Por
Augusto Nunes
Disfarçado de Assessoria de Comunicação Social do Ministério da
Defesa, o polivalente Celso Amorim divulgou nesta tarde (terça-feira, 16) os seguintes - aspas
obrigatórias - "esclarecimentos".
A propósito de informações veiculadas na edição de hoje (16/07) do
jornal Valor Econômico, na matéria intitulada “Bolívia revistou avião de Amorim
em busca de opositor”, o Ministério da Defesa esclarece o seguinte:
1. Não procede a informação de que o avião da FAB utilizado nesta
viagem oficial, no dia 3 de outubro de 2012, foi vistoriado por autoridades
bolivianas no aeroporto de Santa Cruz de La Sierra;
2. Houve, no segundo semestre de 2011, ações por parte de autoridades
bolivianas que configuraram violações de imunidade de aeronaves da FAB, uma
delas envolvendo o avião que levou o ministro da Defesa em viagem oficial a La
Paz no final de outubro de 2011;
3. O ministro da Defesa brasileiro nunca autorizou tal vistoria;
4. Os episódios ocorridos em 2011 foram objeto de nota de
reclamação encaminhada pela embaixada do Brasil em La Paz à chancelaria
boliviana;
5. No documento, a embaixada informou que a repetição de tais
procedimentos abusivos levaria à aplicação, pelo Brasil, do princípio da
reciprocidade;
6. Desde o envio da nota, a FAB não registrou novos episódios de
vistorias em suas aeronaves por autoridades bolivianas.
Tradução: Amorim jura que não foi agora que o governo de Evo
Morales ordenou à polícia que desse uma geral no avião que o transportava. A
humilhação ocorreu em 2011, garante. Num rasgo de bravura, o Pintassilgo do
Planalto deixou claro que não foi ele quem determinou a revista (nem a entrada
de cães farejadores estrangeiros no jato da FAB). De volta ao lar, o ministro
que comanda as Forças Armadas pediu que o embaixador em La Paz comunicasse ao
presidente Morales que ficara muito triste com a vistoria.
(Lula vivia dizendo que seus ministros jamais tirariam os
sapatos na alfândega americana. Esqueceu de recomendar-lhes que não ficassem de
quatro em aeroportos de países vizinhos).
A notícia confirmada pelo
jornal Valor (e detalhada pelo próprio Amorim)
acrescentou mais um andor vergonhoso à procissão de afrontas iniciada em maio
de 2006, quando os bolivarianos do leste expropriaram os ativos da Petrobras e
sugeriram ao Planalto que se queixasse ao bispo.
De lá para cá, entre outros abusos, o companheiro Morales elevou
unilateralmente o preço do gás fixado no contrato com o Brasil, trancafiou numa
cela 12 torcedores corintianos, soltou sete depois de 100 dias, mantém cinco
presos sem acusação formal, ignora sistematicamente as cláusulas dos acordos
para a proteção das fronteiras, vive amedrontando investidores brasileiros e se
recusa a permitir que o senador oposicionista Roger Pinto Molina, asilado há
mais de um ano na embaixada em La Paz, embarque rumo a Brasília.
Desde a chegada de Evo Morales ao poder, o Brasil é tratado como
um grandalhão medroso que se ajoelha ao som do primeiro grito. "Devemos ser
generosos com a Bolívia, é um país muito sofrido", recitava Lula a cada
insulto. Dilma prefere ser humilhada em silêncio. Com Antonio Patriota no
comando do Itamaraty, o Planalto decidiu que é melhor apanhar sem contar a
ninguém. A cada pancada desferida pelo Lhama-de-Franja, o governo
lulopetista revida com mais um gesto de carinho e o sorriso inconfundível dos
palermas.
Fonte: "Direto ao Ponto"

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