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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

"Sob o Céu da Bahia": Um filme esquecido



Por Carlos Modesto

Poucos cinéfilos hão de lembrar-se do filme "Sob o Céu da Bahia", feito em Salvador, em Eastmancolor, dirigido por Ernesto Remani, tendo como diretor de fotografia, H. B. Corell, em 1956. O elenco teve como casal principal do romance, Maria Morena e Pedro Nemi (de descendência árabe), mas baiano, o resto dos personagens foram interpretados por Sérgio Hingst, Carlos Torres, Enoque Torres, Ricardo Campos, Francisco Santos, Terry Viana, David Conde. O filme participou do Festival de Cannes de1956, ganhando o Grande Prêmio da Comissão Superior Técnica nesse festival. Ganhou também o Prêmio Saci, em 1959 de Melhor Composição Musical, para Francisco Mignone e Prêmio Governador do Estado de São Paulo, 1959 de Melhor Composição para Mignone.

Com argumento de H. B. Corell e roteiro de Ernesto Remani, conta a história de um jovem jangadeiro, que está cansado de viver numa aldeia dominada pela família de um grande fazendeiro. O que ele não imagina é que uma moça, filha de um pescador, gosta muito dele e pretende fazer o que for necessário para que ele não viva na corrupta cidade grande. A menina apaixonada que sempre foi cobiçada pelo dono de uma barraca de peixes, decide se entregar ao homem com o objetivo de conseguir poder para resolver os problemas da aldeia e fazer seu verdadeiro amor ficar ao seu lado.

Meu amigo David Barouh, um dos maiores cinéfilos de Salvador, Bahia, lembra-se desse filme quando aqui foi produzido, ele era menino e viu algumas cenas serem filmadas em algumas partes da nossa cidade, principalmente nas escadarias da igreja no Centro Histórico, onde pouco tempo depois Anselmo Duarte gravou imagens para seu filme "O Pagador de Promessas", em 1962, que ganhou o Grande Prêmio, a Palma de Ouro, no Festival de Cannes nesse mesmo ano.

No filme "Sob o Céu da Bahia", acredito, de ator profissional só tinha Sérgio Hingst. Ele nasceu na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, em 27 de novembro de 1924. Sempre se dedicou ao cinema e sempre foi o segundo ator em número de presenças em filmes brasileiros, ficando atrás apenas de Wilson Grey. Sérgio Hingst atuou durante sua carreira em mais de 100 produções cinematográficas. Ele também foi um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia, mas dedicou-se mais ao cinema. O ator faleceu em sua cidade natal, Sorocaba, em 8 de novembro de 2004, perto de completar 80 anos de idade.

Não sei porque motivo "Sob o Céu da Bahia", não teve uma maior repercussão na Bahia, pois a película foi feita num deslumbrante colorido com paisagens belíssimas feitas no litoral e em outros locais marcantes de Salvador, não causou nenhum impacto comercial, num tempo em que o cinema possuía ainda muito glamour. É de estranhar, pois filmes de muito menor relevo são mais lembrados do que "Sob o Céu da Bahia".

Quando era menino e adolescente, achava a cidade do Salvador, um cenário natural aberto para fazer películas sensacionais, explorando seus becos e ruas diversas, ladeiras, praias etc., mas nenhuma das películas feitas pelo cinema italiano, francês, mexicano e alemão, que fizeram aqui, mostraram apenas frações desses cenários naturais. Espero um dia, que algum cineasta faça um roteiro mostrando muitos locais exóticos, que ainda existe na cidade e faça jus a beleza da nossa capital para ser mostrada ao mundo.

Carlos Modesto é cinéfilo

Blog Demais acrescenta: Teve locações em Buraquinho, quando pertencia a Salvador, hoje, Lauro de Freitas. Tem narração de Murilo Néri. As músicas "Canção dos Jangadeiros", de João de Barros; "Canto da Pescaria", de Antonio Moraes; e "Ave Maria do Morro", de Herivelto Martins, estão na trilha.

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