Evento reúne diferentes vozes da cultura popular com a estreia do cordelista Manoel Cavalcante e a participação do repentista Bule-Bule
A palavra ganhou ritmo, rima e improviso no segundo dia da 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs). Entre livros, versos, histórias e diferentes manifestações artísticas, a literatura popular ocupou espaço de destaque na programação com a presença inédita do cordelista potiguar Manoel Cavalcante e do repentista baiano Bule-Bule. Em momentos distintos da programação, os dois artistas trouxeram ao público diferentes formas de fazer da palavra uma ferramenta de memória, identidade e diálogo com as novas gerações.
Pela primeira vez no Flifs, Manoel Cavalcante trouxe ao festival a experiência de quem fez da poesia popular uma trajetória de vida. Natural de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, e cordelista desde os sete anos, o escritor é autor de 20 livros de cordel e poesia popular e de mais de 25 folhetos. Sua produção já foi reconhecida com mais de 150 premiações em concursos literários no Brasil, além de alcançar leitores de diferentes estados brasileiros por meio de escolas e projetos de incentivo à leitura.
A estreia no festival também representa a chegada de uma voz que mantém viva uma tradição literária construída a partir da oralidade e da experiência cotidiana. Em seus versos, o cordelista transforma histórias, acontecimentos, personagens e situações da vida real em poesia, utilizando uma linguagem acessível e capaz de aproximar diferentes gerações da literatura.
O cordel, afinal, não é apenas uma literatura marcada por rimas e métricas. É também uma forma de preservar memórias, registrar costumes e narrar histórias. Nos folhetos e livros cabem personagens reais, acontecimentos históricos, humor, críticas sociais e cenas do cotidiano. Uma literatura que nasceu próxima do povo e que continua encontrando na vida e nas experiências das comunidades uma de suas principais fontes de inspiração.
"Minha identidade como cordelista nasceu na infância, quando meu avô fazia cantoria na casa dele. Isso me fez apaixonar pelo cordel. É uma linguagem acessível, que gera identificação e fala com toda a comunidade. Com ele, posso contar histórias de pessoas reais, da vida real", afirmou Manoel Cavalcante.
A força do repente
O segundo dia do Flifs também foi marcado pela presença de Bule-Bule, um dos nomes de destaque da cultura popular baiana. Repentista, poeta e músico, ele levou ao festival uma arte construída a partir da criatividade, do repertório e da capacidade de improvisação, em que cada apresentação pode assumir caminhos diferentes a partir da interação com o público.
No repente, cada verso pode nascer em poucos segundos. O artista precisa ouvir, pensar e responder com poesia, transformando o instante em criação. É justamente essa imprevisibilidade que faz da manifestação uma experiência de troca: quem está na plateia não é apenas espectador, mas participa de uma cena que se constrói diante de seus olhos.
A presença de Bule-Bule reforça a importância de preservar manifestações que fazem parte da identidade cultural da Bahia e do Nordeste. Em um festival dedicado à literatura, o repente amplia a compreensão sobre as diferentes formas de expressão da palavra e mostra que a literatura também pode existir na voz, no improviso e na relação direta com o público.
"Fazer repente é preservar a cultura, o Nordeste e valorizar a cultura popular. O repente representa também o diálogo com as novas gerações, para que conheçam as diversas formas de literatura", afirmou o repentista.
Literatura para além dos livros
A diversidade foi uma das marcas do segundo dia do Flifs. Além das atividades voltadas ao cordel e ao repente, a programação contou com apresentações de escolas, lançamentos de livros e bate-papos com quadrinistas, reunindo diferentes públicos e linguagens em torno da literatura e da produção cultural.
As atividades com as escolas aproximaram estudantes do universo literário e reforçaram o papel do festival como espaço de formação de leitores. Já os lançamentos possibilitaram ao público conhecer novas obras e autores, enquanto os encontros com quadrinistas mostraram como a literatura também pode dialogar com imagens, narrativas gráficas e outras formas de contar histórias.
O dia terminou com música e celebração. Asa Filho, Dionorina e convidados subiram ao palco para encerrar a programação, levando ao público a força da música e da cultura baiana e ampliando o diálogo entre literatura, arte e identidade cultural.
Entre versos escritos e improvisados, livros, quadrinhos, apresentações escolares e música, o segundo dia da 19ª edição do Flifs mostrou que a literatura pode ocupar diferentes espaços e assumir muitas formas. Pode estar nas páginas de um livro, na voz de um poeta, no improviso de um repentista, nos desenhos de uma história em quadrinhos ou nas experiências compartilhadas entre artistas e público.
Serviço:
Flifs 2026, 19ª Edição
De 25 de agosto a 30 de Agosto
Local: Centro de Convenções de Feira de Santana - Rua Tupinambás, nº 69, no bairro São João. Próximo ao Boulevard Shopping.
Entrada: gratuita
Acompanhe a programação completa e as novidades nas redes sociais oficiais do festival.
Fotos: Joy Freitas
Com informações da jornalista Juliana Vital
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