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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Tropa de Elite 2" é o filme brasileiro mais importante dos últimos tempos

Wagner Moura em "Tropa de Elite 2" Foto: Divulgação

Finalmente, consegui assistir ao filme "Tropa de Elite 2", de José Padilha, no início da noite desta sexta-feira, 29 - início da quarta semana em exibição no país -, com sessão lotada no Orient Cineplace. Mostra uma realidade brasileira a partir do Rio de Janeiro: a violência. Bate duro no cerne da questão. Para começar, considero-o como o filme brasileiro mais importante dos últimos tempos.
"Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Essa é uma obra de ficção". É obra de ficção, mas como se fosse um documentário do que se passa no país com o "sistema" que vigora.
O filme tem roteiro, é bem dirigido e com interpretações seguras, principalmente de Wagner Moura como o atormentado capitão Nascimento - que narra o desenrolar da trama, um recurso interessante.
No filme, a afirmativa: "Bandido bom é bandido morto". E como a platéia vibra e aplaude quando os bandidos são eliminados. Mais ainda quando um político apanha. Um dos motivos de tanta gente ir ao cinema para ver o filme, pelo boca a boca e discussões que provoca.
O filme faz critica aos intelectuais de esquerda - que defendem marginais -, aos direitos humanos - que só defendem bandidos. A corrupção na política - mostra que política é um negócio -, na polícia, e na imprensa também são criticadas duramente. Os intelectuais de esquerda e a turma dos direitos humanos afirmam que o filme é "facista".
"Tropa de Elite 2" é um retrato frio e cruel da realidade do país. Não deve mudar a situação da segurança pública brasileira, mas cutuca feridas e mostra também que a sociedade é apática, que não se incomoda com a situação enquanto não se mexe com ela.
Sintomático que o plano final do filme mostre Brasília, onde está o mais amplo "sistema".
No mais, como Thomas Oliveira, observou em seu comentário no "Jabuticaba Republic", "num rápido relance nos patrocinadores do filme que costumam aparecer no início dos longas brasileiros, a ausência ilustre das nossas estatais. Acho que os suaves ataques feitos às ONGs esquerdistas no filme anterior fez com que o governo desse ordem para cortar verba da continuação".
Antes do filme, o trailer de "Federal", de Erick de Castro, com Selton Mello e Carlos Alberto Riccelli, outro filme brasileiro. Nele, a afirmativa de que "a única coisa que funciona no Brasil é o crime".

3 comentários:

José Cerqueira disse...

Bem pertinente o comentário. A realidade da realidade mostrada no filme é dissecada.

José Cerqueira disse...

Bem pertinente o comentário. A realidade da realidade mostrada no filme é dissecada.

Mariana disse...

E o pior, é que esta é uma realidade mais fiel ao que passamos por aqui, no Rio, mesmo, sem tirar nem pôr. Padilha nem deve ter se esforçado tanto...basta viver aqui prá entender. Mas não precisa ter inveja, Dimas, porque o seu governador tem se esforçado prá chegar a êste estado de coisas também.