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sábado, 1 de agosto de 2026

Minha história: A educação transforma

 Um relato emocionante que trata de Deus, família, educação, um aos outros, gratidão e reconhecimento.

                        Ivan Kleiton, hoje

                                                    Ivan Kleiton, ontem

"Me chamo Ivan Kleiton da Glória Ferreira, tenho atualmente 21 anos. Nasci em 12 de novembro de 2004, na cidade de Feira de Santana, Bahia. 

Fui aluno da escola pública durante toda a minha vida. Entrei na rede pública em 2010, na Escola Municipal Maria Antônia da Costa, uma escola que sempre trabalhou com educação ambiental, meio ambiente e protagonismo estudantil. Hoje entendo o quanto isso foi importante para a minha formação.

Venho de uma origem muito simples. Minha mãe, Ivana Rita Lima da Glória, sempre foi uma mulher muito batalhadora. Fazedora de beiju, diarista e, mesmo sem ter concluído os estudos básicos, foi responsável por me ensinar as lições mais valiosas da vida: respeito, amor, honestidade e caráter. Lembro dela sempre dizendo: "Se você encontrar algo no chão e não for seu, não pegue. Avise à professora, porque ela encontrará o dono." 

Durante parte da minha infância, ela criou os filhos praticamente sozinha. Somos quatro irmãos: eu, minha irmã Giovana da Glória Rios e meus irmãos Emanuel da Glória Rios e Andrey Gabriel da Glória Ferreira. 

Sempre fui muito comunicativo, conversador e bastante agitado. Desde pequeno gostava de conversar, participar e estar envolvido em tudo o que acontecia na escola. 

Ainda na educação infantil, estudei na Escola Municipal Alda Marques e tive uma professora chamada Jussara, que marcou profundamente o início da minha vida escolar. Ela trabalhava de forma muito lúdica, utilizando desenhos e uma linguagem extremamente criativa. Foi meu primeiro contato com o ambiente escolar e guardo lembranças muito bonitas dessa época. 

Lembro que eu e minha mãe recebíamos leite na escola. Antes de irmos para casa, ela sempre passava na padaria para comprar uma maria-mole. Eu torcia para que o leite "cortasse", porque ela fazia doces para nossa família. Hoje percebo que, mesmo diante das dificuldades, ela sempre encontrava uma forma de transformar o pouco em muito.

Minha mãe nunca teve medo do trabalho. Já vendeu salgados, fez beiju, vendeu acarajé na porta de casa e exerceu tantas outras atividades para sustentar nossa família. Cresci ajudando no que podia. Também tenho lembranças de acompanhá-la à casa de farinha desde muito pequeno. 

Passei cerca de dois anos morando com minha avó, Carmem Cleide Araújo Lima, em Mata de São João. Ela fazia parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e foi ao lado dela que descobri meu amor pela terra, pela natureza, pelo cultivo e pelo cuidado com o meio ambiente. Ela foi uma das pessoas mais importantes da minha vida e continua sendo uma das pessoas que mais amo. 

Ao retornar para Feira de Santana, continuei meus estudos e participei do Programa Mais Educação. Permanecia praticamente o dia inteiro na escola: fazia reforço, almoçava, participava das oficinas e desenvolvia diversas atividades. Foi uma fase muito importante da minha formação. 

No quarto ano conheci aquela que considero a melhor professora do mundo: a professora Tamara Rabelo de Oliveira. Nós a chamávamos de "Professora Helena", em referência à novela "Carrossel", porque ela realmente parecia aquela personagem que ensinava com amor e transformava vidas. 

Foi ela quem aplicou em nossa escola o programa TIM Faz Ciência. Através dele participávamos de oficinas, atividades criativas, investigação científica e diversas experiências de aprendizagem. Foi uma vivência que despertou ainda mais minha curiosidade e meu interesse pelo conhecimento. 

Infelizmente, em 2014, vivi um dos momentos mais difíceis da infância. Fiquei internado durante 28 dias devido a um diagnóstico que nunca ficou totalmente claro, provavelmente relacionado a uma forte reação alérgica. Quando voltei para a escola, a professora Tamara já havia assumido a coordenação pedagógica. Mesmo assim, continuei sendo acompanhado por professores extremamente dedicados, que sempre acreditaram no meu potencial. 

Nessa época também me aproximei muito da diretora da escola, Nelcilândia Arouca. Ela promovia diversos projetos e sempre incentivava os alunos a sonharem alto. Um dos projetos de que mais lembro foi um festival de vídeos, no qual tínhamos contato com fotografia, edição e produção audiovisual através de um fotógrafo profissional. Essas experiências ampliavam nossa visão de mundo e nos mostravam que poderíamos chegar muito mais longe do que imaginávamos. 

Em 2015 retornamos para a escola após uma grande reforma. Naquele ano participei do meu primeiro congresso sobre meio ambiente. Apresentei um estande sobre desmatamento e lembro até hoje da emoção de falar para tantas pessoas. Depois dessa experiência, nunca mais parei. 

Ao longo dos anos participei de viagens pedagógicas, feiras de empreendedorismo promovidas pelo Sebrae, projetos ambientais, apresentações e inúmeras atividades escolares. Cada uma delas contribuiu para minha formação e fortaleceu meu desejo de fazer a diferença. 

No nono ano vivi um dos momentos mais importantes da minha vida: participei da Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. 

Primeiro participei da etapa municipal, realizada no Parque do Saber, em Feira de Santana. Fui acompanhado pela professora Tamara e pela diretora Nelcilândia. Durante a conferência tive um momento de fala e fui escolhido para representar o município na etapa estadual. 

Na etapa estadual apresentei um projeto desenvolvido pela nossa escola sobre as lagoas de Feira de Santana, chamado "Refresque Suas Ideias", que unia educação ambiental e protagonismo estudantil. Eu foi selecionado para representar a Bahia na etapa nacional. Jamais vou esquecer a emoção de ver minha diretora descendo as escadas perguntando, cheia de esperança: "Meu menino foi aprovado?" 

Ela foi a mesma diretora que, ao perceber na rodoviária que eu não tinha levado outro par de tênis para viajar, entrou imediatamente em uma loja e comprou um para mim. Esse gesto nunca saiu da minha memória. Não era apenas um tênis; era uma demonstração de cuidado, carinho e confiança em um aluno que ela acreditava que poderia ir longe. 

Assim, em 2018, participei da V Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, realizada em São Paulo. Foi a primeira vez que viajei de avião, a primeira vez que fui para outro estado e também a primeira vez que conheci pessoas de todas as regiões do Brasil. Foi uma experiência completamente transformadora. 

Lembro que toda a escola se mobilizou para tornar aquela viagem possível. Professores e funcionários fizeram uma verdadeira corrente de apoio. Ganhei mala, tênis, casaco e tudo o que precisava para representar minha escola da melhor forma possível. 

Quando retornei para Feira de Santana fui recebido com muito carinho. Em 2018 concluí minha trajetória na rede municipal de ensino. 

Saí da Escola Municipal Maria Antônia da Costa com muita saudade. A professora Tamara e a diretora Nelcilândia já haviam se tornado, para mim, verdadeiras mães. Foi com elas que aprendi que ensinar vai muito além da sala de aula. Aprendi que professores não apenas ensinam conteúdos: eles transformam territórios, sonhos e histórias. 

Em 2019 ingressei na rede estadual de ensino, no CEEP Áureo de Oliveira Filho, cursando o Técnico em Logística. Foi uma nova etapa da minha vida, cheia de desafios e oportunidades. 

Logo me envolvi com o Grêmio Estudantil e fui eleito como um dos representantes da escola, permanecendo nessa função durante três anos. Sempre gostei de participar, representar meus colegas e buscar melhorias para a comunidade escolar. Foi nesse período que comecei a desenvolver ainda mais meu senso de liderança e de responsabilidade social. 

Infelizmente, pouco tempo depois de iniciar o ensino médio, fomos surpreendidos pela pandemia da Covid-19. Foi um momento muito difícil, marcado por medo, perdas e muitas incertezas. Como milhares de estudantes brasileiros, vimos nossa rotina mudar completamente. A escola deixou de ser um espaço de convivência, aprendizado e troca para se tornar uma tela de computador ou, muitas vezes, apenas um lugar de saudade. 

Mesmo diante desse cenário, eu e minhas colegas Amanda (minha irmã de consideração e irmã dos meus irmão Emanuel e Giovana por parte de pai, uma das minhas melhores amigas! Estudamos juntos desde crianças , Giselle e Raissa decidimos que não poderíamos deixar aquele momento nos impedir de sonhar. Carregávamos conosco tudo o que aprendemos no Maria Antônia: protagonismo, criatividade e vontade de transformar realidades. 

Foi assim que desenvolvemos o Moving Oil, um aplicativo voltado para orientar a população sobre o descarte correto do óleo de cozinha, indicando os pontos de coleta mais próximos e incentivando práticas ambientalmente responsáveis. O projeto nasceu da preocupação com os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado do óleo e também da vontade de aproximar tecnologia e sustentabilidade. 

O Moving Oil tornou-se o meu Trabalho de Conclusão de Curso e reforçou ainda mais meu interesse pela educação ambiental, pela logística reversa e pelo desenvolvimento de soluções capazes de melhorar a vida das pessoas. 

Após concluir o ensino médio, trabalhei durante dois anos ao lado da professora Renata Esperidião, uma profissional que também marcou profundamente minha trajetória acadêmica. Ela sempre acreditou no meu potencial, valorizou minha dedicação e nunca deixou de me incentivar. 

Anos depois, tive a alegria de ser convidado por ela para retornar à escola, não mais como aluno, mas como palestrante, compartilhando minha trajetória com seus novos estudantes. Foi um momento muito especial, porque percebi que minha história poderia inspirar outras pessoas da mesma forma que tantos professores haviam me inspirado ao longo da vida. 

No início de 2024 fui aprovado no curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). 

Muitas pessoas me perguntam por que escolhi Engenharia Civil sendo tão envolvido com a pauta ambiental. 

Minha resposta sempre é a mesma: justamente porque percebi que muitos dos problemas ambientais da minha cidade estavam relacionados ao modelo de ocupação urbana, à impermeabilização do solo, às enchentes, às lagoas degradadas e ao crescimento desordenado. Entendi que, para transformar essa realidade, eu precisava compreender o sistema por dentro. Eu queria fazer parte da solução. 

Ao chegar à Universidade encontrei pessoas que tornaram essa caminhada muito mais leve e especial. A primeira delas foi Dona Carla Maísa, responsável pela xerox do Diretório Acadêmico de Engenharia Civil. Muitas vezes, quando eu não tinha condições de imprimir materiais, ela fazia minhas cópias "no 0800", sempre acreditando em mim e incentivando que eu nunca desistisse do curso. Até hoje costumo dizer: "Vou ali em Dona Carla tomar um café." Ela é uma pessoa extraordinária e tem um coração imenso. 

Também conheci minha melhor amiga, Maria Eduarda da Silva Camões. Dividimos tudo: desde um simples doce de goiaba até as dificuldades da vida adulta. Somos pessoas muito diferentes e, ao mesmo tempo, muito parecidas. Construímos uma amizade baseada em respeito, apoio e carinho. Um sempre encontra forças no outro. 

Outra pessoa muito importante nessa caminhada é minha amiga Graciene da Paixão Silva. Com toda sua experiência de vida, ela sempre esteve disposta a me ouvir, aconselhar, acolher e abraçar quando precisei. Assim como Dona Carla, tornou-se uma verdadeira mãe dentro da universidade. 

Apesar de todas essas pessoas maravilhosas, a graduação também me apresentou grandes desafios. 

No terceiro semestre da graduação enfrentei um dos momentos mais difíceis da minha vida acadêmica. Fui diagnosticado com uma celulite infecciosa, que me deixou internado e comprometeu significativamente meu desempenho. Foi um período de muita dor, incerteza e medo. Precisei me afastar das atividades, perdi conteúdos importantes e, por alguns momentos, pensei que talvez não conseguisse continuar. 

Entretanto, com muita fé, apoio da minha família e das pessoas que caminhavam comigo, consegui me recuperar e seguir em frente. Hoje entendo que aquele período também fez parte da construção da minha história. 

No quarto semestre cursei a disciplina Ciências do Ambiente, ministrada pela professora Zanna Mattos. Sem dúvida, ela foi um divisor de águas na minha formação. 

Foi nessa disciplina que compreendi, de maneira ainda mais profunda, o verdadeiro significado da educação ambiental, do protagonismo juvenil e da transformação dos territórios.

Durante uma apresentação sobre desmatamento contei minha experiência como delegado da V Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente. Para minha surpresa, descobri que a professora Zanna havia participado da organização daquela conferência anos antes. A partir desse momento iniciamos uma grande troca de experiências. 

Mais do que uma professora, ela tornou-se uma referência para mim. Hoje a considero uma amiga, uma conselheira e alguém que sempre acreditou no meu potencial. Mesmo depois de eu concluir sua disciplina, ela continuou acompanhando minha caminhada, orientando meus projetos e abrindo portas para que eu pudesse crescer cada vez mais. Hoje costumo dizer que Deus colocou as pessoas certas nos momentos certos da minha vida. A professora Zanna foi uma dessas pessoas. Ela não apenas me ensinou uma disciplina; ela reacendeu em mim tudo aquilo que a Escola Maria Antônia havia plantado anos antes: o amor pela educação ambiental, o protagonismo juvenil e a certeza de que eu poderia transformar realidades. Muitas das oportunidades que vivi depois desse encontro nasceram da confiança que ela depositou em mim e da forma como decidiu caminhar ao meu lado.  

Graças a esse reencontro com a educação ambiental, em 2025 tive a oportunidade de participar da organização da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, desta vez não mais como delegado, mas como facilitador, auxiliando na mobilização e na formação de estudantes. 

Foi uma experiência muito especial. Anos antes eu havia sido aquele estudante acolhido e inspirado pelos facilitadores da quinta conferência. Agora era eu quem tinha a oportunidade de acolher, incentivar e inspirar outros jovens. Nesse mesmo período, Deus começou a abrir muitas portas na minha vida.

Fui selecionado para participar do Global Artivism, uma conferência internacional que une arte, cultura e ativismo socioambiental. Durante o evento conheci pessoas de diversos países, diferentes culturas e idiomas. Em muitos momentos parei para pensar até onde Deus estava me levando. 

Ainda em 2025 também tive a honra de representar a Bahia em diversos espaços nacionais de formação e diálogo sobre educação ambiental. Cada viagem, cada encontro e cada conversa reforçavam em mim a certeza de que eu estava no caminho certo. 

Em 2026 fui selecionado para participar do projeto de extensão Coral Vivo, desenvolvido pelo Instituto Coral Vivo, em parceria com a Petrobras. Entre estudantes de todo o Nordeste, fui um dos poucos selecionados para representar a Bahia. 

Foi uma experiência que jamais imaginei viver. 

Aprendi sobre conservação marinha, educação ambiental, monitoramento de peixes, biodiversidade e ainda tive a oportunidade de mergulhar no mar. 

Até hoje penso naquele momento e me emociono. Nunca imaginei que um menino negro, periférico e vindo da escola pública de Feira de Santana teria a oportunidade de conhecer de perto um dos maiores patrimônios naturais do nosso país.

Cada mergulho me fazia lembrar da minha infância, quando descobri o amor pela natureza ao lado da minha avó. Era como se todas as etapas da minha vida estivessem se conectando. 

Ainda em 2026 participei do Congresso da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), apresentando um trabalho sobre educação ambiental. 

Foram mais de 130 trabalhos indicados. E o meu ficou entre os 13 trabalhos premiados com o 1º lugar. 

Receber esse reconhecimento foi uma das maiores emoções da minha vida acadêmica. Não representava apenas uma premiação. Representava toda a caminhada iniciada anos antes na Escola Municipal Maria Antônia da Costa, passando pelas conferências, pelos projetos ambientais, pelos professores que acreditaram em mim e pela minha família.

Hoje continuo participando de palestras, rodas de conversa, projetos de pesquisa e diversos espaços de participação social. 

Também integro a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Bahia (CIEA) ao lado da professora Zanna Mattos, ocupando uma cadeira extremamente importante para a construção das políticas públicas de educação ambiental no estado. 

Quando olho para trás, percebo que Deus foi conduzindo cada etapa da minha caminhada. Pessoas foram surgindo exatamente quando eu mais precisava delas. Portas foram sendo abertas no momento certo. 

Costumo dizer que a educação transformou completamente a minha vida. 

Ela não apenas mudou minha realidade. Ela mudou a forma como enxergo o mundo e despertou em mim o compromisso de ajudar a transformar a realidade de outras pessoas. 

Eu sempre fui cristão e, ao olhar para toda a minha trajetória, consigo enxergar claramente a mão de Deus em cada etapa da minha vida. Costumo dizer que Ele foi o grande tecelão da minha história, entrelaçando fios de diferentes cores para formar a obra que sou hoje. 

Os fios coloridos representam as conquistas, os sonhos realizados, as oportunidades, as pessoas que encontrei pelo caminho e todas as portas que Deus abriu. Mas, assim como em uma peça de tecido, os fios escuros também fazem parte da obra. 

Em 2024 vivi uma das maiores dores da minha vida: perdi minha avó, Carmem Cleide Araújo Lima. Ela havia vencido um câncer em 2018 e, por muitos anos, acreditamos que continuaria conosco por muito tempo. Mas Deus decidiu chamá-la para junto d'Ele. 

Sua partida me abalou profundamente. 

Ela foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Foi ao lado dela que aprendi a amar a terra, a natureza, o plantio e o cuidado com o meio ambiente. Muito do que sou hoje nasceu das sementes que ela plantou em mim ainda na infância. 

Guardo comigo inúmeras lembranças, mas uma delas sempre me emociona. Ela costumava me chamar de "meu doutor".

Hoje, cada conquista que alcanço carrega um pouco dela.

Tenho certeza de que, onde estiver, continua olhando por mim. 

Eu te amo, vó. 

Espero que a senhora esteja orgulhosa de tudo o que construí até aqui. 

Ao longo da minha caminhada fui presenteado por pessoas extraordinárias, que acreditaram em mim antes mesmo que eu acreditasse em mim mesmo. 

Sou profundamente grato às professoras Jussara, Tamara, Renata Esperidião e Zanna Mattos, à diretora Nelcilândia Arouca, à Dona Carla Maísa, aos meus amigos, aos meus professores e a todas as pessoas que decidiram caminhar ao meu lado em diferentes momentos da minha vida. 

Sou grato, de maneira muito especial, à minha mãe, Ivana Rita Lima da Glória. Foi ela quem sustentou nossa família durante tantos anos com muito trabalho, coragem e amor.

Mesmo diante das dificuldades, nunca deixou que faltassem valores dentro de casa. Foi ela quem me ensinou que honestidade, respeito e caráter são riquezas que ninguém pode tirar de nós. Meu pai, Kleiton, retornou para nossa família alguns anos depois e hoje seguimos juntos.  

Também sou profundamente grato à minha tia-avó Maria das Graças, nossa querida Tia Gal, uma das pessoas mais importantes da minha vida, e à sua filha, Juliana, que sempre foi como uma segunda mãe para mim e para os meus irmãos.

Aos meus tios e Tia Junior, Josy e Iraide, Meu avô Pereira bom cada pessoa teve sua importância na construção da minha história. 

Como um jovem negro, periférico, vindo da escola pública e de uma família simples, marcada pelo trabalho na casa de farinha e pela luta diária, jamais imaginei ocupar espaços que um dia pareciam tão distantes. 

Hoje faço parte da Rejuma - Rede da Juventude pelo Meio Ambiente, do Coletivo Jovem de Meio Ambiente (CJ) e represento a juventude em diferentes espaços de participação social, como a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Bahia (CIEA) e outros conselhos. 

Também tive a alegria de representar minha cidade, meu estado e meu país em diferentes conferências, projetos, pesquisas e espaços de construção coletiva. Cada uma dessas experiências reforçou em mim a certeza de que a educação é capaz de transformar vidas. 

Quando olho para trás, vejo que minha história nunca foi construída sozinho. 

Ela foi escrita pelas mãos da minha mãe, da minha avó, dos meus professores, dos meus amigos, de todas as pessoas que acreditaram em mim e, acima de tudo, pelas mãos de Deus. 

Se hoje consigo ocupar esses espaços, é porque alguém, um dia, acreditou que um menino da escola pública de Feira de Santana também poderia sonhar. 

Por isso, a principal mensagem que desejo deixar é simples: 

A educação transforma. 

Ela transforma pessoas, famílias, comunidades, territórios e futuros. 

Independentemente da origem, da condição financeira ou das dificuldades encontradas pelo caminho, a educação continua sendo um dos instrumentos mais poderosos para mudar realidades. 

Eu sou Ivan Kleiton da Glória Ferreira. Sou filho da escola pública, fruto da educação e da esperança de todos aqueles que acreditaram em mim. E esta é a minha história."  

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