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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Empresa inova com produção de insumo nanofotoprotetor





Durante uma caminhada numa trilha em Santo Amaro (BA), em 2021, as farmacêuticas Táris Maria e Acsa Magalhães, ao observar plantas nativas, identificaram as inúmeras possibilidades de aplicações que aqueles representantes da flora lhes sugeriam. Disseram: "Nossa biodiversidade é muito rica, por que não aproveitamos isso? Quando falamos de extratos de plantas do Brasil, a gente só pensa nos da Amazônia, mas os que são nativos da Caatinga e do Cerrado ainda são pouco explorados". Foi então que veio o estalo criativo e empreendedor: "Vamos montar uma empresa a partir desses elementos daqui!".
Este foi o primeiro passo para a criação da bioindústria Puba (@puba), uma startup sediada em Feira de Santana, que produz insumos (extratos naturais a partir de espécimes da Caatinga e do Cerrado) para indústrias de cosméticos e para o agronegócio. Na trajetória da empresa, o Sebrae teve um papel de impulsionador, como relata a sócia-fundadora e CEO, Táris Maria Macedo de Santana. Ela é farmacêutica formada pela Ufba, em Salvador, e tem mestrado e doutorado em Recursos Genéticos Vegetais, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Com apoio do Sebrae, participou de capacitações e eventos nacionais com foco em inovação e tecnologia.
"Nossa proteção é química e não física, como os concorrentes. É algo muito novo no Brasil. Nenhum concorrente utiliza essa tecnologia. O fotoprotetor, com certeza, vai explodir dentro e fora do Brasil"
Ao se referir aos produtos, Táris explica que, quando aplicados em cosméticos, esses ativos produzem na pele um efeito antioxidante, previnem contra envelhecimento e protegem contra os raios ultravioleta, agindo também como conservantes dos produtos. Mas não bastava inovar com insumos para cosméticos. Nas aplicações do agro, os ativos foram adaptados, virando a chave para dar surgimento à spin off. "Durante um evento, um pessoal da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) nos perguntou se tínhamos algo que aumenta o tempo de prateleira dos produtos. Fomos visitar fazendas no Vale do São Francisco com um técnico da Faeb e então entendemos que o maior problema deles em campo não era ampliar o tempo de preservação do produto, mas sim a insolação", explica.
A especialista explica que, para proteger frutas como manga e melancia, alguns produtores agrícolas aplicam um material que deixa a fruta com aspecto esbranquiçado. É uma espécie de argila, que funciona como um protetor solar. No entanto, o produto, além de recobrir a fruta com uma camada esbranquiçada, deixa marcas, o que é rejeitado para a exportação. "O fruto tem que ser lavado várias vezes e isso encarece o custo. Além disso, para amadurecer, precisa de alguns raios de sol e esse produto bloqueia qualquer tipo de raio solar. Sendo assim, a fruta não atinge a cor ideal nem fica tão doce", adverte.
Como solução, a Puba elaborou o Plantprotek, nanofotoprotetor, que conseguiu esse meio termo. "O nosso produto é transparente. Protege, mas permite a passagem de raios do sol. A tecnologia que desenvolvemos para o agro é a mesma que utilizamos nos insumos de cosméticos. Só adaptamos", explica. Para deixar o nanoprotetor com uma fotoproteção alta e sem rastro (película esbranquiçada), ele é nanotecnológico. "Nossa proteção é química e não física, como os concorrentes. É algo muito novo no Brasil. Nenhum concorrente utiliza essa tecnologia. O fotoprotetor, com certeza, vai explodir dentro e fora do Brasil", garante.
Táris Maria desenvolvia sua pesquisa de doutorado quando conheceu a outra sóciafundadora da startup e CTO da Puba, a então mestranda Acsa Magalhães, ao final da pandemia, em 2021, no laboratório da Uefs. Passado o período de lockdown, elas puderam voltar a frequentar o laboratório da universidade e, como ambas desenvolviam pesquisas na área de espécies nativas da Caatinga, resolveram inicialmente criar insumos para produção de cosméticos.
"Ο primeiro contato que a gente teve com Sebrae foi em 2022, foi quando incubamos no Parque Tecnológico. Surgiram, então, todas as oportunidades que tivemos para crescer nesse mundo de startup e ali ficamos até 2024. Tivemos capacitação empreendedora, mentoria e aceleração via Sebrae. Participamos do Sebraetec e do StartupNE; tivemos a oportunidade de ir a eventos com o Sebrae, tais como o Case, Web Summit, BTX e e-Agro, e ganhamos o Prêmio Desafio Sertão Empreendedor (2022). Temos essa gratidão com o Sebrae, que tem esse papel na nossa vida de ser impulsionador", afirma. Este ano, a dupla concorreu ao Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Ciência e Tecnologia.
Cria da UEFS
A outra sócia-fundadora da Puba é a farmacêutica e CTO Acsa Magalhães. Ela se diz nascida e criada na UEFS, pois fez graduação (Ciências Farmacêuticas), mestrado e doutorado (Biotecnologia) na instituição feirense. Segundo ela, Puba significa "fermentação", em tupiguarani. O nome foi escolhido pelas sócias porque queriam uma palavra relacionada ao produto por elas elaborado. Os insumos desenvolvidos pela startup passam por um processo de fermentação, que é um dos métodos mais antigos para se conservar alimentos.
A cientista revela que foi um grande desafio criar algo novo, sem um modelo a ser seguido. "Tivemos que realizar muitos pré-testes, com muitos erros, até finalizar o produto. Outra dificuldade da dupla, no início, foi mudar a mentalidade científica e acadêmica para um mindset empreendedor. "Antes, pensávamos muito só em bancada de laboratório, até entendermos que o produto tem que ser escalonado", aponta. Acsa recorda que, antes, o linguajar da dupla era muito técnico quando tinham que fazer um pitch. "As pessoas não compreendiam e simplificamos a nossa linguagem. Hoje eu tenho certeza de que o empreendedorismo casa muito bem com a ciência", observa.
Desde novembro de 2024 a Puba começou a faturar. A bioindústria vende consultoria para grandes empresas e comercializa extratos pelo site www.puba.com.br. O nanofotoprotetor Plantprotek ainda não está à venda, porque se encontra na fase de testes de campo, mas, a partir do início de 2026, o produto deve começar a ser comercializado. A expectativa é de que seja responsável pelo maior retorno financeiro da empresa.
A equipe é custeada graças ao edital Rhae (Programa de Formação de Recursos Humanos em Areas Estratégicas), vencido em 2024, para o pagamento de bolsas, e é composta pelas duas sócias, um químico, um profissional financeiro, um responsável pela comunicação (redes sociais), uma conselheira, umа consultora, dois agrônomos e um estagiário de Agronomia. As plantas nativas são adquiridas em associações, na agricultura familiar e na fazenda de propriedade da Puba, localizada no distrito de Caldas do Jorro, no município de Tucano, cujas águas termais são utilizadas na elaboração dos extratos.
"Nosso foco maior é trabalhar com a biodiversidade brasileira, que é a maior do planeta. No Brasil, as indústrias importam muitos insumos, deixando de lado a nossa biodiversidade, especialmente a existente na Caatinga e no Cerrado, onde estão espécies riquíssimas, pois sofrem muito estresse hídrico e estão muito expostas ao sol. Para se defender, essas plantas criam esses ativos, que têm ação fotoprotetora, antimicrobiana, antioxidante, dentre outras", ensina Acsa Magalhães.
A primeira patente da Puba foi a de fermentação, que transforma moléculas grandes em menores, aumentam a atividade, com maior penetração na pele e nos cabelos. No agro, a empresa obteve a patente de dotes com resíduo agroindustrial (que transforma moléculas grandes em nanopartículas) e detém, ainda, a patente do extrato supramolecular (alta atividade antimicrobiana), que é um conservante natural, antioxidante e fotoprotetor.
Portfólio Sebrae
A trajetória da Puba tem sido intensa, de muito trabalho e com muita dedicação da equipe. Toda essa jornada está diretamente ligada às ações e ao portfólio do Sebrae. A afirmação é do coordenador de Inovação e Tecnologia do Sebrae Bahia, Tauan Reis. Segundo ele, a empresa já participou do Cataliza ICT - iniciativa do Sebrae Nacional voltada para a transformação do conhecimento científico em soluções de alto impacto - e, em nível estadual, com o Sebrae Bahia, recebeu pré-aceleração, aceleração, incubação, esteve em missões técnicas e exposições. De início, era atendida pelo Sebrae em Feira de Santana e, na sequência, migrou para a regional Salvador, em função da incubação no Parque Tecnológico.
Em 2021, a startup foi incubada no Parque Tecnológico, em Salvador, espaço do Governo do Estado da Bahia apoiado pelo Sebrae. Desde então, já participou do Desafio Sertão Empreendedor (2022), Startup Nordeste (2022), Semear (2023), Catalisa ICT (2024) е, atualmente, está incluída no Inova Cerrado programa nacional, ligado ao Inova Bioma, do Sebrae Nacional, em parceria com o Sebrae Bahia. "Além do Sebraetec, a Puba já consumiu boa parte do nosso portfólio, com consultorias e instrutorias, participou de missões técnicas para o Startup Summit e WebSummit, expôs no nosso Bahia Tech Experience (2023), na E-Agro (2023) e foi naquele momento que ela pivotou e começou a trabalhar forte dentro da cadeia do agro", destaca Tauan Reis.
Ele lembra que a empresa inovadora ainda era um projeto de conclusão de curso de uma universidade quando a equipe do Sebrae passou a apoiá-la "e estamos juntos até hoje", frisa o gestor. Segundo ele, a Puba atualmente participa de processos de internacionalização e acaba de vencer o edital do Sebrae Nacional para Singapura - apenas oito startups do Brasil foram classificadas.
O gestor acredita que o futuro da Puba está destinado ao sucesso. "Nossa expectativa é a melhor possivel. É preciso ter foco, resiliência, estar atento à jornada e à evolução, testando, mudando, ajustando, repetindo, para se chegar de fato a um produto viável e aderente ao mercado. Acredito que, em muito pouco tempo, elas, que já estão colhendo frutos, irão colher ainda mais", completa. Em sua opinião, o produto e as sócias têm capacidade e perfil para expandir o negócio para o mercado internacional.

Enviado por Juliana Vital

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