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sexta-feira, 9 de março de 2012

"A origem do nome Micareta"

Por Nelson Cadema
Está chegando a hora das micaretas, nome incorporado ao vocabulário das festas de Momo desde 1935 para designar os carnavais, ou similares, realizados fora de época. Morro de curiosidade em saber quem foi o iluminado que teve a brilhante ideia de reunir, numa expressão só, o vocábulo francês "micareme" que designava as festas realizadas "no meio da quaresma", e careta, a indumentária popularizada mundo afora pelo Carnaval de Veneza e que no Brasil dos anos 30 ainda era referência da festa: grupos de mascarados formavam blocos de afinidade para ir à rua e extravasar alegria, assim mostram as fotos de época.
Suponho eu que o criador da palavra tenha sido um jornalista baiano e explico por quê. A expressão nasceu numa lista elaborada pela Associação dos Cronistas Carnavalescos da Bahia, então sob a presidência de Amado Coutinho, proprietário da revista 'Única', magazine de maior longevidade no Estado com mais de 40 anos de publicação ininterrupta (1929-1971). Uma das melhores fontes de consulta para os pesquisadores da história do rádio, do Carnaval e do futebol baiano, temas recorrentes nas suas páginas. Dez palavras foram arroladas na lista da entidade para um concurso público divulgado nos jornais e micareta era uma delas.
A escolha foi popular, mas o termo era uma das alternativas sugeridas e quem cogitou a palavra vivia, com certeza, o seu melhor momento de inspiração.
Em 1º de abril de 1935 a Associação dos Cronistas Carnavalescos (segundo documento que vi no arquivo da ABI em 1982) expediu várias correspondências com "saudações cordiais", endereçada a formadores de opinião e elite baiana, pedindo a sua participação na escolha do nome da festa, nos seguintes termos: "Pela presente solicitamos a V. Sa., o seu voto num dos nomes desta lista, que deverá substituir, de acordo com o do concurso público em toda a imprensa, o nome de 'micareme'. Gratos pela presteza da resposta nos firmamos pela diretoria da Associação de Cronistas Carnavalescos". Em seguida elencava as opções: "Refolia, arlequinada, micareta, carnavalito, festa outonal, mascarada, bicarnaval, precareme, brincadeira e remate". Na apuração dos votos deu micareta, mas continua a dúvida: quem inseriu na lista?
Independente de quem tenha sido o idealizador desconhecido da palavra, foram os baianos que ofereceram ao Brasil a alternativa de "micareta" para "micareme", num momento em que as festas no período entre a Quarta- Feira de Cinzas e a Páscoa se popularizavam no estado. Nos anos 30, muito antes da Micareta de Feira de Santana (1937), tida como a pioneira da Bahia e num exagero bairrista, do Brasil, há registros de "micaremes" organizadas em Salvador (abril de 1931). Também em Jacobina, segundo indícios colhidos pelos pesquisadores Vanicleia Silva Santos que se reporta ao ano de 1933, com base numa nota publicada no 'O Lidador', fundado nesse ano, e Doracy Araujo Lemos que sugere 1912 e cita Porcino Maffei e o bloco As Copas como referência.
E no Rio de Janeiro, segundo conta Felipe Ferreira no 'Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro', citando uma tese de dissertação de Renata de Sá Gonçalves, o 'Jornal do Brasil' teria promovido em 1920 um "concurso de ranchos no período de micareme". Carnavais fora de época não eram tão incomuns assim como se pensa, é pretensão imaginar que tenhamos sido pioneiros no formato e época de realização dos festejos. Mas podemos empinar o nariz sim e afirmar que a Bahia deu ao Brasil e este adotou e popularizou o termo Micareta. Uma palavra na medida, no contexto da época. E quem criou, seja lá quem for, está micaretando com certeza lá no céu.
* Nelson Cadena é publicitário e jornalista
Fonte: "Correio"

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