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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

"Muçulmanos marcham em Londres exigindo um califado"

Cerca de mil muçulmanos marcharam pelas ruas de Londres gritando "Allahu Akbar" pela segunda vez em uma semana. Eles fizeram uma série de protestos para exigir um califado islâmico. Ficaram concentrados em frente à embaixada da Síria, onde criticaram a participação do Reino Unidos na guerra.
Dias depois, em nova manifestação pública, cerca de 400 muçulmanos britânicos viajaram para a capital, vindo de cidades do interior como Birmingham e Bradford. Os líderes que comandavam a marcha voltaram a criticar os Estados Unidos, culpando o país pela situação na Síria. Entre orações e cânticos, a multidão defendia o restabelecimento de um califado no Oriente Médio.
Havia uma enorme bandeira laranja que dizia "exércitos muçulmanos" e pedia a nomeação de um novo "khalifah rashidah" ​​- título dos quatro primeiros califas que sucederam Maomé. Outros empunhavam bandeiras pretas adornadas com escrita árabe, semelhantes às usadas pelo Estado Islâmico, e uma da Al Qaeda.
Um cartaz dizia: "Os exércitos muçulmanos marcham para a frente. Não tenha medo, a vitória está próxima". Outro protestava: "Dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças muçulmanos estão à mercê do regime sírio sedento de sangue e seus aliados".
A segunda marcha foi organizada pela organização Hizb ut-Tahrir, que fez a convocação através da Internet apenas um dia antes. Também conhecido pelas iniciais HT, eles pregam um  conflito ideológico direto com o Ocidente. Seus idealizadores acusam a Grã-Bretanha de liderar uma "campanha" contra os muçulmanos em todo o mundo.
Oficialmente, o grupo afirmava que o protesto era para demonstrar apoio a Aleppo. Palavras de ordem incluíam "EUA, você pagará!". Nos últimos três meses os jihadistas do Estado Islâmico sofreram grandes derrotas na Síria e no Iraque, tendo em Aleppo um de seus últimos redutos.
Os muçulmanos do Reino Unido fizeram um apelo aos demais seguidores do Islã na Europa: "Irmãos e irmãs, juntem-se a nós para levantarem a voz da verdade. Levantem sua voz pelos seus irmãos e irmãs na Síria".
Segundo o jornal "Express UK" o HT defende que os muçulmanos ocidentais lutem por uma "revolução islâmica" em seus países. "Os valores liberais - secularismo, direitos humanos e pluralismo - são rejeitados por não serem islâmicos e diferem da doutrina islamista", alega o material de divulgação do HT.
A polícia acompanhou a marcha a distância. Em determinados momentos, tentaram controlar os mais exaltados. Ninguém foi preso.
Enclaves islâmicos
Em nome da tolerância e do multiculturalismo, as autoridades britânicas não se manifestaram oficialmente sobre o ocorrido. As manifestações no centro de Londres ocorrem duas semanas após o "Daily Mail" revelar o crescimento de enclaves islâmicos no Reino Unido, berço do movimento missionário cristão moderno.
Em algumas partes da ilha, comunidades de muçulmanos vivem isolados do restante da sociedade. Raramente saem de seus bairros e possuem seus próprios conjuntos habitacionais, escolas e canais de televisão. Há, inclusive, "patrulhas da virtude", comuns em países do Oriente Médio. Elas obrigam as mulheres a cobrirem a cabeça e censuram qualquer tipo de manifestações que não siga a sharia, lei religiosa baseada no Alcorão.
Esses islâmicos acreditam, por exemplo, que a maioria dos britânicos compartilhar de sua fé, pois a Grã-Bretanha é um país muçulmano onde 75% da população segue o Islã.
O levantamento indica que esses enclaves muçulmanos estão concentrados em áreas ao norte, como Bradford, Dewsbury e Blackburn. Oficialmente, o governo estuda maneiras de aumentar a "integração" dessas pessoas com o restante do país.
Dados do último Censo, de 2011, indicavam que o número de muçulmanos no Reino Unido era menos de cinco por cento, enquanto os cristãos seriam quase 60%. Porém, as taxas de natalidade e afluxo de imigrantes, indicam que até 2050 o cristianismo será uma religião minoritária não só na Grã-Bretanha, mas também na França.

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