Enquanto os iranianos lutam pela liberdade, londrinos aplaudem os assassinos teocratas.
Brendan O'Neill, da Spiked, para a revista Oeste:
Se você quer saber o que significa traição, basta olhar para a marcha reacionária que tomou as ruas de Londres há duas semanas. Para ver o verdadeiro significado de traição, de hipocrisia, de uma apunhalada nas costas um povo já oprimido, testemunhe aqueles londrinos idiotas cantando louvores à República Islâmica no exato momento em que o grande povo do Irã luta para derrubar esse regime perverso. "Liberdade!", gritam os jovens iranianos. "De jeito nenhum", respondem as aberrações da capital britânica, com o cérebro corroído pelo islamismo.
Tomar as ruas para exaltar os teocratas impiedosos de Teerã já seria ruim em qualquer momento. Fazê-lo quando milhares de pessoas foram massacradas por esses teocratas pelo "crime" de ansiar por liberdade é imperdoável. Mas foi isso que aconteceu. Bem no seio da livre e moderna Londres. Milhares se reuniram numa marcha para vomitar sua baboseira reacionária sobre o "abjeto Estado Judeu" e sua crença descabida de que os aiatolás do Irã são uma força do bem. O movimento disfarçado de "protesto" foi, na verdade, uma dança em massa sobre as covas daqueles que foram trucidados pelos mulás.
A marcha foi convocada pela Coalizão Palestina, um grupo de burgueses imbecis que confunde odiar Israel com ter personalidade. Dos patetas de keffiyeh da Campanha de Solidariedade à Palestina aos hippies decadentes da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, todos invadiram as ruas para lamentar os milhares de inocentes mortos pelos tiranos do Irã. Só que não - eles foram choramingar contra Israel. Enfim, o que mais podem fazer?
Apoiadores assistem a dezenas de milhares de manifestantes pró-Palestina que marcham da Russell Square até Downing Street, em Londres, Reino Unido, em 31 de janeiro de 2026, para a 34ª Marcha Nacional pela Palestina Fato é que, sequer cogitando oferecer solidariedade aos iranianos, falsos progressistas ainda zombaram dessas pobres almas aplaudindo seus assassinos. Alguns carregavam cartazes com o rosto do aiatolá Khamenei. Outros agitavam a bandeira da República Islâmica. E, claro, havia o habitual "antissionismo" demente que se apossou tanto das classes médias liberais quanto dos radicais islâmicos como uma erva daninha. Os privilegiados birrentos da Geração Z pediam para "chutar os sionistas para fora, fora, fora", chegando a encenar chutes para mostrar o tipo de violência que adorariam infligir aos "judeus malignos e invasores da Terra Santa". "Globalize a intifada", eles cantavam, para escancarar sua gana por violência.
Foi uma orgia de intolerância do tipo a que tristemente nos acostumamos desde 7 de outubro de 2023. Mas ainda pior. Para todos os efeitos, foi uma manifestação pró-assassinato, uma marcha em defesa da violência religiosa medieval, uma profusão de desculpas para a chacina apocalíptica de milhares de civis. Não quero ouvir um pio sequer das classes apreciadoras de brunch tentando se justificar: "Estávamos lá apenas para mostrar nosso apoio a Gaza", porque no minuto em que viram a bandeira da República Islâmica, o rosto do aiatolá e multidões elogiando aqueles açougueiros em Teerã deveriam ter se retirado. O fato de não terem feito isso, de terem se misturado de bom grado com apologistas da tirania islâmica, diz muito. Sugere que seu ódio descontrolado por Israel sufocou todas as suas faculdades morais.
Não contentes em derramar elogios aos islamistas assassinos do Irã, alguns também exaltaram seus representantes antissemitas. Houve pedidos para descondenar não apenas a Ação Palestina, mas também o Hezbollah e o Hamas. Os capangas do Hezbollah foram mobilizados para reprimir brutalmente o povo iraniano que anseia por liberdade. Imagine que você é uma mulher iraniana de 21 anos cujo rosto foi desfigurado por algum bárbaro misógino do Líbano. E então você vê pessoas em Londres que não estão do seu lado, mas sim do lado dele. Pedindo não para você ser libertada da tirania religiosa, mas para ele ser descondenado pelo governo britânico. O sentimento de traição seria avassalador.
Ameneh Bahrami, que ficou cega dos dois olhos em 2004 quando Majid Mohavedi jogou ácido em seu rosto depois que ela rejeitou suas propostas de casamento Precisamos encarar a gravidade do que aconteceu em Londres no sábado. Multidões se alinharam com o fanatismo islâmico. Abraçaram os assassinos de mulheres. Alinharam-se publicamente, com orgulho, às classes venais de aiatolás que ficam felizes em devastar milhares de vidas em nome da preservação de seu poder corânico. Foram raros os momentos em que a decadência moral das classes militantes esteve tão explícita - um regime religioso psicopata massacra milhares e essas pessoas dizem "Mas e Israel?!" ou, pior, "Ótimo".
A marcha de sábado foi um funeral da decência moral. Ninguém em sã consciência, com uma postura moral sólida, pode estar minimamente confuso sobre de que lado ficar no caso do Irã. Trata-se de uma teocracia que pune selvagemente as mulheres por viverem livres, que prende impiedosamente dissidentes e apóstatas, que matou sem pudor milhares que ousaram desejar liberdade. Se você olha para isso e pensa, "É complicado", então você abandonou completamente o reino da razão. Você fez as pazes com a barbárie.
Alguns dizem que os "gazólatras" das classes ativistas estão sendo hipócritas. Essas pessoas choram pelos mortos de Gaza, mas ignoram os mortos do Irã. Eu discordo. Há uma coerência moral aqui. Pois, tanto em sua fúria anti-Israel quanto em sua indiferença à carnificina no Irã, essas pessoas estão se aliando ao carnaval sangrento que é o fanatismo islâmico. Sua apologia do 7 de outubro e seu silêncio vergonhoso acerca dos massacres iranianos brotam da mesma fonte sombria e distorcida - uma simpatia estranha pelo islamismo, a crença de que esse fanatismo religioso representa algum tipo de resistência ao Ocidente, a Israel, ao capitalismo, à modernidade. Sua ira pela guerra em Gaza e sua frieza em relação ao massacre no Irã são provas sinistras da podridão moral do identitarismo.
Por quanto tempo mais entregaremos nossas ruas aos odiadores de Israel e ao fã-clube dos aiatolás? Às classes médias que aplaudem a intifada e aos islamistas que adoram os mulás? Àqueles que pensam que o revide da nação judaica contra seus invasores é "genocídio", mas o assassinato em massa de manifestantes por teocratas armados não é motivo para celeuma? Solidariedade em massa com os iranianos é do que precisamos agora. Só quero ver a bandeira da República Islâmica nas ruas de Londres se, no minuto seguinte, alguém atear fogo nela.
Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024.

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