Na Europa, as igrejas históricas são palcos de concertos e festivais de música, semanalmente. Josias Teófilo para a Crusoé:
Arte e religião são duas faces de uma mesma moeda, dizia o cineasta soviético Andrei Tarkóvski.
Mas, no meio artístico, atualmente há muito preconceito contra temas religiosos e contra as pessoas religiosas.
Existem até artistas que não falam abertamente da sua fé para não sofrer represálias, especialmente atores.
Isso é péssimo porque exclui a maior parte da população brasileira - que é religiosa, majoritariamente cristã - de atuar no meio cultural, e de ver nas telas e palcos temas religiosos, tão relevantes na história brasileira.
Ignora-se que as igrejas são naturalmente centros produtores de cultura. Para uma igreja existir e funcionar, é necessário todo um ecossistema cultural, que inclui arquitetos, pintores, escultores, músicos, compositores.
A liturgia católica inclui a música, as artes plásticas, é integrada ao espaço arquitetônico. O calendário litúrgico inclui procissões e o teatro na Semana Santa, no Natal.
Tudo isso está na origem do fenômeno artístico na civilização ocidental. Esse fato deveria ser reconhecido pelo Estado quando fomenta a cultura. Infelizmente, isso não acontece no Brasil.
Na Europa, as igrejas históricas são palcos de concertos e festivais de música, semanalmente.
Infelizmente, no Brasil isso tem sido pouco explorado. O motivo é o preconceito contra os cristãos e uma concepção mal elaborada de Estado laico.
Existem pontos de cultura em terreiros de umbanda e candomblé. Por que não em igrejas católicas e evangélicas?
As igrejas cristãs têm sido fundamentais no ensino de música no Brasil. Mas a participação do Estado é mínima.
Podem perguntar: se funciona sem o Estado, por que inseri-lo? Ora, porque poderia funcionar de modo mais amplo e melhor.
O Estado poderia fazer parcerias com instituições religiosas para o ensino teórico e prático da música. Outras áreas poderiam ser contempladas, como o teatro e até o cinema.
Existe um embrião desse tipo de parceria feito pelas Fábricas de Cultura do governo do Estado de São Paulo, que produzem eventos específicos em parceria com igrejas evangélicas.
Tal parceria ajuda o poder público num sentido: é sempre complicada a logística de trazer os alunos para espaços culturais. Fazer eventos em parceria com igrejas é a garantia de um público coeso.
O mesmo acontece em apresentações culturais em igrejas.
O maestro Rafael Garcia no Festival Virtuosi, e sua esposa, a pianista Ana Lucia Altino, tinham um método interessante de atrair o público para as apresentações da Orquestra Jovem no interior de Pernambuco: eles avisavam logo depois da missa que haveria um concerto em seguida.
O público da missa simplesmente permanecia na igreja e assistia ao concerto.
Milhares de pessoas frequentam uma igreja ao longo da semana. Colocar ali um cartaz de um concerto já garante um bom público espontâneo, sem grandes gastos com divulgação e assessoria de imprensa.
No caso do cinema, existe uma proibição tácita de filmes cristãos nos editais.
Isso é lamentável, uma vez que filmes para o público religioso têm um potencial muito grande, e a grande dificuldade do cinema brasileiro é atrair o público.
A solução para isso é trazer para as comissões de seleção um espectro mais amplo da sociedade, que não sejam apenas as figuras de sempre do audiovisual.
Isso tudo deveria ser pensado para programas de governo, para estados e para o governo federal.
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