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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Carlos Brito e o patrimônio artístico e cultural de Feira de Santana

Professor e memorialista palestra Rotary Club de Feira de Santana

"Cada cidade tem uma alma. E a alma de Feira de Santana está na sua memória"




1. Carlos Brito: "Preservar para existir"

2. Palestrante recebe certificado de José Raimundo de Azevêdo e Dázio Brasileiro Filho

3. Rotarianos atentos à fala do memorialista

"O patrimônio artístico e cultural de Feira de Santana  para mim, não é apenas objeto de estudo ou de trabalho, mas uma verdadeira causa de vida". Com essa declaração, o professor e memorialista Carlos Brito abriu a palestra "Preservar para existir", no início da tarde desta terça-feira, 10, durante reunião almoço do Rotary Club de Feira de Santana na Churrascaria Los Pampas.

- Quando falamos em patrimônio, muitas pessoas pensam imediatamente em prédios antigos, fotografias amareladas ou coisas do passado. Mas patrimônio não é passado morto. Patrimônio é presença. É aquilo que continua nos acompanhando, mesmo quando não percebemos - considerou Brito.

Para ele, "cada cidade tem uma alma. E a alma de Feira de Santana está na sua memória."

Disse mais que "patrimônio é tudo aquilo que nos diz quem somos, de onde viemos e por que estamos aqui. É o que nos dá identidade. É o que nos diferencia de qualquer outro lugar do mundo. Se amanhã Feira de Santana perdesse todos os seus marcos históricos, suas tradições, sua arte, suas referências culturais, ela continuaria sendo apenas um território. Mas deixaria de ser uma cidade com identidade."

- E identidade não se constrói do dia para a noite. Ela é formada ao longo do tempo, com o trabalho, a fé, os sonhos e as lutas de muitas gerações - continuou o memorialista.

Cidade de encontros

Carlos Brito discorreu que "Feira de Santana nasceu do encontro. Do encontro de caminhos, de culturas, de pessoas, de atividades econômicas e de expressões culturais diversas. Desde cedo, esta cidade foi ponto de passagem, mas também foi lugar de permanência, de construção de vínculos e de memória. Nada aqui surgiu por acaso. Cada rua, cada praça, cada prédio histórico, cada manifestação cultural carrega uma história. Histórias de homens e mulheres que, com simplicidade ou com grandeza, ajudaram a construir a Feira de Santana que conhecemos hoje."

E continuou: "Quando olhamos para o nosso patrimônio material - para prédios como o Paço Municipal Maria Quitéria, o Casarão Fróes da Motta, a antiga Estação Ferroviária, a Santa Casa de Misericórdia, as igrejas históricas - não estamos vendo apenas paredes, janelas e telhados. Estamos vendo testemunhas silenciosas do tempo. Esses edifícios viram a cidade crescer. Viram gerações nascerem, estudarem, trabalharem, se apaixonarem e partirem. Eles guardam histórias que não estão apenas nos livros, mas impregnadas em cada detalhe da sua arquitetura. Quando um prédio histórico é descaracterizado ou demolido, não se perde apenas uma construção. Perde-se uma parte da narrativa da cidade. E essa perda é irreversível. Não há como reconstruir a memória com a mesma autenticidade depois que ela é destruída."

Como guardião da memória, Carlos Brito falou ainda que: "Mas o patrimônio de Feira de Santana não está apenas no que podemos tocar. Ele vive, sobretudo, nas pessoas. A Feira Livre, por exemplo, é muito mais do que um espaço de comércio. Ela é um patrimônio vivo. É um lugar de encontros, de trocas, de saberes populares, de sotaques, de cheiros e de cores. É um espaço onde a cultura se manifesta todos os dias, de forma espontânea e verdadeira."

E disse mais: "Nossa música, nossas filarmônicas, nossos maestros, nossos artistas plásticos, escritores, fotógrafos e cronistas também são patrimônio. A arte é uma forma poderosa de preservar a memória. Ela registra aquilo que o tempo insiste em apagar. Cada música composta, cada quadro pintado, cada livro escrito sobre Feira de Santana é uma declaração de pertencimento. É uma forma de dizer: nós existimos, nós construímos esta cidade, e nossa história importa."

Inimigo é o esquecimento

Ele chamou a atenção de que o "maior inimigo do patrimônio não é o tempo. O maior inimigo do patrimônio é o esquecimento. Uma cidade que esquece sua memória corre o risco de se tornar apenas um lugar de passagem, sem raízes, sem referências, sem identidade. O progresso que destrói a memória não é progresso. É perda."

Para Brito, preservar o patrimônio não significa impedir o desenvolvimento. "Pelo contrário. As cidades que sabem preservar sua história são justamente aquelas que conseguem crescer com identidade, com autoestima e com qualidade de vida."

Marcos da Fundação Senhor dos Passos

Para exemplificar, ele citou a Fundação Senhor dos Passos, uma entidade que vem buscando, desde a sua criação em 16 de maio de 1996, se consolidar como uma instituição voltada à preservação da memória histórica e do patrimônio cultural de Feira de Santana. Originada a partir de um grupo ligado à Paróquia Senhor dos Passos, a Fundação surgiu com a missão de resguardar, documentar e difundir aspectos centrais da história local, fortalecendo a identidade cultural da cidade e promovendo o conhecimento sobre suas raízes sociais e arquitetônicas.

Ele lembrou que um dos principais marcos da atuação da Fundação foi a aquisição e restauração do Casarão Fróes da Motta, um "imóvel histórico tombado que se tornou espaço de memória, cultura e convivência. A preservação desse patrimônio material evitou a perda de um dos edifícios mais representativos do período eclético da arquitetura urbana feirense, transformando-o em local de eventos culturais, exposições, lançamentos de livros e atividades educativas abertas à população."

A instituição também se destaca pelo resgate documental e pela produção editorial. Ao longo de quase três décadas, foram organizadas e publicadas mais de 30 obras - incluindo livros, coletâneas de crônicas e registros históricos -, que contribuem para uma narrativa plural da história de Feira de Santana. "Essas publicações ampliam o acesso ao conhecimento histórico e descentralizam a memória da cidade além dos pontos mais conhecidos, valorizando personagens, instituições e acontecimentos que moldaram a trajetória local", como declarou.

Ainda lembrou que a Fundação Senhor dos Passos tem investido sistematicamente na preservação audiovisual e fotográfica por meio de acervos digitais e projetos como o Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie E. Poppino. Esse trabalho torna disponível um conjunto valioso mais de 250 vídeos e gravações de programas de rádio e mais de 80.000 registros históricos, que "em um espaço muito breve serão acessíveis à comunidade por meio de plataformas online e que se tornarão referência para pesquisas acadêmicas, educativas e culturais."

Outro aspecto importante do desempenho da Fundação, conforme o palestrante, é a promoção de parcerias internacionais e ações educativas. "Um exemplo recente foi a assinatura de convênios com instituições estrangeiras, ampliando o alcance de programas culturais e possibilitando intercâmbios científicos e técnicos que enriquecem as iniciativas de preservação e difusão histórica."

A atuação da Fundação Senhor dos Passos também se estende à requalificação e restauração de bens culturais - incluindo igrejas históricas e espaços comunitários - e ao apoio à recuperação de manifestações culturais como a Sociedade Filarmônica 25 de Março e recuperação de 750 partituras de música de filarmônicas contribuindo para manter vivas tradições musicais e artísticas.

Ele sintetizou que o desempenho da Fundação na preservação do patrimônio cultural de Feira de Santana tem sido marcado por uma abordagem ampla e integrada: "ação sobre bens materiais (restaurações e manutenção de edifícios históricos), preservação imaterial (publicações, acervos digitais, projetos educativos), estímulo à reflexão histórica coletiva e construção de redes de cooperação. Essas iniciativas não apenas resguardam o passado, mas também fortalecem a identidade cultural e o senso de pertencimento da comunidade feirense."

Valores do Rotary

Carlos Brito ainda fez uma ligação direta com os valores do Rotary. "O Rotary nasceu para servir. E servir também é preservar. Preservar valores, preservar histórias, preservar referências que ajudam uma comunidade a se reconhecer, a se orgulhar e a se projetar para o futuro. O patrimônio cultural não é algo distante da ação social. Ele é, na verdade, uma das suas formas mais profundas. Porque quando preservamos a memória de uma cidade, estamos educando. Estamos fortalecendo vínculos. Estamos formando cidadãos mais conscientes e comprometidos com o lugar onde vivem."

Por fim, ele encerrou sua fala deixando uma reflexão - e, ao mesmo tempo, um convite: "Feira de Santana precisa de guardiões da sua memória. Precisa de instituições que compreendam que cuidar do patrimônio cultural é cuidar das pessoas, da identidade coletiva e da história comum. O Rotary, pela sua trajetória, pelo seu prestígio e pela sua capacidade de mobilização, tem todas as condições de ser protagonista em um projeto cultural voltado à preservação da memória de Feira de Santana."

Segundo explicou um projeto que pode assumir muitas formas: apoio à educação patrimonial, incentivo à preservação de acervos históricos, valorização da arte local, promoção da memória da cidade junto às novas gerações.

"Não se trata apenas de financiar ações. Trata-se de abraçar uma causaDe deixar um legado que vá além do presente e permaneça como referência no futuro. Daqui a alguns anos, quando alguém perguntar quem ajudou a preservar a história de Feira de Santana, que se possa dizer: o Rotary esteve láQue se possa dizer: o Rotary compreendeu que preservar a memória também é servirFeira de Santana não é apenas o lugar onde moramos. É o lugar que nos formou. É o lugar que nos deu identidade. Cuidar do seu patrimônio artístico e cultural é um ato de amor à cidade - e um dos mais nobres serviços que podemos prestar à comunidade", encerrou.


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