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quinta-feira, 26 de março de 2026

Lei da Misoginia: a criminalização dos homens

Espero, sinceramente, que a Câmara dos Deputados derrube essa lei nefasta, ou teremos mais um instrumento do regime para a perseguição de brasileiros inocentes. 

Paulo Briguet para a Gazeta do Povo:

Em 2024, o nosso querido Frei Gilson - esse mesmo que coloca 2 milhões de pessoas para rezar de madrugada - disse, durante uma homilia:
- A guerra dos sexos é ideologia pura. Para curar a solidão do homem, Deus fez você, mulher. Deus faz uma promessa para Adão: eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar. Aqui você já começa a entender a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem.
Um ano depois, quando o fenômeno do Rosário da Madrugada arrebatou o país, a deputada socialista Tabata Amaral foi às redes para fazer uma crítica ao sacerdote carmelita. Tabata comentou, na época:
- O Frei Gilson vem sendo atacado por um vídeo em que ele diz que "a mulher deve ser auxiliar do homem". Obviamente, eu não concordo com essa frase. Quem conhece a minha luta na educação, pela dignidade menstrual, pela segurança das mulheres e pela ocupação dos espaços de poder sabe que toda a minha trajetória profissional vai na direção oposta dessa frase. Para mim, Jesus foi o grande defensor da igualdade que já passou pela Terra.
Lembrei-me desse episódio ao receber a notícia da aprovação, pelo Senado, da tal Lei da Misoginia, com o voto unânime dos senadores presentes. E fiquei aqui pensando: será que o Frei Gilson, ou outro padre ou pastor, caso decida citar determinadas passagens da Bíblia, não poderá se tornar uma vítima da nova lei?
A verdade é que a Lei da Misoginia padece do mesmo mal que a Lei Felca, já comentada por este cronista de sete leitores: ambas utilizam uma causa aparentemente nobre (a proteção às mulheres e o combate à pedofilia) para criar instrumentos legais que fatalmente conduzirão à censura e ao cerceamento da liberdade de expressão e deixam incólumes os verdadeiros criminosos.
O cerne do problema reside na interpretação subjetiva da lei, algo que a esquerda adora fazer contra seus inimigos (mesmo que estes tentem se mostrar sensíveis às causas da militância, como no caso dos nossos senadores "de direita").
Voltemos à passagem bíblica mencionada por Frei Gilson. O termo que o nosso amado carequinha resgatou do Gênesis não é um atestado de inferioridade, mas um título de nobreza. No hebraico, a mulher é apresentada como Ezer Kenegdo. Ezer não é a estagiária do Éden, mas o socorro vital, o mesmo termo que os salmistas usam para invocar o próprio Deus nos momentos de desespero.
Sem o seu Ezer, Adão é um rei sem reino, uma inteligência sem destino. Mas a militância socialista não sabe, ou não quer saber, dessa relação de complementaridade e dependência entre a mulher e o homem.
A nova mordaça jurídica, aprovada entre sorrisos e sinalizações de virtude pela esquerda, que é sempre extrema, e pela direita, que muitas vezes é de esquerda, certamente encontraria um alvo predileto no capítulo 5 da Carta aos Efésios. Ali, São Paulo utiliza um termo que faz a militância contemporânea tremer de ódio, mas que, na verdade, é a chave da harmonia cristã: hypotassō.
Quando o Apóstolo exorta: "As mulheres sejam submissas a seus maridos", ele não está pregando a tirania doméstica que a nova lei pretende combater. O verbo grego hypotássō - o mesmo que descreve a atitude do Menino Jesus em Nazaré - significa colocar-se em ordem sob a mesma missão.
Não se trata de uma hierarquia de valor, mas de uma hierarquia de serviço. Para o mundo, "submissão" soa como escravidão; para o cristão, é uma imitação de Cristo. Afinal, como pode ser "misoginia" algo que o próprio Logos divino aceitou? O evangelista Lucas é claríssimo ao dizer que Jesus, a Verdade encarnada, desceu a Nazaré com Maria e José e "lhes era submisso" (hypotassómenos).
Se o próprio Criador se colocou voluntariamente sob a autoridade de uma mulher e de um carpinteiro para que a ordem da Salvação se cumprisse, como o Estado ousa agora carimbar essa mesma disposição de espírito como "ódio" ou "supremacia"? Nazaré nos ensina que a autoridade bíblica é uma chefia de imolação. O marido é o "chefe" porque é o primeiro chamado a morrer pela esposa, como Cristo morreu pela Igreja e pela nossa salvação.
Mas há um personagem que odeia essa fidelidade. Seu nome é diabo. Ele veio para dividir e acusar. Seu objetivo é separar homens e mulheres, pais e filhos, adultos e crianças, pobres e ricos, brancos e negros, trabalhadores e empresários, autoridades públicas e cidadãos comuns - em grupos beligerantes, irreconciliáveis e cada vez mais distantes de Deus.
O inimigo do gênero humano investe na guerra de todos contra todos para depois, sob a forma do Estado-Partido, apresentar-se como o solucionador de todos os conflitos. Essa "crítica radical de todas as coisas" é essencialmente diabólica.
Espero, sinceramente, que a Câmara dos Deputados derrube essa lei nefasta, ou teremos mais um instrumento do regime para a perseguição de brasileiros inocentes.

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