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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

"A Grande Feira": O melhor filme do Novo Ciclo Baiano de Cinema


                                               Geraldo Del Rey (Ronny) e Helena Ignez ( Eli)

Por Carlos Modesto

Para mim, o melhor filme do Novo Ciclo do Cinema Baiano, acontecido nos anos de 1959 a 1960 foi "A Grande Feira" (1961) do diretor baiano Roberto Pires. Com alguns defeitos que o mesmo contém, a película deve ser louvada pela façanha do jovem realizador Pires de levar para a tela prateada certos aspectos da extinta Feira de Água de Meninos, cuja tragédia acontecida algum tempo depois, com o terrível incêndio foi prognosticada em "A Grande Feira".
Roberto Pires trouxe do seu primeiro filme "Redenção" (1959), os atores Geraldo Del Rey e Milton Gaúcho (ambos descobertos pelo cineasta Oscar Santana) para participarem em "A Grande Feira". O casal romântico da película foram interpretados por Geraldo Del Rey como o marinheiro Ronny, o "Sueco" e Helena Ignez como a socialite Ely, Antônio Luiz Sampaio, que depois mudou o sobrenome para Pitanga, fez o papel do vilão, Chico Diabo, a atriz Luiza Maranhão protagonizou a personagem Maria, Milton Gaúcho como Ricardo, Roberto Ferreira (Zé Coió) foi Zazá, a cantora Clélia Matos participou como a socialite Sara e tivemos ainda Nilton Paz e Roberto Pires, que além de ser o diretor do filme foi também roteirista e ator.
A trilha sonora foi executada com maestria por Remo Usai, a fotografia ficou a cargo de Hélio Silva, sendo o operador de câmera, Waldemar Lima, o excelente diretor de fotografia do filme de Glauber Rocha, "Deus e o Diabo na Terra do Sol, o roteiro foi criado por Roberto Pires e Rex Schindler, este, um velho conhecedor da Feira de Água De Meninos. Os produtores do filme foram Braga Neto e Rex Schindler.
A película se desenvolve tendo como tema central a famosa Feira de Água de Meninos, mostrando dramas envolvendo personagens cotidianos encontrados no ambiente e fora do mesmo, onde se mesclam criando uma narrativa envolvente que prende o espectador do começo ao fim. Valendo lembrar a famosa cena, em que Chico Diabo leva Zazá em sua cadeira de rodas através do lamaçal para acabar com sua vida, espetacular papel de Roberto Ferreira (Zé Coió); vemos a luta de Del Rey com Antônio Sampaio entre os tambores de combustíveis das multinacionais, que existiam perto da feira; interessante também, o final do filme entre o desenlace amoroso entre o marinheiro Ronny e a milionária Ely, que volta aos braços do marido, onde o talento de Roberto Pires abre a cena numa grande picada ou "plongée", destacando o Terminal da França, dando um fim majestoso a película.
Para glamorizar a fita, Roberto Pires a preencheu com vários personagens famosos baianos, fazendo pontas em algumas partes da sua história, estre esses: o fotógrafo Leão Rozemberg, o advogado e crítico cinematográfico Walter da Silveira, os cineastas Glauber Rocha, Oscar Santana, Orlando Senna, o cantor Riachão, o poeta/cordelista Cuíca de Santo Amaro, o radialista Jota Luna e os artistas plásticos Santi Scaldaferri, Calazans Neto e Genaro de Carvalho, entre outros.
Eu costumo sempre dizer, que o cinema paralisa o tempo, mostrando nos filmes o momento de uma época, No caso de "A Grande Feira", ao vê-lo, recordaremos a Feira de Água de Meninos, A Ladeira da Montanha quando ela era mão dupla, vendo Geraldo Del Rey e Helena Ignez dentro do carro passeando da Ladeira de São Bento para o logradouro da Montanha. O bonde, com Geraldo Del Rey descendo de um deles no ponto de Água de Meninos, e muitas outras coisas, que poderão ser observadas na película.
Muitas das pessoas envolvidas nesse filme, já partiram para o andar de cima, que eu me lembre, temos vivos daquela safra memorável apenas: Oscar Santana, Roque Araújo, Helena Ignez e Antônio Pitanga. Mas quem quiser recordar a Salvador daqueles bons tempos, que ligue a máquina do tempo (a mídia do filme) e voltaremos a viver o panorama de "A Grande Feira". 

Carlos Modesto é cinéfilo

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