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quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Sensorium: Do Mar Para o Rio. Arte, Ciência e Tecnologia"



Exposição apresenta obras resultantes de projeto de cultura digital


Nesta sexta-feira,19, às 19 horas, será aberta no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) a exposição "Sensorium: Do Mar Para o Rio. Arte, Ciência e Tecnologia", que reúne as obras resultantes do projeto de cultura digital de mesmo nome, que interagiu com o meio ambiente e pessoas de Salvador e Cachoeira a partir da criação de um dispositivo artístico-sensorial.
Com curadoria de Karla Brunet e Danillo Barata, a mostra é um relato de viagem, das intervenções feitas, do trajeto percorrido do mar para o rio entre a capital e a cidade do Recôncavo da Bahia, em busca de comunicar as sensações vividas durante o trabalho. A visitação, gratuita, seguirá de 20 a 28 de julho.
"Queremos lograr a compreensão dos conteúdos e reflexão sobre cuidado com o meio ambiente, a sensibilidade dos visitantes, fazê-los sentir-se parte, construir uma ponte entre a cidade, o mar, o rio e cada uma das pessoas que visitem a exposição. Vamos exibir os espaços emotivos, saudades e amor pelos lugares", afirmam os curadores. "A mensagem para o visitante é que todos nós moramos em uma terra viva, que tem fluxo, um sistema orgânico de desenvolvimento da vida. Tecnologia, arte e meio ambiente podem ter com certeza relação", completam.
O projeto "Sensorium: Do Mar Para o Rio" reuniu artistas-programadores que subverteram práticas de engenharia e, de modo artesanal, experimentaram maneiras de concretizar um aparelho para medir dados relativos à qualidade da água e do ar. Os envolvidos nessa etapa, com larga experiência no desenvolvimento de dispositivos DIY (Do It Yourself, o emblemático preceito empreendedor do 'faça você mesmo' nascido com o movimento punk da década de 70), priorizaram o uso de tecnologias (software e hardware) livres e a facilidade operacional. A concepção teve como fundamento a capacidade de amplo acesso do público, com a intenção de que pessoas não ligadas à pesquisa científica pudessem experimentar o dispositivo produzido e compreender os conteúdos por ele gerados, ao vivo e pela internet: todas as descobertas foram e continuam sendo compartilhadas no site www.ecoarte.info. Além disso, o aparelho não é apenas técnico, mas também feito com esmero estético, sem que pareça um artefato científico, e sim algo que preza pela apresentação visual, pela mobilidade e pela possibilidade de recriação por outros interessados.
Finalizada a tarefa de criação do dispositivo, ele foi posto em prática em fevereiro passado. E não apenas colocado para que alguém de longe pudesse consultar os números que ele indicaria: além de medir, sentir e interpretar o meio ambiente, com sensores apresentando dados captados e visualizados em tempo real, a inserção foi acompanhada por uma série de ações, oficinas e performances artísticas de interação com o espaço público e a comunidade nas cidades de Salvador e Cachoeira, incluindo o trajeto fluvial entre elas. Depois, foi realizada a fase de tradução dos resultados obtidos. Durante três meses, o trabalho de visualização e interpretação de dados foi norteado pela busca de formas artísticas e populares de disponibilizar os seus saldos ao grande público, contando com a colaboração de Santiago Ortiz, um dos maiores programadores de visualização de dados do mundo.
 Agora, o que os números disseram e registros de todo o processo, bem como os dispositivos expostos à curiosidade de visitantes, estão nesta exposição. Obras interativas de visualização de dados, simulação em 3D da viagem de barco, fotos, video-instalação, mapas, cartazes infográficos dos dados dos sensores de gases, temperatura da água, luminosidade, ruído, umidade e temperatura: tudo poderá ser visto e apreendido numa experiência estética e de conhecimento.
 Coordenado por Karla Brunet, "Sensorium: Do Mar Para o Rio" foi contemplado pelo edital Culturas Digitais 2012, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através de sua Assessoria Especial em Culturas Digitais e Juventude. O projeto é realizado no Grupo Ecoarte, do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que, desde 2009, trabalha com arte e tecnologia, tendo o mar como objeto de estudo e a cartografia como inquietação artística. Agora com "Sensorium", o mapeamento, o meio ambiente e a água permanecem, desta vez chegando às águas doces do rio.
(Com informações de Paula Berbert, da Marca Texto)

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