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sábado, 10 de março de 2012

"O império das circunstâncias"

Por Ruy Fabiano
A candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo impôs-se à revelia de todos, inclusive do próprio candidato, que, como se sabe, sonhava com coisa maior.
Não a desejavam nem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nem o ex-presidente Fernando Henrique, nem o senador Aécio Neves. Acima de todos, porém, pairava uma realidade inapelável: o PSDB é a única força capaz de continuar barrando a pretensão do PT de conquistar São Paulo, um país dentro do país.
O que os uniu foi a certeza de que, conquistando São Paulo, o PT chegaria ao poder total, o que lhe garantiria por antecipação a sucessão de 2014.
Os tucanos decidiram então esquecer suas diferenças com Serra, que não são poucas - e que ficaram expressas na sequência de sabotagens que lhe impuseram após a derrota de 2010 -, e lhe expuseram objetivamente a situação.
Serra, por sua vez, viu-se diante de oportunidade imperdível de retornar ao primeiro plano da vida nacional e ao comando do PSDB.
Antes, os tucanos se acertaram com Alckmin, mostrando que os seus candidatos, que disputariam a candidatura em prévias, não teriam a menor chance diante da máquina federal petista, já mobilizada em favor do ex-ministro Fernando Haddad.
Alckmin, que teria que enfrentar não apenas a máquina federal petista, mas a municipal, do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não o tolera, capitulou.
O próprio Kassab, que desempenhou o papel mais bizarro nesse processo, recorrendo a Lula para derrotar Alckmin, deu uma guinada brusca e alinhou-se a Serra.
Ninguém entendeu, nem o seu partido, que reclamou, pela voz da senadora Kátia Abreu, desse ziguezague desmoralizante. Mas Serra é seu padrinho e é melhor tê-lo como sucessor que como adversário, que venha a atormentá-lo posteriormente com denúncias e investigações sobre sua administração.
Em política, vive-se o império das circunstâncias. Quem poderia imaginar, por exemplo, que Getúlio Vargas, deposto em 1945 e enxotado da Constituinte de 1946, voltaria nos braços do povo em 1950, atendendo aos apelos de gente que ajudou a apeá-lo da Presidência poder? A luta pelo poder opera prodígios.
Poucas semanas antes, Fernando Henrique, em entrevista, havia decretado o ostracismo definitivo de Serra, declarando-o fora da disputa presidencial de 2014. Muitos acham que, ao concorrer à prefeitura, é isso mesmo que o aguarda.
Política, porém, não é lugar de profetas. Se vencer em São Paulo, Serra, ainda que não concorra, torna-se peça-chave para 2014. A sucessão presidencial passará por ele, o que torna a candidatura Aécio Neves, tida como inevitável, uma incógnita.
Aécio sabe que terá (para dizer o mínimo) dificuldades em obter o apoio de Serra, assim como este não obteve o seu. Pode, por isso mesmo, optar por uma volta ao governo de Minas, antes de tentar o Planalto. Até aqui, sua atuação no Senado não o tornou uma figura nacional. Continua restrito a Minas, que perdeu para São Paulo a condição de celeiro dos políticos de maior renome nacional.
Para Dilma Roussef, que certamente postulará a reeleição, não é ruim a presença de Serra na prefeitura de São Paulo. Primeiro porque dificulta (embora não impeça) uma eventual candidatura dele à sucessão presidencial.
Segundo porque debilita as chances de Aécio Neves, pelas dificuldades de unir o partido em São Paulo em torno de seu nome.
E há mais (ainda que Dilma não tenha pensado nisso): Fernando Haddad integra a ala mais radical do PT, que não a vê como petista da gema. Engoliu-a por imposição de Lula e tem encontrado nela resistência à implementação de sua agenda comportamental.
Foi Dilma que impediu, por exemplo, que Haddad consumasse a distribuição do kit gay nas escolas de primeiro grau. Não quis pagar o preço político que tal adesão lhe traria perante os setores mais conservadores (a maioria) da sociedade.
A escolha de Serra abre a disputa presidencial de 2014 no principal cenário da política brasileira, embolando ainda mais um quadro que jamais primou pela nitidez.
* Ruy Fabiano é jornalista
Fonte: "Blog do Noblat"

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