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sábado, 15 de junho de 2013

"A vaia de espantar Nelson Rodrigues mostrou a Dilma a cara do Brasil real"



Assista:





Por Augusto Nunes
"Para Dilma Rousseff, mal começou a descoberta do Brasil real: foi só a primeira vaia", avisou em 30 de abril a última frase do post sobre a punição sonora sofrida pela presidente em Campo Grande. Se tivesse ouvido a advertência, ela nem passaria perto de campos de futebol. Como só ouve marqueteiros e áulicos, que tentam promover a rainha uma supergerente de araque, apareceu no estádio Mané Garrincha, em Brasília, pronta para oferecer aos súditos uma chance de ovacioná-la. Deu no que deu.
Dilma desconfiou que deveria ter ficado em casa quando a multidão soube que estava por lá: a vaia começou. Intensificou-se quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mencionou seu nome. E se tornou espessa, unânime, feroz quando o supercartola resolveu perguntar aos quase 70 mil torcedores onde estavam "o respeito e o fairplay". Má ideia.
Também ele alvejado pela manifestação de descontentamento, Blatter só conseguiu elevar em incontáveis decibéis o som da hostilidade. Submetida  a uma vaia de espantar Nelson Rodrigues, Dilma achou melhor cancelar a leitura do discurso escrito por algum comparsa menos impiedoso com o idioma. E sempre sob apupos devastadores e ininterruptos, que ampliaram notavelmente a teia de vincos escavados na carranca, limitou-se a declarar aberta a Copa das Confederações. 
Se a primeira vaia ninguém esquece, a segunda pode ser especialmente dolorosa. Em coro, dezenas de milhares de brasileiros mostraram a cara do país real, destruíram monumentos ao embuste esculpidos por pesquisas encomendadas, ressuscitaram a verdade assassinada e comunicaram a Dilma que a insônia crônica chegou.
Ela vai atravessar a madrugada deste domingo (e muitas outras) remoendo as lembranças do péssimo sábado. E tratará de pulverizar os demais compromissos que assumiu como presidente do País do Futebol. Falar coisas ininteligíveis para plateias amestradas não provoca efeitos colaterais nem tem contra-indicações. Sabujos só sabem bater palmas.
A Seleção ganhou do Japão, a torcida perdeu de vez a companhia da Primeira Torcedora. (E de Lula, claro: ainda traumatizado pela vaia do Maracanã no Pan-2007, ele acaba de ver pela TV o que o espera se estacionar num estádio o palanque ambulante). Para o Brasil, foi um bom começo.
É cedo para saber se o time de Felipão vencerá a Copa das Confederações. Mas os farsantes no poder amargaram uma derrota desmoralizante, definitiva, irreversível.
Fonte: "Direto ao Ponto"

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