Por Robert Tait, no "The Guardian" e em "O Estado de S.Paulo"
O contraste não poderia ser maior. Há um ano, eles se reuniram aos milhões numa demonstração de poder popular drapeado em verde que impressionou o mundo, sacudiu a liderança teocrática do Irã e prometeu agitar toda a região. Mas, hoje, primeiro aniversário das contestadas eleições que representaram o maior desafio à autoridade da República Islâmica em seus 30 anos, é difícil imaginar que tamanho tumulto se repita.
Meses de repressão brutal - que incluiu detenções em massa, uma sucessão de julgamentos armados, longas penas de prisão e macabras execuções - castraram o movimento verde. Seus líderes, os candidatos à presidência Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, derrotados nas urnas, pediram uma manifestação pacífica para marcar o aniversário. É provável que somente um pequeno número de corajosos atenda ao chamado e enfrente a ameaça de detenção, espancamento ou coisa pior.
Ativistas capazes de organizar protestos foram detidos ou intimidados a manter-se quietos e em silêncio. Os principais reformistas - como o ex-assessor de Karroubi, Mohammad Ali Abtahi - receberam longas penas de prisão em julgamentos armados transmitidos pela televisão antes de serem libertados mediante o pagamento de pesadas fianças.
Muitos ativistas fugiram para países vizinhos, como a Turquia.
Funcionários do governo turco encarregados de acompanhar os refugiados reconheceram a entrada de aproximadamente quatro mil iranianos desde junho do ano passado, apesar de algumas fontes sugerirem que o número de refugiados seja maior.
Ex-detentos queixaram-se de ter recebido tratamento brutal e degradante, incluindo alegações de estupro e sodomia. Um homem que fugiu para a Turquia disse que foi largado na rua e dado como morto depois de sofrer abusos sexuais. O premiado cineasta Jafar Pahani - mantido na prisão de Evin por dois meses até ser libertado no dia 25 - disse ter sido obrigado a tirar as roupas e ficar nu do lado de fora da prisão durante uma hora e meia de madrugada.
Evidências mostram a existência de um imenso esforço para sufocar um protesto de aniversário. A Internet - que possibilitou a comunicação entre os manifestantes por meio de recursos como o Twitter e o Facebook - tem sido utilizada para monitorar os dissidentes. Ativistas descrevem a onipresença do aparato de vigilância nas ruas e no ciberespaço.
Na cerimônia pelo 21º aniversário da morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, no dia 4, o líder supremo Ali Khamenei foi esperto ao destacar que alguns dos mais próximos colegas revolucionários do aiatolá tinham sido subsequentemente executados. "No establishment islâmico, o critério de julgamento é a situação presente, algo afirmado pelo próprio imã", disse.
Isso foi ressaltado pelo tratamento humilhante dispensado ao neto de Khomeini, Hassan Khomeini, que se aliou a Mousavi e Karroubi na denúncia de fraude nas eleições presidenciais. Na tentativa de prestar uma homenagem oficial ao avô, ele foi obrigado a desistir de discursar quando milhares de linhas-duras entoaram juntos "morte a Mousavi".
O incidente ilustra até que ponto os reformistas foram enxotados. Expôs ainda um paradoxo potencialmente decisivo: ao invocar a memória de Khomeini, Mousavi e Karroubi juram uma lealdade que seus opositores não reconhecem e da qual muitos de seus partidários não partilham.
O contraste não poderia ser maior. Há um ano, eles se reuniram aos milhões numa demonstração de poder popular drapeado em verde que impressionou o mundo, sacudiu a liderança teocrática do Irã e prometeu agitar toda a região. Mas, hoje, primeiro aniversário das contestadas eleições que representaram o maior desafio à autoridade da República Islâmica em seus 30 anos, é difícil imaginar que tamanho tumulto se repita.
Meses de repressão brutal - que incluiu detenções em massa, uma sucessão de julgamentos armados, longas penas de prisão e macabras execuções - castraram o movimento verde. Seus líderes, os candidatos à presidência Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, derrotados nas urnas, pediram uma manifestação pacífica para marcar o aniversário. É provável que somente um pequeno número de corajosos atenda ao chamado e enfrente a ameaça de detenção, espancamento ou coisa pior.
Ativistas capazes de organizar protestos foram detidos ou intimidados a manter-se quietos e em silêncio. Os principais reformistas - como o ex-assessor de Karroubi, Mohammad Ali Abtahi - receberam longas penas de prisão em julgamentos armados transmitidos pela televisão antes de serem libertados mediante o pagamento de pesadas fianças.
Muitos ativistas fugiram para países vizinhos, como a Turquia.
Funcionários do governo turco encarregados de acompanhar os refugiados reconheceram a entrada de aproximadamente quatro mil iranianos desde junho do ano passado, apesar de algumas fontes sugerirem que o número de refugiados seja maior.
Ex-detentos queixaram-se de ter recebido tratamento brutal e degradante, incluindo alegações de estupro e sodomia. Um homem que fugiu para a Turquia disse que foi largado na rua e dado como morto depois de sofrer abusos sexuais. O premiado cineasta Jafar Pahani - mantido na prisão de Evin por dois meses até ser libertado no dia 25 - disse ter sido obrigado a tirar as roupas e ficar nu do lado de fora da prisão durante uma hora e meia de madrugada.
Evidências mostram a existência de um imenso esforço para sufocar um protesto de aniversário. A Internet - que possibilitou a comunicação entre os manifestantes por meio de recursos como o Twitter e o Facebook - tem sido utilizada para monitorar os dissidentes. Ativistas descrevem a onipresença do aparato de vigilância nas ruas e no ciberespaço.
Na cerimônia pelo 21º aniversário da morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, no dia 4, o líder supremo Ali Khamenei foi esperto ao destacar que alguns dos mais próximos colegas revolucionários do aiatolá tinham sido subsequentemente executados. "No establishment islâmico, o critério de julgamento é a situação presente, algo afirmado pelo próprio imã", disse.
Isso foi ressaltado pelo tratamento humilhante dispensado ao neto de Khomeini, Hassan Khomeini, que se aliou a Mousavi e Karroubi na denúncia de fraude nas eleições presidenciais. Na tentativa de prestar uma homenagem oficial ao avô, ele foi obrigado a desistir de discursar quando milhares de linhas-duras entoaram juntos "morte a Mousavi".
O incidente ilustra até que ponto os reformistas foram enxotados. Expôs ainda um paradoxo potencialmente decisivo: ao invocar a memória de Khomeini, Mousavi e Karroubi juram uma lealdade que seus opositores não reconhecem e da qual muitos de seus partidários não partilham.

Um comentário:
Uma corja da pior espécie, que só um país governado por um destrambelhado prá apoiá-los.
Fico até meio surpresa de ver que tantos iranianos fugiram prá Turquia e ainda assim, o presidente de lá, é aliado dêsses tiranos! Ainda bem, estamos bem distantes deles ou o "abrigo" dos refugiados seria aqui.
Postar um comentário