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sábado, 14 de fevereiro de 2026

O dia em que meu pai foi presidente


Todos atentos para a escolha dos candidatos  a prefeito e vereadores.

Por Reynivaldo Brito

Quando se fala atualmente em presidente de partido vem logo na cabeça das pessoas que está recebendo muitos milhões do Fundo Partidário. Este ano por exemplo os dezenove partidos com representantes no Congresso Nacional já  receberam um total superior a um bilhão de reais. Dinheirame este que desaparece neste cipoal de maneiras não  republicanas. Este fundo foi criado em 1965 pela primeira Lei Orgânica dos Partidos Políticos, sancionada pelo presidente Humberto Castelo Branco. Fui vendo esta soma de recursos que daria para tirar centenas de pessoas da miséria que lembrei de um fato que presenciei. Perguntei ao meu pai  se recebia alguma remuneração ou se sabia se o partido que ele presidia recebia algum recurso, e ele simplesmente ignorava tudo isto. Todo o controle  estava com o chefe político local e não com ele.

Não lembro exatamente o ano, mas foi na década de 70 quando estava visitando meus pais em Ribeira do Pombal, interior da Bahia, e tomei conhecimento que haveria a convenção do partido  a que ele pertencia. Fiquei ainda sabendo que tinha sido escolhido presidente da entidade e como tal iria dirigir os trabalhos durante a convenção. Foi neste momento que passei a ficar preocupado. O meu pai tinha o pavio curto e não costumava levar desaforo para casa. Tinha cerca de dois metros de altura e era um homem corpulento . Todos sabem que as reuniões políticas costumam ser protagonizadas por alguns inflamados que discutem, trocam impropérios e às vezes até bofetões.

Diante disto resolvi acompanha-lo até o local onde iria ocorrer a tal convenção. Lá chegando havia uma mesa grande  e várias  poltronas  em semicírculos  para os convencionais e convidados. Na hora prevista o secretário do Partido anunciou a abertura e passou os trabalhos para meu pai. Ele pigarreou e com sua voz grave conclamou a todos que votassem com sua consciência. Foram distribuídas as cédulas com os nomes dos candidatos a prefeito e vereadores, sem nenhuma intercorrência. Ao final foi feita a contagem dos votos e ganhou para ser candidato a prefeito um sujeito que era comerciante conhecido na cidade, mas que não gozava de bom conceito.

Neste momento em diante inconformado com o resultado meu pai, presidente do partido, repetia baixinho sem parar. "Eu não voto nesta desgraça!". Me aproximei e pedi a ele que não ficasse repetindo àquela frase porque poderia vazar e complicar as eleições. Mas, ele deu pouca importância a minha preocupação e ao deixar o recinto da convenção já corria de boca-a-boca na Cidade que nem mesmo o presidente do partido ia votar no candidato a prefeito. Resultado, o candidato não conseguiu ser eleito e meu pai na convenção seguinte já não era o presidente do partido.

Fonte: https://reynivaldobrito.blogspot.com/

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