O cineasta José Umberto Dias, diretor, roteirista e produtor, é sergipano de Boquim. Aos sete anos. ele veio para a Bahia e passou a morar em Feira de Santana, com sua mãe, D. Marizete Dias, antes de se fixar em Salvador. Nesta cidade, além de integrar o grupo teatral Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana (Scafs), teve participação na Associação Feirense dos Críticos Cinematográficos (AFCC) nas gestões 1963/1964 de Antônio Álvaro e Luciano Ribeiro.
"Lembro que tínhamos um programa na Rádio Sociedade que se chamava 'Cinema em Três Dimensões'", conta.
Outra lembrança dele: "Fiz um discurso, no auditório da antiga Biblioteca Arnold Silva, de saudação ao cineasta Álvaro Guimarães (Alvinho), também diretor teatral".
Mais uma revelação de José Umberto: "Essa Associação foi o germém de minha iniciação cinematográfica".
Em 1968, então graduando em Ciências Socias na Universidade Federal da Bahia (Ufba), ele começou sua história como cineasta em curso de iniciação cinematográfica ministrado pelo Grupo Experimental de Cinema da universidade.
Formou-se em 1971, mas não deixou mais o cinema e desde então vem atuando na cena cinematográfica, dirigindo, roteirizando, montando e produzindo.
José Umberto também é crítico de cinema, ensaísta, escritor, dramaturgo e poeta.
Feira com cenário de filmes
Em 1977, em parceria com Robinson Roberto, realizou em Super 8, o documentário "Urubu". Segundo os autores, trata-se de "bestiário simples e poético do urubu e a sua relação cósmica. Pássaro preto, contraditório, habitante da vida na esperança da morte. Enfim, uma homenagem àquele que resume a ânsia do desespero humano: poesia & morte". Teve como cenário o antigo matadouro municipal.
Em 1978, utilizou locações de Feira em "Brabeza", realizado em parceria com Robinson Roberto.
Em 1979, realizou em Feira de Santana e com assistência de direção de Dimas Oliveira, o documentário "Sertão". No ano seguinte, em Feira e cidades da região, outro documentário, "Cantos Flutuantes", com Dimas Oliveira mais uma vez na assistência de direção.
"Sertão" é um documentário poético em torno do belíssimo mural do pintor Lênio Braga, instalado no Terminal Rodoviário de Feira de Santana. É um filme sobre a beleza do imaginário da cultura popular sertaneja, através seus poetas de cordel e repentistas", considera José Umberto. É o filme de José Umberto mais exibido em Feira de Santana - a mais recente na sexta edição do Projeto Cinema no Casarão, criado e promovido pela Fundação Senhor dos Passos e o Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie Poppino, na noite de 28 de novembro de 2025, na Sala Dimas Oliveira, do Casarão Fróes da Motta.
Em 2002, realizou "Lua Violada", uma alegoria sobre "a perda da inocência e o despertar da consciência", conforme sintetiza. Em evento artístico-cultural marcante no Multiplex do então Iguatemi, em julho do ano seguinte, com presenças do prefeito José Ronaldo de Carvalho - a Prefeitura deu apoio logístico à produção - e do secretário de Estado da Cultura, Paulo Gaudenzi.
Presenças em Feira de Santana
Seus primeiros filmes, "Perâmbulo" (1967), "Doce Amargo" (1968), em parceria com André Luiz de Oliveira, e "Voo Interrompido" (1971), foram exibidos, em 1973, com a presença de José Umberto, no Clube de Cinema de Feira de Santana, em sala do prédio da Faculdade de Educação, hoje Museu Regional de Arte, do Cuca/Uefs.
Seu primeiro longa metragem foi realizado em 1972, "O Anjo Negro". Foi exibido em Feira de Santana, no Cine Íris. Na noite de estreia, o diretor e parte do elenco - Mário Gusmão, Raimundo Tosta, Antonia Veloso - entraram na sala de surpresa, causando certo frisson.
Em 7 de agosto de 2009, realização do Tributo a Olney São Paulo, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), marcando a data em que o cineasta, se estivesse vivo, faria 73 anos. José Umberto participou do painel sobre Olney - falando sobre "Importância de Olney São Paulo" - , ao lado de Ilya São Paulo, Olney Jr, mais André Setaro, Robinson Roberto, Roque Araújo e Tuna Espinheira. Foi promovido pela Prefeitura de Feira de Santana, através da Fundação Cultural Egberto Costa, com apoio do Núcleo de Preservação da Memória Feirense, da Fundação Senhor dos Passos.
Seu longa mais recente, "Revoada", é como uma homenagem à história de cangaço e ao próprio cinema baiano, sem falar que é "um filme sobrevivente, que hoje consegue existir mesmo com todo desrespeito artístico imperante no nosso país".
Na sessão especial, em sala do Oriente Cinemas Boulevard, em 15 de agosto de 2024, foi exibido com José Umberto e a atriz Christiane Veigga presentes.
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