Cidade completa 193 anos nesta sexta-feira; mudança para 18 de setembro reconheceu uma interpretação histórica defendida pelo religioso e pesquisador
Por Everaldo Goes
Feira de Santana completa 193 anos nesta sexta-feira, 18 de setembro. A data que hoje representa a emancipação política do município, entretanto, somente passou a ser adotada oficialmente no início deste século. A mudança encerrou uma antiga discussão sobre o nascimento administrativo de Feira e reconheceu uma interpretação histórica defendida durante décadas pelo monsenhor Renato de Andrade Galvão.
Por muito tempo, o aniversário da cidade foi comemorado em 16 de junho, data da Lei Provincial nº 1.320, de 1873, que elevou a Vila da Feira à categoria de cidade, então denominada Comercial Cidade de Feira de Santana. O centenário desse ato foi celebrado com destaque em 1973, e as comemorações em junho permaneceram até o fim do século 20. Outros estudiosos, porém, sustentavam que o marco deveria ser 18 de setembro de 1833, quando foi instalada a Vila de Feira de Sant'Anna e tomou posse a primeira Câmara Municipal.
A defesa feita na Câmara
Entre os principais defensores da mudança estava monsenhor Renato Galvão. Em 1979, durante uma sessão solene realizada pela Câmara Municipal no dia 16 de junho, o religioso e historiador apresentou os argumentos favoráveis à adoção de 18 de setembro. A tese considerava que a organização política e administrativa de Feira não havia começado com a elevação à categoria de cidade, em 1873, mas quatro décadas antes, com a instalação da Vila e da primeira Câmara.
Monsenhor Renato Galvão lembrava que, quando a Lei Provincial nº 1.320 foi aprovada, Feira já possuía Câmara Municipal, autoridades constituídas, escolas em funcionamento, cadeia pública e até um jornal em circulação, "O Feirense". Na interpretação do pesquisador, a cidade já existia de fato como núcleo administrativo, político e social. A legislação de 1873 teria apenas concedido uma nova classificação a uma estrutura organizada desde 1833. A tese foi reconhecida oficialmente no ano 2000, após a morte do monsenhor, e o aniversário passou a ser celebrado em 18 de setembro. Em 2001, ocorreu a primeira comemoração na nova data. Em 2005, a programação ganhou maior dimensão com a criação da Ordem Municipal do Mérito de Feira de Santana.
Uma vida dedicada à fé, à educação e à memória
Renato de Andrade Galvão nasceu em Brejões, em 11 de maio de 1918, e foi ordenado sacerdote em 25 de novembro de 1942. Atuou como capelão e em diferentes paróquias do interior da Bahia até assumir, em 1965, a função de cura da Catedral de Sant'Ana, em Feira de Santana. Foi promovido a monsenhor em 1967 e permaneceu ligado à Catedral até morrer, em 25 de março de 1995. Também teve uma breve participação na política, ao ocupar o cargo de prefeito de Cícero Dantas.
Além da atuação religiosa, monsenhor Renato Galvão exerceu atividades no ensino e na pesquisa histórica. Foi professor, primeiro vice-reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana e conselheiro de instituições culturais e acadêmicas. O acervo pessoal foi doado à Uefs e integra a Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão, vinculada ao Museu Casa do Sertão. O nome também identifica a praça onde está localizada a Catedral de Sant'Ana. Ao comemorar 193 anos, Feira recorda, assim, o trabalho do sacerdote, educador e pesquisador que ajudou o município a reconhecer a própria história.
Everaldo Goes, graduado em História e jornalista, editor do Feira Hoje
Fonte: @feirahoje


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