Por Paulo Cesar Bastos
O tempo e o momento decisivo valem mais um oportuno e bom debate sobre o Aeroporto de Feira de Santana. Considerado, atualmente, um problema mundial, o tráfego aéreo trabalha em níveis cada vez mais críticos, beirando o colapso operacional. A redução dos congestionamentos dos grandes aeroportos vem ganhando relevância no planejamento das entidades reguladoras do transporte aéreo em todo o mundo.
Fato interessante: a proximidade de aeroportos, longe de ser uma competição, configura-se como um fator positivo para a segurança aérea e fomento de novos negócios.
Os exemplos para esse fato são diversos. Em São Paulo operam três aeroportos de porte, bem próximos: Congonhas na Capital, Cumbica em Guarulhos e Viracopos em Campinas. No Rio de Janeiro existem dois: o Internacional do Galeão e o Santos Dumont na área urbana. Nos EUA, temos os movimentados aeroportos de Miami e Fort Lauderdale, na Flórida, próximos um do outro, enquanto Nova York possui três aeroportos principais e três auxiliares. E vai por aí, no Velho Continente: a iluminada Paris utiliza o moderno e monumental Aeroporto Charles De Gaulle junto com o tradicional Orly.
Visto isso, o aeroporto regional de Feira de Santana é importante e necessário para a Bahia. Portanto, urgem e valem as iniciativas no sentido de viabilizar a implantação dos melhoramentos necessários em um patamar suficiente para colocar esse aeroporto operando e como uma peça importante no sistema aéreo brasileiro. Ampliado, melhorado, adaptado e adequado à atividade de operar, também, como alternativa estratégica e auxiliar ao aeroporto de Salvador.
Como diz o ditado popular: quem tem dois, tem um. Aí está uma solução alternativa para o tráfego aéreo. Caso ocorra superlotação de aeronaves no aeroporto principal em Salvador, parcelas do tráfego poderão ser direcionadas para um local próximo e com menor demanda. Essa estrutura de contingência será imprescindível.
A crescente expansão econômica do município, sede da primeira região metropolitana do interior da Bahia, e do território de influência aliado à necessidade de um terminal alternativo para Salvador serão os suportes para garantir a viabilidade do equipamento. A ampliação e os melhoramentos aumentariam a segurança e a confiabilidade do aeroporto, criando interesse das empresas, tanto de carga como as regionais de passageiros.
Análises e estudos de viabilidade, no entanto, é que poderão definir a necessidade e o porte do aeroporto para cargas e para passageiros, considerando os aspectos referentes ao mercado, à engenharia, aos impactos ambientais e econômicos. Importaria, também, considerar a operação, do aeroporto agregada aos modais rodoviario e ferroviário, para um futuro Centro Logístico, vocação secular da plana e dinâmica cidade que é o Portal do Sertão.
Vamos avançar e inovar para voar. Como está, não deve ficar.
Paulo Cesar Bastos é engenheiro civil. Publicado em "A Tarde", em 5 de setembro de 2026


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