Deu no Blog Reinaldo Azevedo:
Caso Dilma (Rousseff) seja eleita presidente da República, uma coisa sabemos: será um governo de continuidade mesmo, ao menos no que diz respeito à propaganda. Ela assimilou direitinho o método.
Vamos ver. O PAC existe? Não! O PAC não existe. Trata-se de um apelido que se dá para as obras públicas que estão em curso - que, bem..., deveriam mesmo estar em curso, fossem chamadas de PAC, PEC, PIC, POC ou PUC. Essa consideração deveria ser um “a-e-i-o-u” do jornalismo, mas não é. Nós, os jornalistas, a imprensa de maneira geral, acabamos atuando como porta-vozes dos marqueteiros oficiais. E agora a vaca já foi para o brejo. Qualquer pontezinha em Xiririca do Mato Adentro está relacionada ao... PAC - pode não fazer parte do núcleo das obras consideradas importantes, mas está lá.
O PAC tem sido o instrumento por meio do qual o governo federal se apropria de obras que não são suas. Naquelas realmente vultuosas, que exigem grandes recursos, a maior parte do dinheiro sai dos estados e dos municípios. Quando Dilma diz que não haverá exploração eleitoreira do PAC, estamos diante do que eu chamaria de uma “mentira complexa”. Por quê?
Em primeiro lugar porque, obviamente, acontece o contrário: o PAC é o grande instrumento de propaganda dos palanques governistas - e Dilma subirá em quantos puder porque pretende associar a sua figura ao tal plano. Assim, a realidade é exatamente oposta àquilo que se anuncia. Até aqui, mentira clássica. Ela vai se tornando complexa quando se sabe que não só o governo faz o contrário do que diz fazer como explora eleitoralmente o que não lhe pertence. O governador José Serra lembrou, dia desses, a realidade do programa de moradia na Baixada Santista. Previsão de gasto: 2,6 bilhões. É obra do PAC. Dinheiro do governo de São Paulo: R$ 1,8 bilhão.
Então por que o governantes não rejeitam a ajuda federal? Porque isso lhes custaria caro de várias maneiras. Quando menos, seriam acusados de prejudicar a população em razão de questões político-partidárias. E faria sentido.
Como se enfrenta isso? As oposições deveriam ter constituído um núcleo estratégico, de Inteligência, para enfrentar a enorme força do governo federal - qualquer que seja ele - e a capacidade do PT de ditar a pauta, já que é um partido de raízes bastante profundas na chamada “sociedade civil”, ONGs, movimentos sociais - e se inclua aí a imprensa. Mas quê... O PSDB mal se entende.
Dilma dá largada à sua pré-campanha eleitoral, tentando se tornar viável dentro do PT, exibindo como suas obras que não lhe pertencem. Esse seria o passado de realizações. No horizonte utópico, está o nacionalismo oportunista e bocó da nova campanha “O Petróleo É Nosso”.

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