Por André Setaro
Numa lista de meus favoritos brasileiros feita há alguns anos, que
constava de dez títulos, fora o hors concurs para “Limite”, de Mário Peixoto, oito
filmes eram dos anos 60, período de maior criatividade do cinema brasileiro.
Aprecio o bom humor das chanchadas, o registro de uma época, um
humor ingênuo, mas revelador, os números musicais (alguns fantásticos e que
desapareceram pela perda de um estilo de representação).
Mas, é bom que se diga, o cinema brasileiro contemporâneo está
anêmico demais, aliás, poder-se-ia dizer, como nunca esteve em momento algum de
nossa história.
Fui ver, por acaso, “Minha Mãe É uma Peça” e
não consegui, esta a verdade, rir em nenhum momento. O público está adorando,
mas talvez seja uma idiossincrasia de minha parte. Apesar do talento de Paulo
Gustavo como comediante, e de outros do elenco (Herson Capri, Ingrid Guimarães,
Mariana Xavier), a estrutura audiovisual da película, na qual devem ser
articulados os elementos da linguagem cinematográfica, é cheia de defeitos de
ritmo, timing etc.
O mais grave, entretanto, é a sucessão de piadas sem que haja um
intervalo entre elas para se respirar. Parece que o responsável pela
direção, André Pellenz, não tem consciência que, para se obter o riso, é
necessária a frustração de uma expectativa. E não há momento para se encaixar
uma expectativa em “Minha Mãe É uma Peça”.
Enquanto o cinema argentino dá lições de como se fazer bons filmes,
o brasileiro continua a naufragar na neochanchada e, em muitas delas, a
impressão que se tem é de se estar a ver programas televisivos em tela grande.
A linguagem é de televisão e não cinematográfica. Não vi a peça na qual se
baseou o filme. No palco talvez seja engraçada. Mas no cinema é muito sem
graça. Tenho dito.
Fonte: "Setaro's Blog"


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