Tom Tyler, perfeito como o Capitão Marvel e Nigel De Brulier, magnífico como o mago Shazam
Por Carlos Modesto
Para os meninos do meu tempo de criança, acredito, uma palavra ficou marcada em cada um deles, a inesquecível palavra mágica SHAZAM. As histórias de quadrinhos fizeram parte do cotidiano da gurizada que se encantava com as leituras desses heróis de papel, que competiam com os também heróis do cinema. Gostar de um era gostar do outro. Nós crianças daquele tempo vivíamos mais na fantasia do que na realidade, a maioria era da classe proletária, e só tínhamos essas duas mídias, para nos fazerem felizes nos nossos momentos inocentes de viver.
O "King Features Syndicate" enviava para o mundo inteiro as tiras dos seus inumeráveis personagens de faz de conta, agradando a gurizada, os adolescentes e adultos, que se enfrascavam em suas leituras mirabolantes. Heróis como: Super-Homem, Batman, Príncipe Íbis e seu triângulo mágico, Mandrake, o mágico, O Fantasma, o espírito que anda, Tarzan, Nyoka, Capitão América, Flash Gordon, os cowboys Tom Mix e Hopalong Cassidy foram alguns desses heróis que implantaram o imaginário na cabeça desses leitores de então.
Eu faço parte dessa geração cinema/quadrinhos, fui um leitor assíduo dos Gibis, e um desses maravilhosos personagens me encantou, foi o super-herói Capitão Marvel, cujas leituras de suas historietas faziam eu voar com ele. A magia maior desse encantamento foi a palavra mágica SHAZAM, era um anagrama dos mitológicos deuses gregos, que davam significado a cada letra da palavra, por exemplo: o S representava a sabedoria de SALOMÃO; o H designava a força de HÉRCULES; A referia-se a resistência de ATLAS; Z era o poder de ZEUS o deus dos deuses; o A figurava a coragem de AQUILES e finalmente, o M consistia da velocidade de MERCÚRIO. Quando o adolescente radialista Billy Batson se metamorfoseava no Capitão Marvel, os poderes dos personagens míticos eram projetados para o mortal mais poderoso do mundo.
O Capitão Marvel foi criado pelo roteirista Bill Parker e o desenhista C. C. Beck em 1939. Eles elaboraram esse personagem místico, contando a história fascinante de um adolescente radialista chamado Billy Batson, que é atraído a um túnel de metrô por um velho barbudo todo vestido de branco, e denominado Shazam, que lhe outorgou os poderes de seis deuses gregos, conforme acima, que quando ele pronunciasse a palavra do mago, surgia um relâmpago e o jovem Batson se transformava no magnífico Capitão Marvel.
Suas historietas eram bastantes inocentes, mas agradavam seus habituais leitores, levando-os a viverem as aventuras desse personagem encantador, onde muitos deles nas brincadeiras gritavam em alto e bom som a palavra Shazam. E para alegrar esses admiradores das imagens em movimento, em 1941, a Republic Pictures convocou seus dois competentes diretores, especialistas em filmes de películas de capítulos semanais, William Witney e John English para dar vida a esse personagem de papel no seriado "As aventuras do Capitão Marvel", em 12 magníficos episódios, cujo ator Tom Tyler ficou perfeito no papel. Embora a Republic Pictures modificasse a personalidade do personagem, a fita agradou satisfatoriamente os fãs dos quadrinhos.
O alter ego do locutor Billy Batson era o Capitão Marvel, onde ambos lutavam em suas aventuras com o arqui-inimigo, o cientista louco, Dr. Silvana. Este, era completamente careca, usava óculos garrafais, e possuía uma fisionomia estranha e medonha, fisicamente era o oposto do Capitão Marvel, que era perfeito e elegante. Ele sabia do segredo do adolescente Batson (nós crianças, identificávamos com ele), onde nas suas historietas o locutor quando ia pronunciar a palavra mágica, imediatamente levava uma paulada do opositor Silvana, que o amordaçava para evitar que Batson se tornasse o Capitão Marvel.
Era uma sensação agradável e empolgante ver o Capitão Marvel voar, numa época onde não existia a tecnologia computadorizada atual, onde o ator Tom Tyler era substituído nas cenas perigosas pelo grande dublê/ator David Sharpe. Quem possui o DVD desse seriado poderá pausar nas cenas acrobáticas e perigosas de Tom Tyler como o Capitão Marvel, e imediatamente clicar no controle remoto, quadro a quadro, irá ver logo, que é o dublê David Sharpe o substituindo.
O Capitão Marvel nos quadrinhos fantasiava a mente dos garotos, onde muitos deles acreditavam que, se pronunciasse a palavra mágica Shazam, eles imediatamente se transformariam nesse herói dos seus sonhos, na verdade, acredito (?) que, eles não conseguiram transfigurar-se no Capitão Marvel, pelo simples motivo de não conseguirem pronunciar perfeitamente a palavra SHAZAM.
Carlos Modesto é cinéfilo


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