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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Enfatizando vínculos familiares de Feira de Santana com ACM Neto


1. ACM Neto com Mário Wilson Nou Falcão mais a esposa Fabiana Fadigas Falcão e os filhos Arthur e Letícia 

2. Mário Wilson com o anfitrião João Lima e o pré-candidato ao Senado João Roma

Anfitrião de recente evento que reuniu lideranças políticas na Fazenda São João da Fortaleza, em Boa Vista do Tupim, o engenheiro civil e produtor rural João Lima Pereira Filho enfatiza a existência de vínculos familiares consolidados de Feira de Santana com o pré-candidato a governador ACM Neto.

Na calorosa recepção realizada, entre vários encontros, o do neto de Antonio Carlos Magalhães (ACM) com Mário Wilson Nou Falcão, que é neto de Wilson da Costa Falcão e Mário Linhares Nou, o que ratifica a consideração de João Lima sobre família

Foi lembrado que o político feirense Wilson Falcão, contemporâneo e aliado, era muito ligado ao então também deputado federal ACM, ambos da UDN. Por sua vez, no mesmo período, a referência ao executivo Mário Nou, que chegou à presidência do Baneb e à presidência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do Paraguassu.

Também ocorreu encontro entre Mário Wilson e o pré-candidato ao Senado João Roma, que também vai destacar a questão de valores familiares na campanha.

Mário Wilson é médico veterinário e atua como fiscal agropécuário. Mora em Salvador e tem propriedade rural em Boa Vista do Tupim, mantendo os laços com Feira de Santana. Ele vê as pré-candidaturas de ACM Neto e de João Roma como a solução dos problemas que a Bahia enfrenta. "É a única esperança que temos", declarou.

De Feira para o Brasil: arquiteto feirense vence concurso nacional da Todeschini e estampa capa da Casa Vogue

Hugo Ribeiro é o grande vencedor do Todeschini Por 2025 e leva projeto concebido em Feira de Santana à capa da Vogue Casa. "É Feira de Santana sendo revelada e exaltada".



Feira de Santana amanheceu maior quando o nome de um arquiteto da cidade passou a circular nos principais veículos de arquitetura e design do país. Aos 33 anos, Hugo Ribeiro é o grande vencedor do concurso Todeschini Por 2025 e estampa a capa da Casa Vogue deste mês; um feito inédito para projeto concebido na cidade.

O reconhecimento veio após uma disputa nacional que começou com mais de 250 projetos, afunilou para 27 selecionados, depois cinco finalistas, até a escolha do vencedor. "Foi muito emocionante. Concorrer com grandes escritórios brasileiros e saber que vencer ali é um sonho da maioria dos profissionais é algo que marca a trajetória", afirma Hugo.

O projeto premiado, batizado de "Saint Remy", foi desenvolvido em Feira de Santana, em parceria com a Todeschini da cidade, e carrega uma característica central no trabalho do arquiteto: autenticidade. Com base limpa e atemporal, o apartamento equilibra estilos distintos dos moradores e ganha identidade na curadoria de obras de arte e na escolha do mobiliário. Para Hugo, arquitetura é tradução. "Nosso papel é entender o cliente e transportar essa identidade para a moradia. A assinatura existe, mas quem mora ali não sou eu."

Ao saber que o projeto seria publicado na Casa Vogue, o arquiteto fez questão de ampliar essa identidade. Incluiu no apartamento obras de artistas como Bel Borba e Igor Rodrigues, reforçando o diálogo com a produção artística baiana. "Era a primeira vez que um projeto de referência daqui chegaria a esse espaço. Fiz questão de levar artistas comigo. Feira tem potencial artístico, cultural e arquitetônico. É importante mostrar essa qualidade e tirar o rótulo de que o regional é menor."

A conquista também projeta o arquiteto nacionalmente. Estar na capa da principal revista do setor, segundo ele, envolve não apenas estética, mas curadoria, especificação, atendimento e execução. "É um posicionamento. Para chegar lá, a entrega precisa corresponder ao nível de exigência da publicação."

Parceria e reconhecimento

A premiação é promovida pela Todeschini, marca com mais de 85 anos de história. Em Feira de Santana, a diretora e sócia-administradora da unidade local, Patrícia Matos, destaca que o concurso tem como objetivo valorizar a diversidade da arquitetura brasileira e revelar talentos em todas as regiões do país.

"O Brasil tem dimensões continentais e expressões culturais únicas. Reconhecer profissionais fora do eixo Rio-São Paulo é reafirmar que a excelência não está limitada aos grandes centros. O Nordeste vive um momento de maturidade criativa, e ver um projeto concebido em Feira alcançar projeção nacional e internacional é motivo de celebração", afirma.

Segundo Patrícia, o projeto de Hugo chamou atenção pela qualidade técnica, pela sensibilidade na escolha dos materiais e pela personalidade. "Há uma identidade muito clara do morador e uma assinatura autoral forte. Além disso, o trabalho trouxe referências culturais da nossa região, o que resultou em um projeto único."

A relação próxima entre a marca e os profissionais locais foi determinante para a inscrição no concurso. "Foi Patrícia quem despertou em mim o interesse de participar", reconhece Hugo.

Como parte da premiação, o arquiteto embarca em abril para o Salone del Mobile, em Milão, maior feira de design do mundo. Embora acompanhe o evento há anos, ele reforça que seu interesse não é seguir tendências, mas compreender comportamentos e adaptá-los à realidade brasileira. "É entender o que vem de fora e misturar com o que temos aqui. O Brasil é muito rico, a Bahia é muito rica, Feira também."

Para Patrícia, a conquista ultrapassa o reconhecimento individual. "É Feira de Santana sendo revelada e exaltada. Quando um projeto daqui ganha o Brasil, toda uma cadeia é impactada, da construção civil ao design. É de Feira para o mundo.”

A capa da Casa Vogue simboliza um marco para a carreira de Hugo Ribeiro, mas também reposiciona a arquitetura produzida no interior da Bahia no mapa nacional. Em um cenário onde identidade e diversidade ganham força, Feira de Santana passa a ocupar, oficialmente, esse espaço.

Fotos: Gabriela Daltro

Enviado por Orisa Gomes, da Notre Comunicação


Maria Quitéria sem Feira de Santana

Na "Revista da História da Biblioteca Nacional", edição especial nº 100, de janeiro, o artigo "Moça independente", que segue abaixo


Moça independente

Insubordinada desde nova, Maria Quitéria se vestiu com o uniforme do cunhado para lutar pela independência na Bahia


Por Ronaldo Pelli


Maria Quitéria retratada na pintura de Domenico Failutti (1872-1923) Fundação Biblioteca Nacional

"Maria de Jesus é iletrada, mas viva. Tem a inteligência clara e a percepção aguda. Penso que, se a educassem, viria a ser uma personalidade notável. Nada se nota de masculino nos seus modos, antes os possuía gentis e amáveis. (...) Nada notei de peculiar no seu procedimento à mesa, (...) e que fume um cigarro após cada refeição. No mais, muito moderada". Assim a escritora inglesa Maria Graham, tutora das filhas de D. Pedro I, descreveu uma das maiores heroínas do Brasil. Uma mulher que já foi chamada várias vezes de Joana D'Arc brasileira. Uma guerreira que lutou pela independência e se transformou em nome de ruas no Brasil inteiro: Maria Quitéria.
A declaração da Maria inglesa sobre a sua xará, nascida em 27 de julho de 1792 em um sítio em Cachoeira, na Bahia, aconteceu já depois de a Maria baiana ficar famosa. Filha de Quitéria Maria de Jesus e Gonçalo Alves de Almeida, a menina ficou órfã de mãe aos 9 anos. O pai se casou mais duas vezes, e a segunda madrasta deixava claro que não gostava do jeito “independente” da menina. Era bonita, sabia montar, caçar, manejar armas de fogo e, petulância, dançava lundus com os escravos. Não podia.
Essa semente de liberdade brotou em setembro de 1822. No dia 6, um mensageiro do Conselho Interino do Governo da Província foi à fazenda de Gonçalo para pedir voluntários da causa da independência. O pai de Maria Quitéria lamentou não ter filhos homens na idade de lutar, mas Maria Quitéria se ofereceu. O pai a censurou: as mulheres são feitas para fiar, tecer, bordar. Não Maria Quitéria.
Fugiu de casa, pegou a farda do cunhado e se apresentou como soldado Medeiros no Regimento de Artilharia. Semanas depois, foi descoberta, porque o pai a estava procurando. Transferida, então, para o outro batalhão, seu uniforme agora era personalizado: tinha um saiote.                                         
Já em fevereiro de 1823, mostrou bravura. No confronto em Itapuã, invadiu a trincheira inimiga e fez vários prisioneiros. Em abril, na barra do Paraguaçu, avançou mar adentro junto com outras mulheres, com a água na altura dos seios, e impediu o desembarque de uma tropa portuguesa. Em 2 de julho, o Exército Libertador entrou em Salvador, aclamado. Houve homenagens aos comandantes e a Maria Quitéria de Jesus.
Por conta de sua atuação, foi recebida pelo imperador Pedro I - quando se encontrou com Maria Graham - ganhando a insígnia imperial da Ordem do Cruzeiro. Até morrer, em 1853, pobre e quase cega, recebeu um soldo de alferes. Além das homenagens, Pedro I ainda tentou ajudá-la nos assuntos domésticos. Enviou uma carta ao seu pai, Gonçalo de Almeida, pedindo que ele a perdoasse. Não é fácil, mesmo, ter uma filha guerreira em casa.
SAIBA MAIS:
SCHUMAHER, Schuma & BRAZIL, Érico Vital (orgs.). Dicionário Mulheres do Brasil - de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
SOUZA, Bernardino José de. Heroínas baianas. Lisboa: Paralelo Editora, 1972.
VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
NOTA DO BLOG DEMAIS
O autor diz: "em um sítio em Cachoeira". Podia informar mais que Maria Quitéria nasceu no sítio do Licurizeiro, propriedade no Arraial de São José das Itapororocas, na comarca de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, atual município de Feira de Santana, Bahia.

Avanço do enfezamento do milho acende alerta no campo; UPL apresenta solução inédita contra a doença

Transmitida pela cigarrinha, o enfezamento espalha-se rapidamente e pode causar perdas superiores a 70% na produtividade 

A safra 2025/26 de grãos tem expectativa de ser histórica. De acordo com a Companhia de Abastecimento Nacional (Conab), a produção total pode alcançar 353,1 milhões de toneladas. Somente a oferta total de milho deve atingir 138,9 milhões de toneladas. Para que esse potencial se concretize, é preciso que os produtores fiquem alertas a uma das doenças mais severas e complexas do grão: o enfezamento do milho. 

Nelson Peterossi, gerente de fungicidas da UPL Brasil, do grupo UPL Ltd. (NSE: UPL & BSE: 512070, LSE: UPLL), fornecedora global de produtos e soluções agrícolas sustentáveis, explica: "O enfezamento é uma doença sistêmica causada por bactérias molicutes, principalmente Phytoplasma e Spiroplasma, que infectam a cigarrinha do milho (Dalbulus maidis). Esse inseto transmite a doença para a lavoura, comprometendo o desenvolvimento da planta desde os estágios iniciais e afetando diretamente o potencial produtivo do milho". 

Por ser espalhar de forma silenciosa, o enfezamento pode provocar perdas superiores a 70% na produtividade, segundo dados da Embrapa. Um único inseto infectado é capaz de transmitir o patógeno ao se alimentar da planta, introduzindo os molicutes diretamente no floema - tecido vascular das plantas que transporta açúcares, aminoácidos, vitaminas das folhas para outras partes da planta. Lá, eles se multiplicam e se disseminam pela planta. 

Peterossi, destaca: "Antigamente, quando infectadas, as plantas apresentavam sintomas mais evidentes, como redução de crescimento, entrenós curtos, proliferação excessiva, malformação de espigas, espigas improdutivas e enfraquecimento dos colmos, que favoreciam as infecções fúngicas e podiam resultar em tombamento. Atualmente, porém, os sintomas surgem de forma mais sutil, através de sintomas ocultos, mas que ainda assim são capazes de causar perdas significativas de produtividade." 

Outro fator que dificulta o manejo é o aparecimento tardio dos sintomas, que ocorre entre 15 e 40 dias após a infecção. Além disso, atualmente não existe solução que atue diretamente sobre a doença, apenas sobre o inseto transmissor, o que torna a prevenção o principal caminho para evitar grandes prejuízos. 

O gerente da UPL afirma: "O agricultor conta com manejo indireto, baseado no controle do vetor com inseticidas e no uso de híbridos tolerantes. Esse modelo exige múltiplas aplicações, eleva os custos de produção e, ainda assim, não atua diretamente sobre a doença, gerando insegurança e risco elevado de perdas". 

Diante desse cenário, a UPL dá um passo à frente no manejo do enfezamento do milho ao levar para o campo Kasumin, uma solução inédita no mercado brasileiro. A solução inaugura uma nova abordagem no controle da doença ao atuar diretamente sobre os molicutes, e não apenas sobre o inseto transmissor. 

Kasumin é o primeiro e único bactericida sistêmico registrado no Brasil para o controle dos agentes causadores do enfezamento. "À base de casugamicina, a tecnolgia possui alta sistemicidade. Após sua aplicação, é absorvido pela planta translocado internamente, alcançando folhas, caules e novos tecidos em crescimento, exatamente onde os molicutes se instalam". 

Essa característica permite ação preventiva e curativa, combatendo patógenos já presentes e protegendo a lavoura contra novas infecções. O resultado é o reforço da sanidade das plantas e ganhos reais de produtividade com o retorno sobre o investimento garantido. 

Nelson Peterossi, finaliza: "Kasumin reforça o compromisso da UPL de unir inovação e tradição, desenvolvendo soluções que antecipam os desafios do campo. Ao atuar onde os inseticidas não chegam, ele preserva o potencial produtivo do milho e oferece ao agricultor tranquilidade para produzir mais, com segurança". 

Sobre a UPL 

A UPL Ltd. (NSE: UPL & BSE: 512070, LSE: UPLL) é uma fornecedora global de produtos e soluções agrícolas sustentáveis, com receita anual superior a US$ 5,2 bilhões. Somos uma empresa com propósito. Por meio do OpenAg®, a UPL está focada em acelerar o progresso do sistema alimentar. Estamos construindo uma rede que está reimaginando a sustentabilidade, redefinindo a maneira como uma indústria inteira pensa e trabalha – aberta a novas ideias, inovação e novas respostas enquanto nos esforçamos para cumprir nossa missão de tornar cada produto alimentício mais sustentável. Como uma das maiores empresas de soluções agrícolas do mundo, nosso robusto portfólio consiste em soluções biológicas e tradicionais de proteção de cultivos com mais de 15.000 registros. Estamos presentes em mais de 140 países, representados por mais de 12.000 colaboradores em todo o mundo. Para obter mais informações sobre nosso portfólio integrado de soluções em toda a cadeia de valor alimentar - incluindo sementes, pós-colheita, bem como serviços físicos e digitais -, visite www.uplcorp.com/br e siga-nos no Linkedin, no Instagram e no Facebook. 


Enviado por Viviane Passerini - Texto Comunicação Corporativa

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A primeira mulher imortal do Brasil nasceu em Feira de Santana

Há 50 anos, o jornalista Hélder Alencar dedicou uma página inteira do 'Feira Hoje' ao pioneirismo de Edite Mendes da Gama e Abreu


O 'Feira Hoje' dedicou, em 17 de outubro de 1976, uma página inteira à trajetória de Edite Mendes da Gama e Abreu, a primeira mulher do Brasil a ocupar cadeira em uma Academia de Letras.

Décadas antes de a Academia Brasileira de Letras admitir mulheres, Edite já havia rompido a barreira. Em 1938, tomou posse na Academia de Letras da Bahia, após alteração estatutária que permitiu sua entrada em uma instituição até então restrita aos homens.

Muito além do pioneirismo

Educadora, escritora e historiadora - com o nome também grafado como Edith em diversos registros - nasceu em Feira de Santana, em 1903. Fundou a Federação Baiana pelo Progresso Feminino, participou de congressos feministas nacionais e internacionais e presidiu o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo.

Autora de livros, ensaios e mais de 200 conferências, consolidou-se como uma das intelectuais mais importantes do século 20 na Bahia. Faleceu em 1982, anos após a publicação do texto de 1976, deixando legado permanente na educação, na literatura e na luta pelos direitos das mulheres.

Memória que permanece 

Na Academia Feirense de Letras, Edite Mendes da Gama e Abreu é patrona da Cadeira 7, atualmente ocupada pela acadêmica Claudia Gomes. Seu nome integra de forma definitiva a história cultural de Feira de Santana e da presença feminina nas instituições literárias brasileiras. É homenageada com o nome em importante estabelecimento escolar do município.

O autor da homenagem publicada em 1976


Hélder Alencar, foi um dos idealizadores do Feira Hoje, jornalista e advogado, além de procurador jurídico da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Falecido em 2022, deixou contribuição marcante para o jornalismo feirense e para a consolidação institucional da Universidade.




Confira:


FEIRA HOJE
CADERNO DE DOMINGO
Feira de Santana, domingo, 17 de outubro de 1976

UMA FEIRENSE: PRIMEIRA MULHER A SER IMORTAL

Texto: HÉLDER ALENCAR

A Academia Brasileira de Letras, em sua última reunião, na quinta‑feira, pela unanimidade dos seus imortais, modificou os estatutos, permitindo o ingresso de mulheres, até então proibido.

Caiu, assim, um dos mais antigos e retrógrados tabus do Brasil, mantido pelos acadêmicos, sem que houvessem razões mais sérias para a existência de tal preconceito, numa época em que as mulheres assumem posições de destaque na vida humana, deixando de ser apenas a dona de casa, para dar uma contribuição maior e mais decisiva à comunidade, quando toda a humanidade necessita do trabalho, do esforço e da integração de todos, para superar seus problemas, solucionar suas crises e encontrar, com mais facilidade, os caminhos árduos e difíceis, da paz, da concórdia e da felicidade.

Não havia, pois, razão maior, senão um preconceito descabível, para proibir que as mulheres tivessem acesso à Academia Brasileira de Letras, onde, às quintas‑feiras, alguns literatos e outros menos dotados, reúnem‑se para um chá, aproveitando a beleza do crepúsculo e a amenidade do pôr do sol.

Muito antes, entretanto, que a Academia Brasileira de Letras derrubasse o tabu, uma mulher fez parte de uma Academia, aliás a primeira mulher, no Brasil, a ingressar em instituição de tal porte, a feirense Edite Mendes da Gama e Abreu, escritora, historiadora, mestra, que chegou à Academia de Letras da Bahia em 1938, há 38 anos portanto.

Edite Mendes, que mais tarde tornou‑se Edite Mendes da Gama e Abreu, por ter se casado com Jayme Cunha da Gama e Abreu, professor emérito da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, nasceu na Feira de Santana, sendo seus pais João Mendes da Costa, antigo prefeito deste município, e Augusta Falcão Mendes da Costa.

Fazendo seu curso primário no Asilo Nossa Senhora de Lourdes, nesta cidade, foi aluna de uma das mais famosas e competentes mestras da Feira antiga, a professora Estefânia Mena.

Concluído o primário, formou‑se, posteriormente, em professora, no Colégio dos Perdões, em Salvador.

Ao lado do seu trabalho como escritora, historiadora e pesquisadora, Edite Mendes da Gama e Abreu exerceu, durante vinte longos anos, o magistério, como professora de Didática Geral, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia.

A escritora, que, repetimos, ingressou em 1938 na Academia de Letras da Bahia, foi, também, a primeira mulher a ser indicada para compor uma Constituinte Federal, em 1934.

Edite Mendes da Gama e Abreu já publicou, além de 10 opúsculos, sobre assuntos os mais variados, três livros maiores: Problemas do Coragem, um ensaio sobre problemas do amor e do casamento; O Romance, estudo crítico sobre o romance; A Cigana, que é um romance, além de ter feito uma série de conferências.

Além de ser a primeira mulher a ingressar numa Academia de Letras e a ser indicada para uma Constituinte Federal, ela foi, também, a primeira mulher, no Brasil, a presidir um Instituto Histórico, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do qual faz parte há muitos anos, ao lado de outro feirense, não menos ilustre, o poeta Godofredo Rabelo de Figueredo Filho.

Edite Mendes da Gama e Abreu, Godofredo Filho, Hélio Simões e Edvaldo Boaventura compõem o que poderíamos chamar a bancada feirense na Academia de Letras da Bahia, cada qual com seu estilo e seu gênero literário.

A escritora feirense, eleita, há alguns anos, vice‑presidente da Academia, tornou‑se, durante largo período, sua presidente, sendo assim, também a primeira mulher a ocupar a presidência de uma Academia de Letras.

Edite Mendes da Gama e Abreu, além de pertencer à Academia de Letras da Bahia, é membro correspondente das Academias Carioca e Matogrossense de Letras.

Há cinco anos, ela foi distinguida com dois títulos de maior valor: Hermana de América, conferido pela Sociedade Pan‑Americana, que lhe valeu ser considerada a mulher das Américas, em 1971, e Cavaleira do Facho Intelectual da França, condecorações que lhe foram concedidas pelo seu inestimável mérito intelectual.

Foi ainda em 1971 que o seu nome passou a figurar no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis, editado pelo Lelo do Porto.

Recentemente, a feirense Edite Mendes da Gama e Abreu fundou, em Salvador, a Academia de Letra e Arte Mater Salvatore.

Possui, ainda, a escritora, alguns títulos, não só nacionais, mas internacionais, sendo dois deles recebidos na Argentina e no Uruguai.

É Edite Mendes da Gama e Abreu, cidadã carioca, e fez parte do primeiro Conselho de Educação da Bahia, no governo de Góes Calmon.

Foi condecorada com a Medalha Maria Quitéria, pelo Exército Brasileiro, possuindo, também, as condecorações Imperatriz Leopoldina, Pirajá da Silva e Rui Barbosa.

Edite Mendes da Gama e Abreu, historiadora, escritora, imortal, é, sem sombra de dúvida, uma das maiores glórias contemporâneas da nossa terra.

Ela já se inscreveu, com todos os seus méritos e por todos os seus títulos, na nossa História. O seu nome faz parte, hoje, da galeria dos maiores filhos da Feira de Santana em todos os tempos.

Edite Mendes da Gama e Abreu foi, desta forma, uma pioneira. Fez parte, antecipando‑se a todas as resoluções e a toda ascensão fêmina de academias, de institutos e de constituintes.

Aposentada da Universidade Federal da Bahia, Edite dedica-se, agora, mais ainda às suas atividades literárias e culturais, e um exemplo disso é a criação, recente, da Academia de Letra e Arte Mater Salvatore.

E constante, assidua, permanente, a pre-sença de Edite Mendes da Gama e Abreu na cultura balana. Seu nome está sempre na liderança e na primeira linha dos movimentos literários.

Feirense ilustre, ela já foi homenageada nesta terra, tendo o seu nome em um dos nos-sos grupos escolares.

Agora, quando a Academia Brasileira de Letras, unanimemente, decide pelo ingresso da mulher em seus quadros, o nome da escritora feirense desponta como pioneira, como aquela que, há 38 anos, rompeu uma barreira e venceu um tabu, ao ser eleita para a Academia de Letras da Bahia.

E, ao lado disso, Edite projetou-se como historiadora emérita, a ponto de presidir o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, numa época em que os preconceitos contra a mulher ainda estavam na ordem do dia.

Fol quebrando preconceitos, derrubando tabus, rompendo barreiras que ela chegou, em 1938, à Academia de Letras da Bahia, com todos os seus méritos literários, com toda a sua bagagem cultural.

E essa presença é, também, há 38 anos, a presença da Feira de Santana na Academia de Letras da Bahla, hoje reforçada, lógico, com os ingressos do professor, historiador e poeta Godofredo Filho, do poeta e professor Hélio Simões e do professor, escritor e educador Edvaldo Boaventura.

É, assim, uma feirense, ilustre feirense, Edite Mendes da Gama e Abreu, a primeira mulher brasileira a ser eleita para uma Academia de Letras, o que não deixa de ser uma honra para a Feira de Santana. Honra que é muito maior para esta terra do que para a própria escritora, que conserva, com sua inteligência e seu talento, humildade, modéstia e simplicidade.

Agora, passados 38 anos, a mulher pode chegar à Academia Brasileira de Letras. Depois do ingresso da escritora feirense, outras Academias permitiram o ingresso de mulheres.

Mas ficou o exemplo de Edite Mendes da Gama e Abreu, exemplo que, felizmente, deu frutos, contribuiu para que as barreiras fos-sem vencidas.

O ploneirismo de Edite Mendes será sempre lembrado quando se escrever sobre a luta das mulheres para ter um lugar em socieda-des literárias. O seu pioneirismo, em todos os momentos da sua vida, será sempre recordado e aplaudido.

Edite Mendes da Gama e Abreu, feirense ilustre, foi, pois, a primeira mulher a ingres-sar numa Academia de Letras, no Brasil in-gresso que se deveu aos seus méritos, ao seu talento, à sua inteligência, à sua capacidade literária e ao seu trabalho cultural.

__________

Visite a Biblioteca Digital Outran Borges, da Academia Feirense de Letras

Fonte: https://feirahoje.com.br/

Aniversário de Thomas


Neste domingo, 22, data de aniversário de Thomas Rabelo de Oliveira (foto), bancário do Banco do Brasil. Vem a ser filho do jornalista Dimas Oliveira e de Doralice Rabelo de Oliveira. 
É colaborador do Blog Demais, dando assistência técnica permanente. Ele também organizou a edição do livro "cinema demais", e fez apresentação e revisão de "O Processo de Cassação da Rádio Cultura, bem como editou "A Arte do Silêncio em Feira de Santana", os três de Dimas Oliveira.
A comemoração será ao lado da esposa Mabel Claudino e do filho Eliot.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Orient Cineplace Boulevard em manutenção técnica


 

Entrega de acervo do projeto "Feira Lê Sua História" fortalece preservação da memória feirense na UFRB


A Fundação Senhor dos Passos realizou, no dia 20 de fevereiro, a entrega de exemplares do projeto "Feira Lê Sua História" à biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), no campus Feira de Santana. A agenda, articulada a partir do acervo do Núcleo da Preservação da Memória Feirense Rollie E. Poppino, consolida uma parceria institucional voltada à valorização, preservação e difusão do patrimônio histórico e cultural de Feira de Santana.

Participaram do encontro a reitora da instituição Georgina Gonçalves, o pró-reitor de Administração Emerson Franco Santa Bárbara, o diretor do Centro de Ciência e Tecnologia Jacson Machado, e a gerente técnica da unidade Lorena Coutinho. Representando a Fundação, esteve presente o professor Carlos Brito.

Durante a cerimônia, a reitora Georgina Gonçalves destacou a relevância da doação, enfatizando que o acervo permitirá aos estudantes "um contato mais profundo com fatos e personagens essenciais para compreender a formação histórica da cidade".

Segundo ela, "a presença desse material na biblioteca do campus é fundamental para que nossos alunos conheçam, valorizem e pesquisem sobre a importância histórica de Feira de Santana. Trata-se de um acervo que fortalece nossa identidade e amplia as possibilidades de estudo e preservação da memória local".

As obras entregues fazem parte das publicações produzidas pela Fundação Senhor dos Passos, que tem como presidente Péricles Marques, dentro de sua atuação contínua em defesa da memória, da história e do patrimônio cultural da Princesa do Sertão. 

O projeto "Feira Lê Sua História" integra esse esforço, contribuindo para a socialização do conhecimento e para o acesso público às narrativas que constituem a trajetória feirense.

Para o professor Carlos Brito, a entrega do acervo no campus Feira não se reduz a um ato protocolar: "simboliza a inserção institucional da memória da cidade dentro de um espaço federal de produção científica e formação, com capacidade de dar escala, método e permanência à preservação histórica. Ao ocorrer na UFRB, universidade federal, pelo seu papel público e pela interiorização do ensino superior, funciona como eixo de transformação regional, a agenda ganha valor como um marco de legitimação acadêmica da história local e de seus acervos".

Sob a perspectiva do Portal do Sertão, a presença da UFRB em Feira de Santana tem peso estratégico por articular ensino, pesquisa e extensão em um território que é referência econômica, social e cultural no interior baiano. Ao receber e disponibilizar o acervo, a universidade aproxima a produção historiográfica e memorialística do cotidiano universitário, potencializando pesquisas, trabalhos de conclusão, projetos de extensão e ações educativas conectadas às demandas do território.

Ao incorporar publicações voltadas à história local ao seu acervo, a UFRB não apenas amplia sua infraestrutura informacional: ela reforça sua trajetória acadêmica e institucional como universidade comprometida com o desenvolvimento regional, reconhecendo que preservar a memória de Feira de Santana é, também, investir na produção de conhecimento sobre o próprio território que a universidade representa e transforma.

A iniciativa reafirma a parceria entre a Fundação e a UFRB na promoção do conhecimento, da pesquisa histórica e da valorização cultural da região.

Enviado por Carlos Brito



Tirania digital


Nascida sob o símbolo da liberdade, a internet passou a ser usada como instrumento das ditaduras. 
Por Dagomir Marquezi para a Oeste:

"Sua presença em reuniões ilegais foi notada e você está sendo monitorado. Recomenda-se que vocês se abstenham de participar de tais reuniões ilegais, que são desejadas pelo inimigo."

Essa mensagem aparece nas telas dos celulares dos cidadãos iranianos, da mesma forma que recebemos alertas de tempestades da Defesa Civil. Não satisfeito em matar dezenas de milhares de seus próprios cidadãos, o regime dos aiatolás agora persegue quem participou dos recentes protestos que abalaram o Irã.

Segundo matéria do New York Times, o Big Brother de turbante provavelmente baseou o monitoramento dos manifestantes no uso da geolocalização. Se um iraniano tivesse o azar de, ao voltar do trabalho, passar por uma das manifestações, seria automaticamente enquadrado como suspeito. Outro método é o reconhecimento facial, possibilitado por uma vasta rede de câmeras de vigilância. Tudo com o apoio tecnológico de duas outras ditaduras, a China e a Rússia.

Regime dos aiatolás agora persegue quem participou dos recentes protestos que abalaram o Irã 

A organização Citizen Lab informou em 2023 que a estatal iraniana de comunicação Ariantel recebeu o apoio técnico das chinesas Huawei e ZTE e da russa Protei. O suporte, segundo a organização Article 19, foi realizado para implantar a capacidade de censura e controle.

A ditadura que se instalou no Irã em 1979 não está conseguindo fornecer nem água aos seus cidadãos, mas teve recursos para estabelecer no país uma rede de vigilância que integra redes de comunicação, reconhecimento facial e tráfego de internet. Quem é apanhado nessa rede é levado para longos interrogatórios que podem terminar em prisão ou mesmo tortura. Como se não bastasse, os capangas do regime a qualquer momento podem parar um cidadão na rua e exigir que desbloqueie seu celular para uma inspeção surpresa.

Estatal iraniana de comunicação Ariantel recebeu o apoio técnico das chinesas Huawei e ZTE e da russa Protei 

Segundo a organização Holistic Resilience ("Resiliência Holística"), um grupo voltado para os direitos digitais no Irã, quem é apanhado com algum post sobre as manifestações enfrenta castigos adicionais, como a suspensão dos cartões SIM - o que anula na prática o acesso à rede de celulares. Outros tiveram suas contas bancárias bloqueadas.

Mahdi Saremifar, da Holistic Resilience, disse ao New York Times que, com toda essa vigilância eletrônica, "o governo termina com uma longa lista de nomes. Eles podem visitar cada uma dessas pessoas, talvez um mês ou dois meses depois". Quem usou um receptor Starlink para furar o bloqueio estatal da internet pode ser preso pelo resto da vida — ou mesmo ser enforcado num guindaste em público.

A teia de controle vai além. Por volta de 2019, o regime criou um método de centralizar a identidade digital de cada iraniano, registrando seu "comportamento digital" como uma ficha corrida. Essa identidade digital é necessária porque o uso da internet no Irã é todo controlado. Aplicativos como X, WhatsApp, YouTube e Telegram são proibidos. A única rede permitida é a estatal NIN, ou "Rede Nacional de Informação".

Espiões dentro do celular

Para piorar as coisas para os iranianos, toda estrutura de comunicação é dominada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), os carrascos do regime. Os avanços tecnológicos que facilitam a vida dos cidadãos em países livres são usados para escravizar a população do Irã. "Eles querem um sistema centralizado que monitore a vida diária", resumiu Mahdi Saremifar, para a revista Wired. "É a vigilância do estilo de vida."

As garras da ditadura chegam até os instrumentos usados para combatê-la. Aplicativos de VPN (que disfarçam a identidade do usuário) tiveram spywares instalados pelo regime. Spywares são aplicativos que espiam secretamente a atividade do usuário. Cidadãos desavisados que baixaram programas de provedores da Starlink também acabaram instalando os spywares do aparelho de repressão.

Cidadãos desavisados que baixaram programas de provedores de Starlink também acabaram instalando os spywares do aparelho de repressão 

A repressão não se dá apenas a quem participa de manifestações. A polícia também usa um aparelho conhecido como "caçadores de ISMI" para "identificar e intimidar mulheres que se recusam a usar o hijab", segundo a reportagem do NYT. No Irã, mulheres que mostram uma mecha de cabelo são consideradas criminosas.

Esse objetivo de controle total transformou a internet no Irã num sistema tão frágil que, em parte, o feitiço se voltou contra o próprio regime. Para evitar manifestações, o regime desliga a internet. Aí não consegue enviar suas ordens, nem monitorar o que acontece nas ruas.

US$ 9,4 milhões por hora

Um caso semelhante acontece em Cuba. A ditadura comunista não tem dinheiro para distribuir eletricidade ou abastecer aviões. Mas gastou uma fortuna para estabelecer um serviço de vigilância eletrônica na ilha, segundo a ONG Defensores de Prisioneiros, com sede em Madri.

O site Latin America Reports cita o caso típico de Carlos Michael Morales Rodríguez, um jornalista de 48 anos que, em 2021, publicou no Facebook "posts que criticavam os líderes do nosso país". Foi condenado a dois anos e dez meses de prisão. E foi libertado em 2024 com a ameaça de que seria preso de novo se continuasse a exercer jornalismo independente.

Rodríguez, que trabalha para três agências independentes (Martí Noticias, CiberCuba e Cubanet Noticias), além da BBC e do Washington Post, desobedeceu à ordem e ficou mais 45 dias preso, seguido por mais um período de prisão domiciliar. Durante todo o tempo, ele foi ameaçado se continuasse publicando notícias nas redes sociais. As ameaças são baseadas no sinistro Decreto 35, que restringe qualquer mensagem online que desafie o governo. Segundo o decreto, qualquer um que "subverta a ordem constitucional" será considerado um "cyberterrorista".

A Rússia de Vladimir Putin obviamente não poderia seguir caminho diferente. Segundo o site Jamestown, o regime está penalizando todos os que acessam "sites extremistas". A invasão da Ucrânia justifica qualquer ação autoritária como um esforço de guerra.

A Rússia de Vladimir Putin penaliza todos os que acessam “sites extremistas” 

O submisso parlamento russo, conhecido como Duma, passou uma lei que permite que computadores sejam investigados em busca de "sites extremistas". E, como os iranianos, a ditadura russa se dá ao direito de interromper a internet quando decide que é necessário. Só em junho de 2025 foram realizadas 650 interrupções locais da internet, mais do que acontece no resto do mundo num ano inteiro. VPNs são proibidas e quem utilizar o aplicativo pode receber multas que vão de US$ 2,5 mil (cerca de R$ 13 mil) a US$ 6,3 mil (aproximadamente R$ 33 mil).

A justificativa oficial do Kremlin é evitar ataques dos ucranianos dentro do país, com drones. Mas todo mundo sabe que o que preocupa Putin é o crescente descontentamento com a situação do país, onde cerca de 1,2 milhão de soldados foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde a invasão da Ucrânia.

A vítima dessas interrupções da internet não é apenas a liberdade dos usuários. Segundo o Jamestown, cada hora de internet derrubada pelo governo custa cerca de US$ 9,4 milhões para as economias regionais.

Made in China

Cada país que implementa essa tirania digital passa a servir de laboratório para novas experiências. A ditadura de Mianmar (antiga Birmânia), no poder há 64 anos, inventou uma sigla PSMS que significa "Sistema de Monitoramento e Escrutínio Pessoal".

Segundo o site Fulcrum, especializado em assuntos do Sudeste da Ásia, no final de 2023, o regime no poder declarou que havia digitalizado 52 milhões de identidades biométricas e 13 milhões de residências. Ou seja, quase a população inteira do país (55 milhões) está sob total controle. Impressões digitais, dados faciais, registro de íris, tudo está arquivado para que a ditadura siga cada passo de cada cidadão.

Os habitantes têm seu nome registrado no SIM do celular. Cada um de seus movimentos, como transações bancárias, compras, comunicações e deslocamentos, pode ser monitorado. A tecnologia, só para não variar, é made in China. Os equipamentos são fornecidos pelas empresas chinesas Huawei, Hikvision e Dahua. Segundo o site Fulcrum, "com câmeras aprimoradas por inteligência artificial, identidades SIM com nomes reais e reconhecimento facial alimentando um banco de dados central, o Estado pode identificar, comparar e sinalizar cidadãos antes mesmo que os protestos aconteçam". A China está instalando sistemas semelhantes no Paquistão e no Camboja.

No final de 2023, o regime no poder em Mianmar declarou que havia digitalizado 52 milhões de identidades biométricas e 13 milhões de residências 

A ditadura chinesa tem todo esse aparato para controlar seu 1,4 bilhão de cidadãos. E agora conta com um novo recurso: a inteligência artificial. De acordo com uma investigação do Instituto Australiano de Estratégia Política, divulgada pela CNN, a IA possibilita "automatizar a censura, intensificar a vigilância e suprimir preventivamente a dissidência. A China está utilizando inteligência artificial para tornar seus sistemas de controle existentes muito mais eficientes e intrusivos. A IA permite que o Partido Comunista Chinês (PCC) monitore mais pessoas, mais de perto e com menos esforço".

O que começou como alerta no celular de um iraniano termina como modelo exportável de tirania digital. Cada novo país que adota essa tecnologia dá mais um passo rumo a um mundo onde o cidadão já nasce suspeito. Com 600 milhões de câmeras para vigiar sua população - uma para cada 2,3 pessoas -, a China transformou o controle em ciência exata. O monitoramento chega a tal ponto que câmeras em prisões captam se um detento demonstra irritação. Ele é isolado antes mesmo de qualquer reação além de uma careta. Resultado: segundo a CNN, o sistema jurídico chinês - submetido ao Partido Comunista - registra 99% de condenações. Está muito próximo da "perfeição".

A China tem hoje cerca de 600 milhões de câmeras para vigiar seus cidadãos, uma câmera a cada 2,3 pessoas.