de tratarem de temas como a imigração, o engajamento político e o pensamento decolonial. Sua estética diferencia-se por fundir o rigor político à sensibilidade poética, deslocando o olhar para a subjetividade humana e, fundamentalmente, para o protagonismo feminino nas insurgências africanas.
Com curadoria conjunta de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a retrospectiva “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror” no CCBB SP pode ser considerada uma das mais completas já realizadas sobre a cineasta no país. Sua programação conta com 34 obras, sendo 19 dirigidas por Sarah Maldoror e outras 15 assinadas por diferentes realizadores.
"Faz dez anos que planejamos uma retrospectiva da obra de Sarah Maldoror em São Paulo. Os filmes dela falam da luta contra o colonialismo, o racismo, o preconceito. Ela se interessou pelos imigrantes na França e por intelectuais precursores do pensamento decolonial, como Aimé Césaire e Léopold Senghor. São discussões extremamente necessárias em nosso contexto atual", diz Lúcia Monteiro, uma das curadoras.
"Esta mostra faz parte de uma movimentação mais ampla, que nos últimos anos tem reposicionado a figura e a produção de Sarah Maldoror na história do cinema. Por isso, acreditamos que iniciativas como essa colaboram tanto para o conhecimento do público em geral, quanto para o aprofundamento e reflexão dos críticos e pesquisadores", assinala Izabel de Fátima Cruz Melo, também curadora.
O evento abre no sábado, 21, às 17h30, com a exibição da versão restaurada de "Sambizanga" (1972), premiado no Festival de Berlim e considerado o título mais conhecido de Sarah Maldoror. Baseada em uma novela de Luandino Vieira, a história acompanha um homem que é preso injustamente e torturado, suspeito de pertencer a um grupo revolucionário. Após a sessão, a economista e sociólogaHenda Ducados, filha caçula de Maldoror e autora de ensaios para o jornal feminista Another Gaze, participa de um bate-papo com o público.  A primogênita da cineasta e fundadora da associação "The Friends of Sarah Maldoror and Mario de Andrade", Annouchka de Andrade, também estará presente na Mostra, participando de uma conferência sobre Sambizanga.
 A programação ainda traz filmes em que Maldoror trabalhou como assistente, como o célebre "A Batalha de Argel" (1966), de Gillo Pontecorvo, e o documentário "Elas", do argelino Ahmed Lallem, que ganha sua primeira exibição na cidade. Haverá também exibições de documentários de Chris Marker, como "Sem Sol" (1982) e o episódio 7 da série "A Herança da Coruja” (1989), que contêm imagens filmadas por Maldoror.
A retrospectiva "O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror" propõe alguns paralelos entre o cinema de Maldoror e a obra de cineastas negras da América Latina. Nesse sentido, a cineasta baiana Safira Moreira dirigirá a leitura dramática do roteiro de "As Garotinhas e a Morte", um dos mais de quarenta projetos inacabados de Sarah Maldoror. De Safira Moreira, a mostra exibirá seu primeiro longa-metragem, "Cais", que estreou na última edição da Mostra Internacional de Cinema, e quatro de seus curtas-metragens. Para completar, o evento também promove os cursos "Memória e Ancestralidade" com a cineasta, roteirista, poeta e produtora, Lilian Santiago, e com a crítica, curadora e professora Lúcia Monteiro; e "Restaurar Arquivos em Vídeo da Televisão" com Nathanaël Arnould, que conduziu a restauração da obra televisiva de Maldoror no Instituto Nacional do Audiovisual da França, e os professores Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS).
Com patrocínio do Banco do Brasil, "O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror" é uma produção da Vasto Mundo, com a idealização de Lúcia Monteiro, coordenação geral e produção executiva de Leticia Santinon. A programação está disponível em bb.com.br/cultura. A mostra acontece também no CCBB Rio de Janeiro, de 19 de fevereiro a 16 de março, e em Salvador, de 5 a 24 de março.
SERVIÇO
Retrospectiva: "O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror"
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Período: 21 de fevereiro a 22 de março
Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis 1 hora antes de cada sessão na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura
Classificação indicativa: Consultar a classificação indicativa de cada sessão no site do CCBB SP
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro Histórico - SP 
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9 às 20 horas, exceto às terças-feiras
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12 às 21 horas.
Transporte público: O CCBB fica a cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 metros).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República.  Das 12 às 21 horas.
 
E-mail: ccbbsp@bb.com.br
  

Atendimento à imprensa:
Atti Comunicação
Eliz Ferreira - (11) 3729- 1455| (11) 99110-2442 _ eliz@atticomunicacao.com.br
Valéria Blanco – (11) 3729-1456 | (11) 99105-0441 _ valeria@atticomunicacao.com.br

Assessoria de Imprensa CCBB SP:
Bruno Borges - brunoborges@bb.com.br
Tel. e Whatsapp: (11) 4297-0603
 
PROGRAMAÇÃO COMPLETA POR DIA:
 
 
21/02/2026 (sábado)
16h30 - Sessão de Abertura| Sambizanga (comentada por Henda Ducados).
 
22/02/2026 (domingo)
14h30 - Monangambééé + Alma no olho (com participação de Henda Ducados)
16h – Debate Resiliência e resistência: o percurso de uma militante (com participação de Henda Ducados e mediado por Marcia Vaz)
17h – Sessão Carnaval (Fogo, uma ilha em chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o carnaval)
 
23/02/2026 (segunda-feira)
17h30 - Prefácio a Fuzis para Banta (comentada por Lúcia Monteiro  e Henda Ducados)
19h – Sessão Poesia em movimento (Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas)
 
25/02/2026 (quarta-feira)
17h - Aimé Césaire, um homem, uma terra (sessão comentada por Rita Chaves)
 
26/02/2026 (quinta-feira)
18h – Cais (sessão seguida de apresentação de Safira Moreira)
 
27/02/2026 (sexta-feira)
17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras (sessão comentada por Annouchka de Andrade)
19h - Leitura dramática de roteiro inédito da Sarah Maldoror, por Safira Moreira.
 
28/02/2026 (sábado)
14h - O Hospital de Leningrado + conversa com Annouchka sobre roteiros de Sarah Maldoror.
16h – Sambizanga (sessão comentada por Annouchka de Andrade)
 
01/03/2026 (domingo)
14h30 - Sem Sol
16h30 – Sessão Sarah assistente: Elas + O Legado da Coruja.
17h30 - Debate de Annouchka de Andrade e Mateus Araújo: conversa sobre a amizade de Chris Marker e Sarah Maldoror.
 
02/03/2026 (segunda-feira)
15h30 – Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude: Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris.
17h00 – Ôrí (sessão seguida de debate com Raquel Gerber e Annouchka de Andrade)
 
04/03/2026 (quarta-feira)
18h - Monangambée + Alma no olho, de Zózimo Bulbul
 
05/03/2026 (quinta-feira)
16h - Sessão Carnaval: Fogo, uma Ilha em Chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o Carnaval (três curtas de Sarah Maldoror
17h45 - A Batalha de Argel
 
06/03/2026 (sexta-feira)
16h - Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude: Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris. 17h30 - Sessão Curtas de Sara Gomez: Na outra ilha + Uma ilha para Miguel + Ilha do tesouro
 
07/03/2026 (sábado)
16h - Sessão Poesia em Movimento: Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas.
17h30 - Aimé Césaire, um homem, uma terra
 
08/03/2026 (domingo)
15h - Sambizanga
17h – Sessão Sarah assistente: Elas + O Legado da Coruja.
 
09/03/2026 (segunda-feira)
18h30 - Prefácio a Fuzis para Banta
 
11/03/2026 (quarta-feira)
18h - Ôrí
 
12/03/2026 (quinta-feira)
18h - Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude: Abertura do Teatro Negro em Paris + Retrato de uma mulher africana + Christiane Diop + Primeiro Encontro Internacional das Mulheres Negras + Assia Djebar + Ana Mercedes Hoyos – Pintora + Louis Aragon – Uma máscara em Paris.
 
13/03/2026 (sexta-feira)
16h - O Hospital de Leningrado
17h – Curso Restaurar arquivos em vídeo da televisão. Com Nathanaël Arnould (INA-França), Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS)
 
14/03/2026 (sábado)
17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, com comentários de Nathanaël Arnould (INA-França)
 
15/03/2026 (domingo)
15h – Sessão Curtas de Sara Gomez: Na outra ilha + Uma ilha para Miguel + Ilha do tesouro, comentada por Nayla Guerra.
17h30 - Monangambééé + Alma no olho
 
16/03/2026 (segunda-feira)
17h30 - Sem sol
 
18/03/2026 (quarta-feira)
16h30 - Batalha de Argel, comentada por Tina Beskow.
 
19/03/2026 (quinta-feira)
18h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras
 
20/03/2026 (sexta-feira)
18h30 - Uma sobremesa para Constance
 
21/03/2026 (sábado)
15h - Sessão Curtas de Safira Moreira: Travessia + Nascente + Alágbedé + Da pele prata
16h - Prefácio a Fuzis para Banta
17h15 - Curso Memória e Ancestralidade, com Lilian Santiago e Lúcia Monteiro
 
22/03/2026 (domingo)
15h - Curso Sarah Maldoror Roteirista
17h - Uma sobremesa para Constance

FILMES E SINOPSES:

FILMES DE SARAH MALDOROR

Abertura do teatro negro em Paris
L'ouverture du théâtre noir à Paris, Sarah Maldoror, 1980, 6 min., França
Reportagem de Sarah Maldoror sobre um novo centro cultural de Paris, dedicado ao teatro negro.
 
Ana Mercedes Hoyos
Ana Mercedes Hoyos, Sarah Maldoror, 2009, 13 min., França/Colômbia.
Documentário dedicado à pintora e escultora colombiana Ana Mercedes Hoyos. Atenta à multiculturalidade colombiana e em especial à presença negra e à história da escravidão na Colômbia, a artista desenvolveu uma relação especial com a população do Palenque de São Basílio, quilombo próximo de Cartagena, considerado o primeiro povo livre das Américas.
 
Assia Djebar
Assia Djebar, Sarah Maldoror, 1987, 7 minutos, França
Reportagem televisiva sobre a escritora argelina Assia Djebar, por ocasião do lançamento de seu livro "Sombra sultana". A autora reflete em voz alta sobre as mulheres no mundo árabe, sobre sua relação com o medo, o cerceamento no espaço doméstico e a esperança de ganhar a luz do exterior.
 
Aimé Césaire, a máscara das palavras
Aimé Césaire, the mask of words, Sarah Maldoror, 1987, 47 minutos, Estados Unidos, Martinica. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Dez anos após realizar seu primeiro filme em torno do poeta surrealista, dramaturgo, ativista e político martinicano Aimé Césaire, Sarah Maldoror volta a esta figura na ocasião em que recebe uma importante homenagem nos EUA. Ideólogo do conceito de "negritude", na entrevista que concede a Maldoror, Césaire fala de sua trajetória, reflete sobre história, colonialismo, preconceitos e sobre o papel da poesia.
 
Aimé Césaire - um homem, uma terra
Aimé Césaire - un homme une terre, Sarah Maldoror, 1976, 52 minutos, França, Martinica. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Aimé Césaire foi surrealista, ensaísta, ativista e um dos fundadores do movimento da Negritude, uma corrente artística e política progressista que defendia a cultura negra, fortemente ligada a ideais marxistas e anticoloniais.
 
Carnaval no Sahel
Un carnaval dans le Sahel, Sarah Maldoror, 1979, 23 minutos, Cabo Verde. Classificação: 14 anos.
Sinopse: O Carnaval é um evento e uma festividade em que os limites podem ser transgredidos em um contexto repleto de música, sensações e texturas. Neste filme, ele é também o ponto de partida para uma abordagem sobre a história da cultura negra e do colonialismo, com conceitos de identidade e negritude ocupando o centro da cena.
 
Christiane Diop
Christiane Diop, Sarah Maldoror, 1985, 6 minutos, França
Reportagem dedicada a Christiane Diop, que comanda a livraria e editora Présence Africaine desde a morte de seu companheiro, Alioune Diop, em 1980. Fundada em 1947 como revista, a Présence Africaine logo expande suas atividades e se torna ponto de convergência de intelectuais negros vindos da África e das Antilhas.
 
E os cães se calavam
Et les chiens se taisaient, Sarah Maldoror, 1976, 13 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Peça teatral cuja narrativa foca na rebelião de um homem contra a escravização de seu povo, filmada no interior do Musée de l'Homme, em Paris. Com atuações de Gabriel Glissant e Sarah Maldoror.
 
Em Bissau, o carnaval
Carnival en Guinée-Bissau, Sarah Maldoror, 1980, 13 minutos, Guiné-Bissau. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um curta-metragem documental que aborda como os habitantes da Guiné-Bissau enxergam sua identidade e cultura negra, tendo como pano de fundo a celebração anual do Carnaval.
 
Fogo, uma ilha em chamas
Fogo, l'île de feu, Sarah Maldoror, 1979, 23 minutos, Cabo Verde, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: A Ilha do Fogo, em Cabo Verde, é o cenário deste documentário dos anos 70 produzido pelo governo revolucionário do novo país, no qual a diretora optou por uma abordagem antropológica. O filme lança um olhar belíssimo sobre uma nação no início de sua independência.

Léon G. Damas
Léon G. Damas, Sarah Maldoror, 1995, 24 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um curta sobre o cofundador da revista L'Étudiant Noir, que promoveu a conscientização cultural negra, colaborador da Présence Africaine, poeta, deputado guianense, representante da UNESCO e combatente da resistência francesa.
 
Louis Aragon, uma máscara em Paris
Un Masque à Paris: Louis Aragon, Sarah Maldoror, 1978, 13 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Sarah Maldoror entrevista, neste documentário, Louis Aragon, poeta e figura fundamental do surrealismo francês. Ao mesmo tempo, questiona a forma como o movimento surrealista – nos períodos entre e pós-guerra – encarou a questão racial, do “outro” e da afirmação de outras identidades.
 
Monangambééé
Monangambeee, Sarah Maldoror, 1968, 16 minutos, Angola. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Os abusos dos traficantes de escravos portugueses em sua colônia de Angola são retratados por meio da tortura de um prisioneiro, fundamentada na ignorância e na incompreensão.
 
O hospital de Leningrado
L'hôpital de Leningrad, Sarah Maldoror, 1983, 58 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma história de prisão política ambientada em um hospital psiquiátrico, onde a polícia estatal de Stalin colocava seus opositores. A narrativa é fiel ao texto original, um conto do escritor russo Victor Serge.
 
Primeiro encontro internacional das mulheres negras
Première rencontre internationale des femmes noires, Sarah Maldoror, 1986, 6 minutos, França
Reportagem sobre o encontro ocorrido em novembro de 1986, em Paris.
 
René Depestre, poeta haitiano
René Depestre, poète haïtien, Sarah Maldoror, 1981, 5 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Pequeno documentário sobre René Depestre, poeta e antigo ativista comunista, umas das mais importantes figuras da literatura do Haiti.
 
Retrato de uma mulher africana
Portrait d'une femme africaine, Sarah Maldoror, 1985, 3 minutos, França. Classificação: Livre.
Reportagem televisia a respeito da imigração de senegaleses para a França. A cineasta acompanha uma jovem cozinheira senegalesa, que trabalha em um centro de acolhimento para trabalhadores estrangeiros.
 
Sambizanga
Sambizanga, Sarah Maldoror, 1972, 97 minutos, Angola, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Domingos é membro de um movimento de libertação africano, preso pela polícia secreta portuguesa, após eventos sangrentos em Angola. Ele não trai seus companheiros, mas é espancado até a morte na prisão, e sem saber que ele morreu, sua esposa percorre diversas prisões, tentando em vão descobrir o seu paradeiro.
 
Uma sobremesa para Constance
Un dessert pour Constance, Sarah Maldoror, 1981, 63 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Nos anos 70, Bokolo e Mamadou, varredores na cidade de Paris, buscam uma maneira de custear o retorno para casa de um de seus companheiros doentes.

 
FILMES DE OUTROS CINEASTAS
 
CONSTELAÇÃO SARAH MALDOROR
Filmes em que Sarah Maldoror trabalhou como assistente ou que contêm imagens filmadas por ela

A batalha de Argel
La battaglia di Algeri, Gillo Pontecorvo, 1966, 121 minutos, Argélia e Itália. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Nos anos 1950, o medo e a violência aumentam à medida que o povo da Argélia luta pela independência do governo francês. Sarah Maldoror foi assistente de Pontecorvo nas filmagens.
 
Elas
Elles, Ahmed Lallem, 1966, 22 minutos, Argélia. Classificação: 14 anos.
Sinopse: No período pós-independência, estudantes argelinas do ensino médio falam sobre suas vidas e comentam como vislumbram o futuro, a democracia e o seu lugar na sociedade. Sarah Maldoror foi assistente de Lallem nas filmagens.
 
Sem Sol
Sans soleil, Chris Marker, 1983, 104 minutos, França. Classificação: 14 minutos.
Sinopse: Uma mulher narra os escritos contemplativos de um viajante do mundo experiente, com foco no Japão contemporâneo.
 
O legado da coruja - Episódio 7
L'héritage de la chouette - "Logomachie ou Les mots de la tribu", Chris Marker, 1990, 27 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Cineastas ensaístas como Marker e Godard adoram jogos de palavras. Aqui, conforme as imagens mostram como vocábulos de origem grega permeiam a nossa mídia, as placas de rua e até mesmo os grafites, mergulhamos, sob uma perspectiva semiótica, nas bases da própria fala.
 
Prefácio a Fuzis para Banta
Préface à Des fusils pour Banta, Mathieu Kleyebe Abonnenc, 2011, 28 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma elegia ao filme perdido de Sarah Maldoror, "Fuzis para Banta", filmado em 1970 na Guiné-Bissau, durante a guerra de independência e confiscado durante a montagem, na Argélia. Abonnenc estrutura seu filme em torno das fotografias de cena, das anotações do roteiro e de conversas com Sarah Maldoror.
 
 
GENEALOGIA IMAGINATIVA
Filmes que apresentam proximidade estética e política com a obra de Sarah Maldoror
 
Alma no olho
Alma no olho, Zózimo Bulbul, 1973, 11 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Metáfora sobre a escravidão e a busca pela liberdade por meio da transformação interna do ser, em um jogo de imagens de inspiração concretista.
 
Ôrí
Ôrí, Raquel Gerber, 1989, 100 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um olhar sobre o movimento negro brasileiro entre 1977 e 1988, a partir da relação entre o Brasil e a África.
 
Cais
Cais, Safira Moreira, 2025, 70 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Dois meses após o falecimento de sua mãe Angélica, Safira viaja em busca de encontrá-la em outras paisagens. Num curso fluvial, o filme percorre cidades banhadas pelo Rio Paraguaçu, na Bahia, e pelo Rio Alegre, no Maranhão, para imergir em novas perspectivas sobre memória, tempo, nascimento, vida e morte.
 
Curtas de Safira Moreira
 
Travessia
Travessia, Safira Moreira, 2017, 5 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos
Articulando poesia, arquivos fotográficos e encenação, Safira Moreira problematiza de forma poética a ausência ou dificuldade de permanência das imagens das pessoas negras.
 
Nascente
Nascente, Safira Moreira, 2020, 6 minutos, Brasil
Quatro mulheres e uma criança, reunidas em numa casa em Salvador, em agosto de 2020. Apesar das restrições pandêmicas, tudo ali flui como um rio correndo nas matas, em uma energia etérea e misteriosa.
 
Alágbedé
Alágbedé, Safira Moreira, 2021, 12 minutos, Brasil
Ogum, orixá yiorubá. Quando se manifesta sob o epíteto de Alágbedé, estão ressaltam-se suas habilidades com a forja, o fogo e os metais. Senhor das técnicas e das tecnologias – desceu à Terra para ensinar aos seres humanos a metalurgia.
 
Da pele prata
Da pele prata, Safira Moreira, 2025, 27 minutos
Neste filme dedicado aos seus pais, Angélica Moreira, pedagoga e idealizadora do Ajeum da Diáspora, e Chico da Prata, ourives especializado em joias com temática relacionada ao candomblé, Safira Moreira retoma, sob uma perspectiva diversa de Travessia (2017), a construção de um percurso breve, mas profundo, sobre a história da sua família.
 
Curtas de Sara Gómez

Ilha do tesouro
Isla del tesoro, Sara Gómez, 1969, 9 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma curta evocação poética de Sara Gómez sobre a Ilha de Pinos, a ilha onde Fidel Castro foi preso por Batista e onde a revolução constrói uma nova sociedade. O filme apresenta uma justaposição da prisão Presídio Modelo com a produção de cítricos.

Uma ilha para Miguel
Una isla para Miguel, Sara Gómez, 1968, 22 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Miguel, um de 12 filhos oriundos de um bairro pobre de Havana, é enviado pela família para a "Isla de Pinos", para se tornar um novo homem. Gómez aponta a sua câmara para este território, para onde os marginalizados (jovens, negros, pobres, homossexuais, religiosos, hippies) eram enviados para trabalho e reeducação forçados.

Na outra ilha
En la otra isla, Sara Gómez, 1968, 41 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Sara Gómez entrevista habitantes da Ilha da Juventude, em Cuba (então conhecida como Ilha de Pinos), capturando suas perspectivas sobre diversas questões sociais.


Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro Histórico - São Paulo - SP
 
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ACM Neto não descarta Zé Ronaldo como vice, mas diz que prefeito deve seguir "desejo da população de Feira"


Foto: Reprodução / Redes Sociais

O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), comentou sobre a possibilidade de integrar o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União), na vice em sua chapa na disputa pelo Palácio de Ondina neste ano. Reforçando o perfil de uma pessoa "com grande representatividade no inteirior", Neto contou, durante entrevista na noite de segunda-feira, 9, em Feira de Santana, que tem sido questionado sobre a possibilidade e afirmou que avalia a hipótese, mas disse que o prefeito só tomaria a decisão de ocupar a vice "se fosse o melhor" para o povo da Princesa do Sertão.

"Eu tenho sido perguntado várias vezes sobre a possibilidade de José Ronaldo. Como disse várias vezes, ele (José Ronaldo) é um nome que tem força política, densidade eleitoral, que representa Feira de Santana, a região e o interior da Bahia. Então, é claro que José Ronaldo que tem de ser considerado em qualquer avaliação para o interior. José Ronaldo não faria nenhum movimento, se não for o desejo da população de Feira, eu acho que a hipótese dele figurar na chapa estaria diretamente relacionada à compreensão e isso é bom para a Feira, o que seria o desejo da vontade da população de Feira. Então, é claro que o nome dele é um nome forte", comentou Neto momentos antes de participar, no distrito de Humildes, de mais uma edição da tradicional Lavagem da Lenha.

Segundo o pré-candidato ao governo, o nome ideal para a vice tem que possuir densidade eleitoral no interior e o prazo para o anúncio da chapa é até o mês de março.

"Temos algumas opções que são avaliadas, que são consideradas e, no momento adequado, ainda no mês de março, nós vamos anunciar a chapa completa. Então, o meu desejo é que, antes do dia 4 de abril, que é quando se encerra o prazo das filiações partidárias para quem vai disputar a eleição de 2026, a gente tenha uma chapa completa para apresentar aos Bahia", contou ACM Neto.

CORONEL

Sobre a chegada do senador Angelo Coronel (PSD) ao grupo de oposição, o ex-prefeito de Salvador apontou que as conversas têm avançado desde o início. Segundo Neto, existe a expectativa de anúncio ainda para o mês de fevereiro sobre a aliança entre as partes.

"Essas conversas começaram na semana passada, logo depois que o senador anunciou o seu afastamento da base do governo. Eu tinha colocado essa pré-condição para o diálogo. Então, estamos conversando. Claro que agora vem Carnaval, está todo mundo com mobilizado em torno da festa, mas nossa expectativa é que ainda em fevereiro a gente tenha condições de anunciar essa aliança, assim como informar por qual partido o senador deverá disputar as eleições deste ano", disse o ex-prefeito de Salvador.

Fonte: https://www.bahianoticias.com.br/

Carlos Brito e o patrimônio artístico e cultural de Feira de Santana

Professor e memorialista palestra Rotary Club de Feira de Santana

"Cada cidade tem uma alma. E a alma de Feira de Santana está na sua memória"




1. Carlos Brito: "Preservar para existir"

2. Palestrante recebe certificado de José Raimundo de Azevêdo e Dázio Brasileiro Filho

3. Rotarianos atentos à fala do memorialista

"O patrimônio artístico e cultural de Feira de Santana  para mim, não é apenas objeto de estudo ou de trabalho, mas uma verdadeira causa de vida". Com essa declaração, o professor e memorialista Carlos Brito abriu a palestra "Preservar para existir", no início da tarde desta terça-feira, 10, durante reunião almoço do Rotary Club de Feira de Santana na Churrascaria Los Pampas.

- Quando falamos em patrimônio, muitas pessoas pensam imediatamente em prédios antigos, fotografias amareladas ou coisas do passado. Mas patrimônio não é passado morto. Patrimônio é presença. É aquilo que continua nos acompanhando, mesmo quando não percebemos - considerou Brito.

Para ele, "cada cidade tem uma alma. E a alma de Feira de Santana está na sua memória."

Disse mais que "patrimônio é tudo aquilo que nos diz quem somos, de onde viemos e por que estamos aqui. É o que nos dá identidade. É o que nos diferencia de qualquer outro lugar do mundo. Se amanhã Feira de Santana perdesse todos os seus marcos históricos, suas tradições, sua arte, suas referências culturais, ela continuaria sendo apenas um território. Mas deixaria de ser uma cidade com identidade."

- E identidade não se constrói do dia para a noite. Ela é formada ao longo do tempo, com o trabalho, a fé, os sonhos e as lutas de muitas gerações - continuou o memorialista.

Cidade de encontros

Carlos Brito discorreu que "Feira de Santana nasceu do encontro. Do encontro de caminhos, de culturas, de pessoas, de atividades econômicas e de expressões culturais diversas. Desde cedo, esta cidade foi ponto de passagem, mas também foi lugar de permanência, de construção de vínculos e de memória. Nada aqui surgiu por acaso. Cada rua, cada praça, cada prédio histórico, cada manifestação cultural carrega uma história. Histórias de homens e mulheres que, com simplicidade ou com grandeza, ajudaram a construir a Feira de Santana que conhecemos hoje."

E continuou: "Quando olhamos para o nosso patrimônio material - para prédios como o Paço Municipal Maria Quitéria, o Casarão Fróes da Motta, a antiga Estação Ferroviária, a Santa Casa de Misericórdia, as igrejas históricas - não estamos vendo apenas paredes, janelas e telhados. Estamos vendo testemunhas silenciosas do tempo. Esses edifícios viram a cidade crescer. Viram gerações nascerem, estudarem, trabalharem, se apaixonarem e partirem. Eles guardam histórias que não estão apenas nos livros, mas impregnadas em cada detalhe da sua arquitetura. Quando um prédio histórico é descaracterizado ou demolido, não se perde apenas uma construção. Perde-se uma parte da narrativa da cidade. E essa perda é irreversível. Não há como reconstruir a memória com a mesma autenticidade depois que ela é destruída."

Como guardião da memória, Carlos Brito falou ainda que: "Mas o patrimônio de Feira de Santana não está apenas no que podemos tocar. Ele vive, sobretudo, nas pessoas. A Feira Livre, por exemplo, é muito mais do que um espaço de comércio. Ela é um patrimônio vivo. É um lugar de encontros, de trocas, de saberes populares, de sotaques, de cheiros e de cores. É um espaço onde a cultura se manifesta todos os dias, de forma espontânea e verdadeira."

E disse mais: "Nossa música, nossas filarmônicas, nossos maestros, nossos artistas plásticos, escritores, fotógrafos e cronistas também são patrimônio. A arte é uma forma poderosa de preservar a memória. Ela registra aquilo que o tempo insiste em apagar. Cada música composta, cada quadro pintado, cada livro escrito sobre Feira de Santana é uma declaração de pertencimento. É uma forma de dizer: nós existimos, nós construímos esta cidade, e nossa história importa."

Inimigo é o esquecimento

Ele chamou a atenção de que o "maior inimigo do patrimônio não é o tempo. O maior inimigo do patrimônio é o esquecimento. Uma cidade que esquece sua memória corre o risco de se tornar apenas um lugar de passagem, sem raízes, sem referências, sem identidade. O progresso que destrói a memória não é progresso. É perda."

Para Brito, preservar o patrimônio não significa impedir o desenvolvimento. "Pelo contrário. As cidades que sabem preservar sua história são justamente aquelas que conseguem crescer com identidade, com autoestima e com qualidade de vida."

Marcos da Fundação Senhor dos Passos

Para exemplificar, ele citou a Fundação Senhor dos Passos, uma entidade que vem buscando, desde a sua criação em 16 de maio de 1996, se consolidar como uma instituição voltada à preservação da memória histórica e do patrimônio cultural de Feira de Santana. Originada a partir de um grupo ligado à Paróquia Senhor dos Passos, a Fundação surgiu com a missão de resguardar, documentar e difundir aspectos centrais da história local, fortalecendo a identidade cultural da cidade e promovendo o conhecimento sobre suas raízes sociais e arquitetônicas.

Ele lembrou que um dos principais marcos da atuação da Fundação foi a aquisição e restauração do Casarão Fróes da Motta, um "imóvel histórico tombado que se tornou espaço de memória, cultura e convivência. A preservação desse patrimônio material evitou a perda de um dos edifícios mais representativos do período eclético da arquitetura urbana feirense, transformando-o em local de eventos culturais, exposições, lançamentos de livros e atividades educativas abertas à população."

A instituição também se destaca pelo resgate documental e pela produção editorial. Ao longo de quase três décadas, foram organizadas e publicadas mais de 30 obras - incluindo livros, coletâneas de crônicas e registros históricos -, que contribuem para uma narrativa plural da história de Feira de Santana. "Essas publicações ampliam o acesso ao conhecimento histórico e descentralizam a memória da cidade além dos pontos mais conhecidos, valorizando personagens, instituições e acontecimentos que moldaram a trajetória local", como declarou.

Ainda lembrou que a Fundação Senhor dos Passos tem investido sistematicamente na preservação audiovisual e fotográfica por meio de acervos digitais e projetos como o Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie E. Poppino. Esse trabalho torna disponível um conjunto valioso mais de 250 vídeos e gravações de programas de rádio e mais de 80.000 registros históricos, que "em um espaço muito breve serão acessíveis à comunidade por meio de plataformas online e que se tornarão referência para pesquisas acadêmicas, educativas e culturais."

Outro aspecto importante do desempenho da Fundação, conforme o palestrante, é a promoção de parcerias internacionais e ações educativas. "Um exemplo recente foi a assinatura de convênios com instituições estrangeiras, ampliando o alcance de programas culturais e possibilitando intercâmbios científicos e técnicos que enriquecem as iniciativas de preservação e difusão histórica."

A atuação da Fundação Senhor dos Passos também se estende à requalificação e restauração de bens culturais - incluindo igrejas históricas e espaços comunitários - e ao apoio à recuperação de manifestações culturais como a Sociedade Filarmônica 25 de Março e recuperação de 750 partituras de música de filarmônicas contribuindo para manter vivas tradições musicais e artísticas.

Ele sintetizou que o desempenho da Fundação na preservação do patrimônio cultural de Feira de Santana tem sido marcado por uma abordagem ampla e integrada: "ação sobre bens materiais (restaurações e manutenção de edifícios históricos), preservação imaterial (publicações, acervos digitais, projetos educativos), estímulo à reflexão histórica coletiva e construção de redes de cooperação. Essas iniciativas não apenas resguardam o passado, mas também fortalecem a identidade cultural e o senso de pertencimento da comunidade feirense."

Valores do Rotary

Carlos Brito ainda fez uma ligação direta com os valores do Rotary. "O Rotary nasceu para servir. E servir também é preservar. Preservar valores, preservar histórias, preservar referências que ajudam uma comunidade a se reconhecer, a se orgulhar e a se projetar para o futuro. O patrimônio cultural não é algo distante da ação social. Ele é, na verdade, uma das suas formas mais profundas. Porque quando preservamos a memória de uma cidade, estamos educando. Estamos fortalecendo vínculos. Estamos formando cidadãos mais conscientes e comprometidos com o lugar onde vivem."

Por fim, ele encerrou sua fala deixando uma reflexão - e, ao mesmo tempo, um convite: "Feira de Santana precisa de guardiões da sua memória. Precisa de instituições que compreendam que cuidar do patrimônio cultural é cuidar das pessoas, da identidade coletiva e da história comum. O Rotary, pela sua trajetória, pelo seu prestígio e pela sua capacidade de mobilização, tem todas as condições de ser protagonista em um projeto cultural voltado à preservação da memória de Feira de Santana."

Segundo explicou um projeto que pode assumir muitas formas: apoio à educação patrimonial, incentivo à preservação de acervos históricos, valorização da arte local, promoção da memória da cidade junto às novas gerações.

"Não se trata apenas de financiar ações. Trata-se de abraçar uma causaDe deixar um legado que vá além do presente e permaneça como referência no futuro. Daqui a alguns anos, quando alguém perguntar quem ajudou a preservar a história de Feira de Santana, que se possa dizer: o Rotary esteve láQue se possa dizer: o Rotary compreendeu que preservar a memória também é servirFeira de Santana não é apenas o lugar onde moramos. É o lugar que nos formou. É o lugar que nos deu identidade. Cuidar do seu patrimônio artístico e cultural é um ato de amor à cidade - e um dos mais nobres serviços que podemos prestar à comunidade", encerrou.


Carlos Brito palestra sobre preservação


 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Elites que brincam com fósforos queimam a democracia

Jeffrey Epstein funcionava como uma espécie de ONU da safadeza. 


Por João Pereira Coutinho para a FSP:

Nosso mundo vive dividido entre esquerda e direita. De vez em quando, porém, surge uma figura capaz de unir adversários irreconciliáveis. Jeffrey Epstein é uma delas.

Sim, era um criminoso e um pedófilo. Mas impressiona a capacidade que teve de reunir inimigos políticos na mesma mesa, na mesma ilha, nos mesmos salões. Não importa se falamos de Noam Chomsky ou Steve Bannon, de Peter Mandelson ou Bill Gates. Não importa se são plebeus, presidentes ou membros de casas reais.

Epstein funcionava como uma espécie de ONU da safadeza, onde gente poderosa se encontrava sob o mesmo teto - e, muitas vezes, com o mesmo silêncio cúmplice.

Não se trata de exagero moralista. Abusos entre elites sempre existiram. O que impressiona é a extensão e a diversidade dessa fauna, que o próprio Epstein gostava de exibir nos retratos do seu escritório. Haverá aqui um cheiro a fim de ciclo?

Em 1789, outra elite foi devorada por sua própria complacência. Historiadores apontam causas econômicas, financeiras e ideológicas para a Revolução Francesa. Tudo isso é verdadeiro. Mas, antes da falência do Estado, a Monarquia já havia falido moralmente nos libelos escabrosos que circulavam em Paris sobre os Bourbons. Maria Antonieta era a estrela desses panfletos e sua reputação foi consumida por acusações tão extravagantes quanto infundadas. Até de incesto acusaram a rainha.

Algo semelhante ocorreu com os Romanovs. Lênin e seus camaradas deram o empurrão decisivo em 1917. Mas, antes disso, as supostas relações íntimas da imperatriz com o místico e charlatão Rasputin haviam lançado uma sombra corrosiva sobre o czarismo.

Para os marxistas, tudo é economia. Mas a percepção de imoralidade das elites, real ou imaginária, costuma ser o grande aperitivo das rupturas políticas.

No fundo, é uma questão de maneiras - palavra fora de moda que nossos antepassados conheciam tão bem. Um deles era John Fletcher Moulton (1844–1921), hoje esquecido, que escreveu há mais de um século um ensaio luminoso sobre o tema.

Segundo Moulton, nas sociedades humanas existem três grandes domínios. O domínio da lei, que impõe obrigações e limites aos indivíduos. O domínio da liberdade, onde cada um pode agir como quiser. E um terceiro domínio, intermediário, frequentemente ignorado: o dever de "obediência ao incontrolável", para usar a célebre expressão do autor.

O que isso significa? Que há comportamentos que não são punidos pela lei, mas tampouco pertencem ao território da escolha privada irrestrita. São deveres que devemos a nós mesmos e aos outros. Os nomes variam: autocontenção, virtude, responsabilidade, etos cívico. Ou, usando os termos técnicos, vergonha na cara.

Para evitarmos os excessos da legislação ou os excessos da anarquia - dois males do nosso tempo -, devemos fazer o que é certo, mesmo quando não somos obrigados a tal. E se isso é verdade para o cidadão comum, é especialmente decisivo para as elites de um país.

Nos arquivos de Epstein há crimes que cabem à Justiça punir. Não falo deles. Falo das zonas cinzentas: a naturalidade com que figuras influentes continuaram a frequentar o universo de Epstein mesmo depois de sua condenação, em 2008, por prostituição envolvendo menor de idade.

Parafraseando a pergunta que o advogado Joseph Welch dirigiu ao senador McCarthy durante a "caça às bruxas" nos Estados Unidos: será que os nomes mais comprometidos dessa história não tiveram o mínimo senso de decência?

Não é preciso responder. A pergunta é retórica.

Nos clichês sobre o populismo, o fenômeno costuma ser descrito como um filme de terror: o povo, ignorante e brutalizado, alimentaria sentimentos fascistas dentro do cérebro.

Um dia, por desatino, encontra um líder autoritário e vota nele por ressentimento e sadomasoquismo.

É um belo filme - para crianças até 8 anos. A realidade, como sempre, é menos confortável: democracias tendem a se desgastar de cima para baixo, não de baixo para cima - como observa o cientista político Larry Bartels. O populismo não surge no vácuo: ele floresce quando a confiança nas elites já está corroída.

Isso não absolve os demagogos que aproveitam a onda para chegar ao poder. Mas eles são a consequência, não a causa, de um incêndio anterior.

Quando um dia se escrever a história do nosso tempo, talvez se conclua que não foram as massas que queimaram as democracias - foram as elites que brincaram com os fósforos.

Fonte: https://otambosi.blogspot.com/