Entre sombras, história e tranquilidade, espaço tradicional contrasta com a correria do comércio e convida à contemplação
Passar pela Praça Agostinho Fróes da Motta, no centro comercial de Feira de Santana, pode parecer apenas mais um deslocamento na rotina apressada da cidade. Mas basta reduzir o ritmo para perceber algo que escapa à maioria. Ali, onde o comércio pulsa
e o fluxo de pessoas é constante, existe um espaço que resiste ao tempo e à pressa.
Olhar atento
A praça se apresenta limpa, arborizada e
acolhedora. Sob a sombra das árvores, pessoas se sentam para almoçar com tranquilidade. Comerciários, trabalhadores e visitantes vindos do interior encontram ali um raro momento de pausa. Não há aglomeração. Há silêncio relativo, descanso e convivência.
Cenário histórico
O conjunto formado pelo coreto, pelo busto de Agostinho Fróes da Motta e pelo casarão ao fundo cria uma paisagem que mistura memória e presença. O coreto, construído em 1919, permanece como símbolo de uma época em que os espaços públicos eram também locais de encontro
cultural. O busto, erguido em 1956, reafirma a importância de uma figura central na história administrativa da cidade.
Memória viva
De acordo com registros do professor Joaquim Gouveia da Gama, a área onde hoje está a praça já foi um grande largo no século 19. Era ponto de chegada de tropeiros e espaço de convivência popular. Ao longo do tempo, recebeu diferentes nomes, como Largo do Fumo e Praça da Imperatriz, até se tornar Praça Agostinho Fróes da Motta em 1922.
Patrimônio preservado
Em frente à praça, o Casarão Fróes da Motta reforça o valor histórico do espaço. Construído em 1902, o imóvel foi restaurado e hoje abriga atividades culturais, sob
responsabilidade da Fundação Senhor dos Passos. A condução do trabalho, liderada por memorialista Carlos Brito, tem sido fundamental para manter viva a memória arquitetônica e cultural da cidade.
Entre pressa e pausa
Apesar de tudo isso, a maior parte das pessoas atravessa a praça sem perceber sua beleza. O olhar está voltado para compromissos, compras e deslocamentos. O espaço
permanece ali, silencioso,
oferecendo sombra, história e equilíbrio. Talvez falte apenas um gesto simples para que ele seja plenamente reconhecido. Olhar.
Everaldo Goes / Feira Hoje
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25/03/26

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