Por Dimas Oliveira
O filme mais importante de Olney São Paulo é "Manhã Cinzenta", média-metragem que mistura ficção e realidade realizado em 1968/1969. Mas, quem conhece esse filme? Em Feira de Santana, pouca gente.
Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19 horas, uma oportunidade para visão e revisão de "Manhã Cinzenta" (1969, 22 minutos), na segunda etapa da "Mostra Olney São Paulo - 90 Anos", que acontece no Teatro do Sesc Feira Centro. Ainda no programa, exibição de "Sinais de Cinza: A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade" (2023, 86 minutos), de Henrique Dantas.
Após a exibição, Roda de Conversa mediada pelo professor doutor Yves São Paulo, e participação do cineasta Henrique Dantas e do professor doutor Cláudio Novaes.
Sessão secreta
No início dos anos 70, assisti à "Manhâ Cinzenta" porque consegui um projetor de 16mm para que Olney mostrasse a cópia que tinha em mãos, projetada em sessão secreta numa parede da casa de familiares. A exibição clandestina não o satisfazia e Olney morreu tentando uma revisão da Censura.
Com "Manhã Cinzenta", Olney São Paulo garantiu um lugar na História. Ele é o único cineasta brasileiro a ser preso, torturado e processado pelo "crime" de ter feito esse filme. Ele registrou nas ruas um momento histórico: a crise estudantil de maio de 1968 e a atuação da repressão.
Corre a estória que uma cópia do filme foi parar nas mãos de um dos seqüestradores do Caravelle desviado para Cuba, em 1969, e Olney foi preso porque a fita teria sido exibida aos passageiros como prova dos desmandos da ditadura.
Após o parecer em que o filme foi considerado como "altamente subversivo", por “incitar o povo contra o regime vigente", Olney viu-se enquadrado na Lei de Segurança Nacional e processado. Corria o ano de 1971. O filme foi censurado e o autor ficou com o rótulo de maldito, ganhando aposentadoria compulsória no Banco do Brasil, onde tinha um emprego conseguido por concurso - ele começou a trabalhar na agência de Feira de Santana e depois foi transferido para o Rio de Janeiro.
Com a prisão, Olney São Paulo sofreu danos em sua saúde - ele morreu aos 41 anos e até hoje familiares sustentam que sua saúde frágil foi abalada por maus-tratos na prisão.
Sempre revendo "Manhã Cinzenta", filme que o cineasta Orson Welles (1915-1985), autor do antológico "Cidadão Kane", considerava uma "grande obra".
Glauber Rocha, ícone do cinema brasileiro, em seu livro "Revolução do Cinema Novo" (1981), escreveu que "Manhã Cinzenta" é "o grande filmexplosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas. Montagem caleidoscópia desintrega signos da luta contra o Systema - panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo do Artysta".
Em 1972, no Festival de Oberhausen, na Alemanha, "Manhã Cinzenta" ganhou o Prêmio Lenin da Paz.




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