O Teatro Universitário do Cuca recebeu público significativo na noite de quinta-feira, 6 de agosto, para a abertura da "Mostra Olney São Paulo - 90 Anos". O evento foi aberto por Silvia Azevedo, do Cine Cuca, e Cristiana de Oliveira Ramos, diretora do Cuca.
A ação é realizada pelo Flifs Itinerante em parceria com o Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca/Uefs).
"Como Nasce uma Cidade" (1973, 11 minutos) e "Grito da Terra" (1964, 83 minutos), foram os filmes mostrados. Na Roda de Conversa pós filmes, a intervenção do jornalista e memorialista Dimas Oliveira, com o professor doutor Clóvis Ramaiana atuando como mediador.
Dimas começou ressaltando que Olney é "referenciado e reverenciado em Feira de Santana, por inscrever seu nome no cenário cinematográfico nacional e internacional".
Sobre "Grito da Terra" comentou que "passados 62 anos, causa espanto por ter sido produzido e realizado em Feira de Santana". Disse mais que "um filme que vive nas cinematecas mais importantes domundo".
Lembrou que Olney descreveu sua obra como "um filme-poema em que o Homem e a Terra são os únicos personagens. Um quase documentário, uma crônica rural. Um depoimento sobre a vida do sertanejo desamparado e explorado".
O memorialista contou que Olney achava que "o filme ('Grito da Terra') devia viver para o povo, sendo exibido nas roças, nos forrós, nas igrejas, nas praças, em tela armada em frente a um projetor de 16mm em cima de uma Kombi, com o pessoal se acomodando na cerca do curral, a imagem brilhando no meio da plantação." Ressaltava que não fez o filme para "as pessoas educadas, alimentadas, urbanas."
Dimas citou Alex Viany que revelou sobre Olney: "Ele é de fato um homem de cinema. Tem amor pelo cinema, amor por sua região, amor por sua gente. Gente que é vista com ternura."
Também fez referência a Orlando Senna, que em entrevista definiu Olney como "cineasta maldito do sertão". E traçou o perfil: "Camponês e vaqueiro, ator, fumante de Hollywood com filtro, pater famílias, erudito por defastio, amado hasta la locura por Maria Augusta, andarilho do mundo, herói de Feira de Santana, cabra macho sim senhor, é um cineasta maldito."
Dimas e Olney
A segunda etapa da "Mostra Olney São Paulo - 90 Anos" acontece na quinta-feira, 13, às 19 horas, no Teatro do Sesc Feira Centro, com os filmes: "Manhã Cinzenta" (1969, 22 minutos) e "Sinais de Cinza: A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade" (2023, 86 minutos), de Henrique Dantas, com Roda de Conversa mediada pelo professor doutor Yves São Paulo, e participação do cineasta Henrique Dantas e do professor doutor Cláudio Novaes.


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