domingo, 16 de setembro de 2012
"Valério acusa Lula
De concreto, em termos do julgamento, nem essas
revelações nem as acusações anteriores de advogados dos réus têm o condão de
incluir o ex-presidente no rol dos acusados nesta Ação Penal 470. Mas os
estragos políticos são devastadores, e nada impede que uma denúncia seja feita
contra Lula mais adiante.
No próprio julgamento, o advogado Luiz Francisco
Barbosa, que defende Roberto Jefferson, acusou o ex-presidente Lula de ser o
verdadeiro mandante dos crimes. Ele se baseou na tese do “domínio do fato”, que
levou o procurador-geral a acusar o ex-ministro José Dirceu como o “chefe da
quadrilha”.
"Não só sabia como ordenou o desencadeamento de
tudo isso. Aqueles ministros eram apenas executivos dele",garantiu o
advogado, referindo-se a José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto.
Pelo menos um deles, José Dirceu, disse certa vez
que não fazia nada sem o conhecimento de Lula. Para provar sua tese, Barbosa
fez um relato muito semelhante ao do procurador-geral. E acusou Roberto Gurgel
de prevaricação por ter "sentado em cima" de um pedido formal para
incluir Lula entre os réus do mensalão.
Anteriormente, em setembro de 2011, o advogado
Marcelo Leonardo afirmou, nas alegações finais apresentadas ao STF na defesa de
Valério, que faltava alguém no banco dos réus.
Usando o mesmo raciocínio que a "Veja"
atribui a Marcos Valério, segundo quem "apenas os mequetrefes" estão
sendo condenados, escreveu o advogado na ocasião: "É um raríssimo caso de
versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a
pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em
segundo plano. (...) Alguns, inclusive, de fora da imputação, embora
mencionados na narrativa, como o próprio presidente Lula".
Relatos anteriores davam conta que Marcos Valério,
deprimido, enviara mensagens para seus interlocutores no PT, principalmente a
Paulo Okamoto, ex-tesoureiro do PT e amigo íntimo de Lula, ameaçando revelar
detalhes do envolvimento do ex-presidente no mensalão.
Okamoto admitiu recentemente ter conversado com
Valério, mas ao contrário de acalmar o publicitário mineiro, as conversas
tinham um motivo mais trivial do que chantagens, embora inverossímil: "Ele
queria me encontrar porque às vezes queria saber como está a política, preocupado
com essas coisas".
Lembrando que o próprio procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, acusou o esquema de ter sido tramado de dentro do
Palácio do Planalto, o advogado de Jefferson disse que seria uma ofensa a Lula
afirmar que ele não sabia de nada.
"Claro que sua excelência (Gurgel) não pode
afirmar que o presidente da República fosse um pateta, um deficiente, que sob
suas barbas estivessem acontecendo tenebrosas transações e ele não soubesse
nada", concluiu Luiz Francisco Barbosa.
Nas vezes anteriores em que deixou vazar ameaças
contra seus parceiros petistas, Valério recuou. Diante da situação concreta de
se ver na cadeia, é possível que tenha perdido a esperança de ser salvo, apesar
das promessas que diz ter recebido. Os petistas garantiram a ele que adiariam o
julgamento o quanto pudessem e que as penas seriam brandas. A realidade tem
sido bastante diferente.
Ministros do Supremo deixaram escapar que, pela tese
do "domínio do fato", se a cadeia de comando não terminasse no
ex-ministro José Dirceu, teria que subir um patamar e atingir Lula.
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