John Wayne recebeu a carta de uma professora esquecida da América - e respondeu de um modo que hoje parece impossível.
Março de 1961.
Numa escola rural de uma única sala, perdida no interior de Montana, a professora Margaret propôs um exercício simples aos seus alunos:
- Escrevam uma frase para o vosso ator favorito, John Wayne.
Ela não esperava resposta. Era apenas uma forma de estimular a escrita e a imaginação de doze crianças entre os seis e os catorze anos, filhos de rancheiros, isolados por estradas de terra e invernos longos, numa região que raramente aparecia nos mapas.
Duas semanas depois, um caminhão de entregas parou em frente à escola.
O que trazia mudaria para sempre a forma como aquelas crianças viam o mundo.
A carta chegou ao escritório de John Wayne numa manhã comum. Entre pedidos de autógrafos e correspondência de estúdios, um envelope simples, manuscrito, com carimbo de Montana.
Ele abriu.
Três páginas de papel pautado, letra cuidadosa.
"Caro Sr. Wayne,
Chamo-me Margaret e sou professora numa pequena escola em Montana. Tenho doze alunos, dos seis aos catorze anos. A maioria são filhos de rancheiros. Usamos os seus filmes para estudar história e valores americanos.”
Wayne leu essa frase duas vezes.
Valores americanos?
A carta continuava:
"Não temos projetor. Por isso, lemos os guiões em voz alta. As crianças representam as cenas. Não é o mesmo que vê-lo no ecrã, mas ajuda-as a compreender coragem, honra e o que significa ser americano."
Ele pousou a chávena de café.
No final, havia doze pequenas mensagens escritas pelas crianças:
"Você é o cowboy mais corajoso." - Sarah, sete anos
"Quero ser como você." - Billy, 10
"Você nunca desiste." - Tommy, oito
Doze vozes anónimas, num canto esquecido do país, aprendendo sobre a vida através dos filmes dele.
Wayne ficou em silêncio.
Depois pegou no telefone.
- Quanto custa um projetor de 16 mm?
- Uns 300 dólares, talvez mais com os filmes.
- Arranja o melhor. E cópias dos meus dez melhores westerns.
Escreveu um cheque de 500 dólares. Sem assinatura chamativa. Apenas:
"Escola de Montana - Turma da Margaret."
Depois, escreveu uma carta. Não uma resposta padrão. Uma carta verdadeira.
"Querida Margaret e alunos,
Fico honrado por estudarem os meus filmes.
Coragem não é ausência de medo. É fazer o que é certo apesar dele.
Honra é cumprir a palavra quando ninguém está a observar.
Ser americano é acreditar que todos importam - até crianças numa escola que poucos conhecem.
Envio-vos um projetor e alguns filmes. Não porque pediram, mas porque merecem ver as histórias, não apenas lê-las.
Vocês não são apenas doze crianças de Montana.
São doze americanos.
Com amizade,
Duke."
Ele não contou a ninguém. Não houve notas na imprensa. Nenhuma fotografia. Apenas um gesto.
Seis meses depois, John Wayne estava a filmar "How the West Was Won" ("A Conquisra do Oeste", no Brasil), em Montana. Um dia de chuva interrompeu as gravações. A equipe matava o tempo a jogar cartas.
De repente, Wayne levantou-se.
- Vou dar uma volta.
Pegou no jipe e seguiu por estradas de terra até uma escola isolada.
Quando entrou na sala, doze crianças ficaram imóveis.
O cowboy que até então existia apenas nos guiões… estava ali. De verdade.
Naquele dia, eles não aprenderam apenas sobre westerns.
Aprenderam que ídolos reais não vivem no ecrã. Vivem nas escolhas feitas longe dos holofotes, quando ninguém está a ver.
Fonte: CineClássico (https://www.facebook.com/groups/339261301141973)


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