Por Everaldo Goes
Quem circula pelo Centro de Convenções durante o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) encontra, no corredor próximo à entrada do Teatro, uma oportunidade pouco comum: apreciar de perto obras de artistas de renome internacional pertencentes ao Acervo Inglês do Museu Regional de Arte (MRA) da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
A exposição "Rota da Arte Inglesa - Um Acervo em Movimento", levou para o espaço parte de coleção que integra o patrimônio artístico preservado no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). Entre jovens, estudantes e visitantes que param para observar, fotografar e até posar ao lado das telas, a mostra acaba funcionando também como uma porta de entrada para uma história que remonta à criação do próprio Museu Regional de Arte.
O MRA foi inaugurado em Feira de Santana em 1967, com obras doadas por Assis Chateaubriand. A proposta, ousada para a época, era descentralizar o acesso às artes plásticas e levar para o interior do país trabalhos de artistas de expressão nacional e internacional.
Entre as coleções formadas naquele período estava justamente a de artistas modernos ingleses, com trabalhos produzidos principalmente nas décadas de 1950 e 1960. O conjunto reúne nomes como John Piper, Howard Hodgkin, Bryan Organ, Alan Davie, Graham Sutherland, Joe Tilson, John Kiki, Pauline Vincent, Brett Whiteley e Antony Donaldson.
Algumas dessas obras carregam histórias particulares. "Três Torres de Suffolk", de John Piper, já integrou o acervo da Tate Gallery. Bryan Organ, autor de "Muggeridge em Azul", tornou-se conhecido internacionalmente também por retratar Diana, princesa de Gales. Já Howard Hodgkin está representado pela obra "Mr. e Mrs. Roger Coleman", com elaboração que durou dez anos.
O acervo do Museu Regional de Arte foi incorporado à Uefs em 1985 e transferido posteriormente para o Cuca, onde passou a receber melhores condições de conservação. Em 1998, a Universidade promoveu um amplo trabalho de restauração das obras.
Com a iniciativa, a Uefs amplia o princípio que esteve na origem do Museu há quase seis décadas: aproximar a arte do público.
Fonte: @feirahoje


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