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sexta-feira, 6 de março de 2026

Não foi o Ocidente que começou esta guerra

 O único estadista europeu que apoiou a ofensiva de Israel e dos EUA foi Zelensky. Porque, tal como Israel, não pode ignorar a guerra que a teocracia iraniana declarou contra o Ocidente. 

Rui Ramos para o Observador:

É tão fácil condenar e criticar a ofensiva de Israel e dos EUA contra o Irão, ou duvidar do seu resultado. Para condenar, lá está o curioso direito internacional, cujos rigores só se aplicam a dois países no mundo (Israel e os EUA). Para criticar, enumera-se tudo o que pode correr mal, como se tudo estivesse a correr bem antes. Para duvidar, explica-se que o Irão nunca será a Suíça, como se só a transformação do Irão numa Suíça pudesse justificar o esforço de o desarmar.
Valerá a pena perder tempo com tais argumentos? São apenas buracos para as avestruzes meterem a cabeça. Nenhum toca o problema fundamental: a razão de ser da teocracia iraniana é a guerra apocalíptica contra o Ocidente. Por isso, tem promovido agressões terroristas, ajudado Putin e trabalhado para adquirir armas que lhe permitam devastar Israel. Para os seus líderes, tão fanáticos como corruptos, não há limites. Viu-se em Janeiro, quando massacraram dezenas de milhares de opositores. Vê-se agora, quando procuram alargar a guerra bombardeando quase todos os seus vizinhos.
Não foi o Ocidente que começou esta guerra. O que o Ocidente está a fazer é tentar pôr-lhe termo. Durante anos, esperou que sanções e diplomacia contivessem o Irão. Os mullahs contornaram as sanções, e tourearam a diplomacia. Com a Rússia e a China interessadas nos seus recursos e na sua agressividade, não estão sozinhos. O povo iraniano sofre as restrições económicas. Ao regime, porém, nunca faltaram armas e dinheiro para sustentar braços armados no Líbano, em Gaza, ou no Iémen. Em Junho passado, Israel e os EUA atacaram as suas instalações nucleares. Os mullahs preparavam-se agora para as recuperar. Contaram sempre, para se manterem impunes, com a aversão a riscos e a divisão de opiniões no Ocidente. Não contaram, porém, com Donald Trump. Trump fez duas coisas. Primeiro, concluiu que o risco de o Irão arranjar mísseis com ogivas nucleares capazes de alcançar Jerusalém, Paris ou Nova Iorque é maior do que todos os riscos de o tentar desarmar à força. Segundo, e ao contrário do que é costume na política de hoje, decidiu não deixar o problema para os seus sucessores resolverem.
Não por acaso, o único estadista europeu que apoiou a ofensiva de Israel e dos EUA foi Zelensky. Porque a Ucrânia depende, na sua guerra com a Rússia, do apoio americano? Talvez, mas também porque o presidente ucraniano está há anos sob ataque do Irão, grande fornecedor de armas a Putin. Zelensky não pode ignorar a guerra que a ditadura clerical de Teerão declarou desde a sua origem contra o Ocidente. Tal como Israel, a quem os ayatollahs prometem regularmente o aniquilamento. Os outros líderes europeus, porém, acharam que podem fingir que esta é uma guerra que nada tem a ver com eles. É uma ilusão patética, e não apenas porque a Europa estaria na mira dos mísseis e drones iranianos logo que a pudessem alcançar. O "islamo-gauchisme", isto é, a aliança entre o jihadismo e o esquerdismo para voltar as comunidades muçulmanas da Europa contra as democracias liberais tem na teocracia iraniana uma das suas inspirações. O Daily Telegraph deu conta esta semana das homenagens a Khamenei nas universidades britânicas. Uma teocracia triunfante seria um estímulo para a violência jihadista, como foi o Estado Islâmico.
Ao arriscarem o confronto directo com a ditadura iraniana, Israel e os EUA facilitaram a vida aos Pilatos que, na Europa, lavam as mãos. Podem fazê-lo agora à vontade, confortados pela ideia de que alguém está a lidar por eles com o perigo. Talvez até, em segredo, rezem para que tudo corra bem.

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