Por Daniel Freitas
Introdução
Nos últimos anos, o chamado wokismo deixou de ser apenas um alerta contra injustiças pontuais e se tornou uma cosmovisão dominante em universidades, mídias, empresas e até em setores da igreja. Embora frequentemente apresentado como moralmente superior, esse movimento carrega pressupostos que entram em choque direto com a fé cristã histórica.
Este artigo busca definir o wokismo, apresentar exemplos concretos de sua atuação e demonstrar por que ele é incompatível com a Escritura e com a ética do Reino de Cristo.
O que é o wokismo
O termo woke surgiu como um chamado para estar "acordado" ou "consciente" de injustiças sociais, especialmente raciais. Contudo, ao longo do tempo, o wokismo deixou de ser uma postura de sensibilidade moral e passou a constituir uma cosmovisão ideológica completa, com pressupostos próprios sobre verdade, identidade, pecado, redenção e justiça.
Em sua forma atual, o wokismo afirma que:
- A realidade é definida primariamente por relações de poder entre grupos.
- A identidade humana é determinada por marcadores sociais (raça, gênero, orientação sexual, classe).
- A moralidade é fluida e subordinada à experiência subjetiva e à narrativa do grupo.
- A história deve ser reinterpretada a partir da lógica de opressor vs. oprimido.
- Discordância não é erro intelectual, mas falha moral.
Na prática, trata-se de uma religião secular, com dogmas (narrativas intocáveis), pecados (linguagem “errada”), rituais (sinalizações públicas de virtude) e hereges (os que discordam).
Exemplos claros do wokismo em ação
Alguns exemplos ajudam a identificar essa cosmovisão:
- Reinterpretação da verdade pela experiência subjetiva
Afirmações objetivas são rejeitadas se entram em conflito com sentimentos individuais. A pergunta não é "isso é verdadeiro?", mas "isso ofende alguém?". Essa abordagem contradiz a ideia bíblica de verdade revelada e objetiva (cf. João 17:17). - Identidade fragmentada e fluida
O indivíduo passa a se definir primariamente por desejos internos ou categorias sociais, e não por sua criação à imagem de Deus. A Escritura, porém, afirma que o ser humano é criado por Deus, como homem e mulher, com identidade recebida, não construída (cf. Gênesis 1:27). - Justiça sem redenção
O wokismo exige confissão pública, humilhação e cancelamento, mas não oferece perdão verdadeiro nem restauração. A ética bíblica, ao contrário, une justiça e misericórdia, arrependimento e graça (cf. Salmos 85:10). - Inversão moral do pecado
O que Deus chama de pecado é frequentemente celebrado como virtude, enquanto a obediência à Palavra é rotulada como ódio ou opressão (cf. Isaías 5:20).
O choque frontal com a Escritura
O conflito entre o wokismo e o cristianismo não é periférico; é estrutural.
a) Doutrina do pecado
O wokismo localiza o mal principalmente em sistemas externos e grupos específicos. A Bíblia afirma que o problema fundamental está no coração humano, sem exceção:
"Pois todos pecaram e não alcançam o padrão glorioso de Deus."
(Romanos 3:23)
b) Doutrina do homem
Para a Escritura, todos são igualmente criados à imagem de Deus e igualmente responsáveis diante dele (cf. Gênesis 1:26,27). O wokismo substitui essa unidade moral por uma hierarquia de culpa e virtude baseada em identidade coletiva.
c) Doutrina da salvação
No Cristianismo, a salvação vem pela graça mediante a fé em Cristo (cf. Efésios 2:8,9). No wokismo, a "salvação" vem pela adesão ideológica, pelo ativismo contínuo e pela conformidade pública.
d) Autoridade final
O Reino de Cristo se submete à Palavra revelada de Deus. O wokismo se submete ao espírito da época, às pressões culturais e às narrativas dominantes (cf. Romanos 12:2).
A ética do Reino de Cristo
Jesus Cristo não constrói seu Reino sobre ressentimento, mas sobre arrependimento; não sobre identidades fragmentadas, mas sobre nova criação; não sobre coerção moral, mas sobre transformação do coração.
O Evangelho confronta tanto o orgulho do opressor quanto o ódio do oprimido, chamando ambos ao pé da cruz. Nele não há justiça sem verdade, nem amor sem santidade, nem inclusão que negue o senhorio de Cristo.
"Busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça."
(Mateus 6:33)
Essa justiça não é redefinida por movimentos culturais, mas revelada pelo Rei.
Conclusão
O wokismo não é apenas um erro social ou político; é uma cosmovisão rival, incompatível com o cristianismo bíblico. Onde ele redefine pecado, Cristo chama ao arrependimento. Onde ele redefine identidade, Cristo oferece nova vida. Onde ele promete justiça sem graça, o evangelho anuncia justiça satisfeita na cruz.
A igreja não deve se curvar ao wokismo, nem reagir com ódio, mas responder com fidelidade, clareza e coragem, proclamando que somente Cristo é o Senhor da história, da moral e da redenção (cf. Colossenses 1:16-20).
Fonte: https://www.internautascristaos.org/

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