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domingo, 2 de agosto de 2026

Jornalista doa suas obras à Biblioteca Digital Outran Borges

Livros preservam documentos sobre a cassação da Rádio Cultura e registros das primeiras salas de exibição e registro da situação do cinema em Feira de Santana




O jornalista e memorialista Dimas Oliveira, membro efetivo da Academia Feirense de Letras (AFL), disponibilizou duas obras para integrar o acervo da Biblioteca Digital Outran Borges (BDOB). Os livros "O Processo de Cassação da Rádio Cultura", publicado em 2018, e "A Arte do Silêncio em Feira de Santana", lançado em 2021; e "cinema demais: ou Era Uma Vez Dezenas de Filmes Comentados e a Situação do Cinema em Feira de Santana", lançado em 2014, podem ser consultados por pesquisadores, estudantes e leitores interessados na história política, cultural e social do município.

Mantida pela Academia Feirense de Letras, a Biblioteca Digital Outran Borges reúne livros, documentos e outras publicações relacionadas à produção intelectual e à memória de Feira de Santana. O acervo pode ser acessado gratuitamente no site academiafeirensedeletras.com.br. A iniciativa de Dimas Oliveira foi destacada pelo presidente da AFL, João Batista de Cerqueira. “Gratidão ao confrade Dimas Oliveira, que disponibilizou para postagem suas excelentes obras. Contando com a generosidade dos confrades, a cada dia o acervo da BDOB é enriquecido”.

Cassação durante a ditadura

Organizado por Dimas Oliveira, "O Processo de Cassação da Rádio Cultura" reúne peças do processo que provocou o fechamento da emissora feirense durante a ditadura militar. A obra foi elaborada com documentos encontrados no Arquivo Nacional, registros da imprensa, fotografias e reproduções de materiais que permaneceram durante anos classificados como confidenciais, secretos ou sigilosos. A Rádio Cultura teve o funcionamento cassado em março de 1975 e somente voltou ao ar em julho de 1985.

O processo teve como um dos principais elementos uma entrevista concedida pelo então deputado federal Francisco Pinto ao radialista Lucílio Bastos, em 1974. Na ocasião, o parlamentar criticou o general Augusto Pinochet, presidente do Chile, que estava no Brasil para a posse de Ernesto Geisel. A entrevista foi utilizada no processo movido contra o deputado com base na Lei de Segurança Nacional. A publicação recupera esse episódio e contribui para a compreensão dos efeitos da repressão política sobre a imprensa e a sociedade feirense.

Memória do cinema mudo às transformações das salas de exibição

Em "A Arte do Silêncio em Feira de Santana", Dimas Oliveira volta-se para a história cinematográfica da cidade no início do século 20. Com 193 páginas, a obra compila textos publicados em 29 edições do jornal independente e literário "A Flor", entre abril e novembro de 1921, além de uma edição de dezembro de 1933. Os registros mostram como eram as sessões e a movimentação social no Cine-Theatro Sant'Anna e no Cine-Theatro Elite, localizados na Rua Conselheiro Franco, durante o período do cinema mudo. 

Já em "cinema demais", o autor comenta dezenas de filmes e analisa a situação do cinema em Feira de Santana, relacionando a sétima arte à realidade social e cultural da cidade. A obra aborda a relação do público com produções locais e internacionais, o acesso às salas de exibição, as mudanças provocadas pelo streaming e a necessidade de valorização da identidade cultural brasileira e do cinema local.

Dimas Oliveira ocupa a Cadeira 16 da Academia Feirense de Letras, que tem como patrono Áureo de Oliveira Filho.

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Fonte: Academia Feirense de Letras 

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