Por Reinaldo
Azevedo
Meu blog está
hospedado no site da VEJA.com, como sabem. E acredito que nós devemos
incentivar os petralhas a gritar, com aquela energia muito característica, que
emula com os zurros: "Cadê o áudio? Cadê o áudio?". Será que eles sabem de algo
que não sei? Será que sabem tudo o que já vazou do que eles chamam "supostas"
fitas e, sobretudo, o que não vazou? Essa dúvida me atormenta! Por que estão
quietinhos desta vez?
Vocês não ignoram:
petralha é gente bem informada, com os quatro membros sempre plantados no chão.
Acho que devemos incentivá-los a gritar: "Cadê a fita?". Desta vez, eles estão
quase mudos, tão discretos, tão ensimesmados! Eu gosto é de seu lado buliçoso,
bucéfalo. Eu aprecio é aquela ignorância arrogante e foliona, aquela burrice
desafiadora, de crina sempre eriçada. Admiro aquela estupidez cheia de si,
ancha (uso palavras antigas e ainda estou longe dos 70 - sei que parte da
imprensa se nega a ter mais de 12 anos…), jactanciosa, especiosa, presumida,
empavesada.
Mas eu entendo o
silêncio dos que não são tão inocentes assim… Não sabem o que pode vir por aí,
né? Estão suputando (hoje eu não estou bolinho; hoje eu não estou prafrentex…)
as possibilidades. Estão numa dúvida quase existencial: "Será que a gente cobra
que a VEJA divulgue as fitas ou será que a gente enfia a rabeca no saco?".
Pois é…
A verdade
insofismável, que não se presta a nenhuma digressão redentora ou salvadora, é
uma só: a canalha que está sendo julgada no processo do mensalão tentou dar um
golpe na República. O Ministério Público conseguiu identificar operações que,
tudo somado, passam pouco de R$ 130 milhões. É claro que a paucidade (os
dicionários mais conhecidos no Brasil só registram "pouquidade"…) contrasta com
o vulto da ambição da canalha. Valério confessa: só o que ele conhece soma R$
350 milhões. E notem que seu esquema não lidava com empreiteiras, por exemplo…
Imaginem quantos estão suando um tantinho frio a esta altura, né?, fazendo
caramunha… Vai que alguém decida se apropinquar pra valer desse negócio… Eu
estou estranho: depois que a Folha decidiu que "prafentex" é uma palavra anciã,
vocábulos em desuso começaram a me assaltar.
O que a reportagem
da VEJA traz nesta semana - peçam a fita, petralhas! - é mais um capítulo da
história do verdadeiro golpe que aquela gente encetou. Não conseguiu concluir a
sua obra porque, em razão do jornalismo diligente, o esquema acabou
desmoronando. O fato é que Lula tentou o chavismo por outros meios. Se o
Beiçola de Caracas não entende outra linguagem que não a da intimidação e da
violência de caráter militar e paramilitar, os nossos autoritários, na sua
condição de fatalistas cínicos, estavam - e estão - convencidos de que todos
têm um preço. Os petralhas tentaram comprar o que Chávez conseguiu roubando.
Aquele é um ladrão de instituições; os petralhas são mercadores da ordem legal.
Achavam e acham que ela pode ser comprada e vendida.
Eles, sim, eram e
são golpistas convictos. Afinal, isso tudo a que se chamou "mensalão" era nada
menos do que uma estratégia de conquista do estado e de dominação do processo
político. No gozo pleno de sua efetivação, o golpe tornaria irrelevantes as
eleições. Elas seriam apenas a mímica da democracia a dar aparência aceitável a
uma ditadura do suposto consenso, forjado com o dinheiro público. No comando,
diz Valério a seus interlocutores (peçam a fita, petralhas!), estava ninguém
menos do que Luiz Inácio Apedeuta da Silva. José Dirceu era seu Leporello. Como
tal, tinha ciência e domínio de todas as artimanhas do Dom Giovanni de São
Bernardo, ávido para papar as instituições.
Alguns dos
golpistas já foram condenados e têm reservado seu lugar na cadeia. Na segunda, o Supremo começa a julgar os outros.
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"

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