Temendo que o "Dia
Nacional de Lutas" - protestos em todo o País marcados para esta
quinta-feira, 11, organizados por centrais sindicais e organizações de classe -, se transformasse em um grande ato contra a presidente Dilma Rousseff, a CUT,
que é ligada ao PT, convocou uma reunião de emergência na quarta-feira, 10, para pressionar a
Força Sindical a poupar o governo federal. Em troca, propôs que a defesa do
plebiscito para a reforma política, uma bandeira do PT e do governo, também
ficasse fora do palanque unificado, que vai reunir dirigentes das centrais na avenida Paulista hoje.
O acordo foi fechado e
chancelado por todas as centrais. Sem ele, a manifestação corria sério risco de
se transformar em um cabo de guerra entre sindicalistas. O governo temia
críticas ácidas a Dilma. "No carro de som, onde estarão os presidentes das
centrais, e nas faixas conjuntas não entrarão o 'Fora, Dilma', o ‘Fica, Dilma’
ou a reforma política. O centro da pauta é a questão trabalhista. Mas os
militantes cutistas levarão cartazes em defesa da reforma política, da taxação
das grandes fortunas e da reforma tributária", resumiu Vagner Freitas,
presidente da CUT.
Para preservar a presidente
Dilma, a CUT vai focar as críticas no Congresso. A UNE, que é dirigida pelo
governista PCdoB, também levantará bandeiras governistas e poupará a
presidente. "Não é a CUT que está levando a pauta da Dilma, é a Dilma que
está levando a pauta da CUT", diz Vagner Freitas.
"Não existe
manifestação contra o governo. Ela é a favor dos trabalhadores", enfatizou
Arthur Henrique, ex-presidente da CUT.
Apesar do acordo, o
presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que os militantes
da entidade protestarão contra a presidente nas ruas. "Nossas palavras
serão duras contra o governo Dilma, por falta de atendimento às questões
trabalhistas que até hoje ela não atendeu e não quis saber delas." Ainda
segundo o dirigente, o foco da central também será a inflação e a política econômica,
calcanhar de Aquiles do governo.
No começo da semana,
Paulinho disse que a Força levantaria a bandeira "Fora, Dilma" se a
presidente tentasse "enxertar" o tema do plebiscito pela reforma
política durante as manifestações de hoje.
Questionado pelo Estado se
a Força se posicionaria sobre o plebiscito nos atos de hoje, Paulinho
interrompeu: "Nem fala em plebiscito para a gente. É assunto
enterrado".
Visão petista. A Executiva
Nacional do PT aprovou, na última quinta, resolução na qual convoca seus militantes
a assumirem "decididamente" a defesa da reforma política e de
reivindicações trabalhistas nos protestos hoje. A ideia é fazer ali a
propaganda do plebiscito.
Presidente da União Geral
dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah afirma que não vai levantar a bandeira
"Fora, Dilma", defendida pela Força Sindical, nem se alinhar com a
defesa do plebiscito, apoiada pelo PT e a Central Única dos Trabalhadores. Mas
pondera: "A UGT vai levantar a bandeira ‘Se Liga, Dilma’, para que ela nos
escute e atenda às reivindicações".
A decisão levou a uma
mudança na estratégia da UGT ontem. Originalmente, estava previsto que a
central iniciaria suas manifestações na Rua 25 de Março e de lá seguiria para a avenida Paulista. Ficou decidido que as manifestações da UGT serão encerradas
na Praça da República, para se distanciar da CUT.
Além da manifestação
central na Paulista, a Força realizará atos isolados em vários pontos da
cidade. A CUT realizará um evento em São Bernardo do Campo, na Grande São
Paulo.
Radicais. Embora critique o
financiamento das campanhas eleitorais, o presidente nacional do PSTU, José
Maria de Almeida, também dirigente da rede sindical Conlutas, reforça que a
greve de hoje não será em apoio às propostas do governo Dilma de reforma
política nem ao plebiscito proposto pelo PT. A greve, diz ele, é para
"cobrar do governo Dilma o atendimento às reivindicações dos
trabalhadores", o que inclui a redução da jornada de trabalho para 40
horas, fim do fator previdenciário, reforma agrária e pautas como fim dos
leilões do petróleo e melhorias no transporte (com redução de preço), na saúde
e na educação.
"A situação que nos
encontramos não é fruto da falta de recursos para atender às reivindicações dos
trabalhadores. O problema é que o governo aplica um modelo econômico que
beneficia bancos, grandes empreiteiras e o agronegócio, que depois financiam
campanhas."
José Maria reafirmou que
não está defendendo o "Fora, Dilma" nem a demissão de nenhum
ministro. "Estamos propondo mudança do modelo econômico. Se o governo não
mudá-lo, o próximo passo é uma greve geral. Se o governo ainda não mudar, aí
essa luta vai virar para sair o governo também", disse.
O presidente do PSTU disse
ainda que militantes do PT não serão hostilizados. "O PT, se aparecer, até
será bem-vindo", disse.
Fonte: “O Estado de S. Paulo”

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