Exposição apresenta obras
resultantes de projeto de cultura digital
Nesta sexta-feira,19, às 19 horas,
será aberta no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) a exposição "Sensorium: Do Mar Para o Rio. Arte, Ciência
e Tecnologia", que reúne as obras resultantes do projeto de cultura
digital de mesmo nome, que interagiu com o meio ambiente e pessoas de Salvador
e Cachoeira a partir da criação de um dispositivo artístico-sensorial.
Com curadoria de Karla Brunet e
Danillo Barata, a mostra é um relato de viagem, das intervenções feitas, do
trajeto percorrido do mar para o rio entre a capital e a cidade do Recôncavo da
Bahia, em busca de comunicar as sensações vividas durante o trabalho. A
visitação, gratuita, seguirá de 20 a 28 de julho.
"Queremos lograr a compreensão
dos conteúdos e reflexão sobre cuidado com o meio ambiente, a sensibilidade dos
visitantes, fazê-los sentir-se parte, construir uma ponte entre a cidade, o
mar, o rio e cada uma das pessoas que visitem a exposição. Vamos exibir os
espaços emotivos, saudades e amor pelos lugares", afirmam os curadores. "A
mensagem para o visitante é que todos nós moramos em uma terra viva, que tem
fluxo, um sistema orgânico de desenvolvimento da vida. Tecnologia, arte e meio
ambiente podem ter com certeza relação", completam.
O projeto "Sensorium: Do Mar Para o Rio" reuniu
artistas-programadores que subverteram práticas de engenharia e, de modo
artesanal, experimentaram maneiras de concretizar um aparelho para medir dados
relativos à qualidade da água e do ar. Os envolvidos nessa etapa, com larga
experiência no desenvolvimento de dispositivos DIY (Do It Yourself, o emblemático preceito empreendedor do 'faça
você mesmo' nascido com o movimento punk da década de 70), priorizaram o uso de
tecnologias (software e hardware) livres e a facilidade operacional. A
concepção teve como fundamento a capacidade de amplo acesso do público, com a
intenção de que pessoas não ligadas à pesquisa científica pudessem experimentar
o dispositivo produzido e compreender os conteúdos por ele gerados, ao vivo e
pela internet: todas as descobertas foram e continuam sendo compartilhadas no site
www.ecoarte.info. Além
disso, o aparelho não é apenas técnico, mas também feito com esmero estético,
sem que pareça um artefato científico, e sim algo que preza pela apresentação
visual, pela mobilidade e pela possibilidade de recriação por outros
interessados.
Finalizada a tarefa de criação do
dispositivo, ele foi posto em prática em fevereiro passado. E não apenas
colocado para que alguém de longe pudesse consultar os números que ele
indicaria: além de medir, sentir e interpretar o meio ambiente, com sensores
apresentando dados captados e visualizados em tempo real, a inserção foi
acompanhada por uma série de ações, oficinas e performances artísticas de
interação com o espaço público e a comunidade nas cidades de Salvador e
Cachoeira, incluindo o trajeto fluvial entre elas. Depois, foi realizada a fase
de tradução dos resultados obtidos. Durante três meses, o trabalho de
visualização e interpretação de dados foi norteado pela busca de formas artísticas
e populares de disponibilizar os seus saldos ao grande público, contando com a
colaboração de Santiago Ortiz, um dos maiores programadores de visualização de
dados do mundo.
Agora, o que os números
disseram e registros de todo o processo, bem como os dispositivos expostos à
curiosidade de visitantes, estão nesta exposição. Obras interativas de
visualização de dados, simulação em 3D da viagem de barco, fotos,
video-instalação, mapas, cartazes infográficos dos dados dos sensores de gases,
temperatura da água, luminosidade, ruído, umidade e temperatura: tudo poderá
ser visto e apreendido numa experiência estética e de conhecimento.
Coordenado por Karla Brunet, "Sensorium: Do Mar Para o Rio" foi
contemplado pelo edital Culturas
Digitais 2012, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia,
através de sua Assessoria Especial em Culturas Digitais e Juventude. O projeto
é realizado no Grupo Ecoarte, do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências
Professor Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que,
desde 2009, trabalha com arte e tecnologia, tendo o mar como objeto de estudo e
a cartografia como inquietação artística. Agora com "Sensorium", o mapeamento, o meio ambiente e a água permanecem,
desta vez chegando às águas doces do rio.
(Com informações
de Paula Berbert, da Marca Texto)


Nenhum comentário:
Postar um comentário