Professor Dr. Claudefranklin Monteiro e esposa, Patrícia Monteiro, entre Dr. João Batista e Josué Mello, no evento da Academia Feirense de Letras Fotos: Acervo pessoal
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
A relação entre Sergipe e Bahia, em outros tempos, nem sempre foi das melhores. Não somente por conta do processo de emancipação política do primeiro para com o segundo, sacramentando-se no dia 8 de julho de 1820, mas também em função das querelas envolvendo disputas por limites e territórios. Mas, o tempo aparou as arestas e, mais irmanados, ao longo das últimas décadas, têm vivido momentos de irmandade e de afeto mútuo.
Eu, particularmente, inúmeras vezes já atestei isso nas oportunidades em que tive que escrever algo a respeito, sendo um dos agraciados com esta acolhida do povo baiano. Primeiro, da relação de amizade (para além dos estudos que desenvolvo) com a família Macêdo, mais de perto com a turma do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar. Em seguida, por pessoas que Deus colocou em minha vida que agregaram valor à minha existência e tornaram a minha carreira acadêmica ainda mais promissora e feliz, a exemplo dos professores Cândido da Costa e Silva (falecido em 2025), Anselmo Ferreira Machado Carvalho e Milton Araújo Moura.
Definitivamente, "A Bahia me deu régua e compasso" (Gilberto Gil, 1969). E nessa toada, além de me acolher como sócio correspondente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), sediado em Salvador, agora também, com muita generosidade, me dá a graça de fazer parte de uma das suas mais expressivas instituições culturais, a exemplo da Academia Feirense de Letras, de igual modo, na condição de membro correspondente. Instituição esta que celebra agora, em 2026, seu primeiro meio século de fundação, sob a promissora presidência do médico, Dr. João Batista de Cerqueira.
Feira de Santana, cuja alcunha é a "Princesa do Sertão" (Ruy Barbosa, 1919), é uma das principais cidades baianas. Recentemente, tive a oportunidade de perscrutar um pouco de sua história, em razão da pesquisa e da publicação do livro que fiz em torno da trajetória de vida do professor e pastor Josué da Silva Mello ("O Poder Libertador da Escola", 2023). Na cidade desde o dia 8 de janeiro de 1965, aonde chegou com sua esposa Tecla e a primeira filha do casal (Cilene), Josué Mello é a melhor representação e atestado de afeição entre Sergipe e Bahia. Sem deixar de mencionar, claro, casos de tempos distantes, como os de Thetis Nunes e José Calasans, e até mesmo contemporâneos, a exemplo do centenário médico Dr. Geraldo Leite.
O professor Josué Mello mora até a presente data em Feira de Santana (onde nasceu Susana, a segunda filha do casal). Ele é natural de Lagarto (cuja alcunha, mais remota, é a "Cidade Ternura" - hoje "Capital Nacional da Vaquejada"). Coube a ele, portanto, firmar este laço de fraternidade entre nós, os papa-jacas, com a "Princesa do Sertão". Não bastasse tomar conta de um de nós com tanto cuidado e zelo, agora também me acolhe como vosso filho adotivo, no colo e no coração das letras feirenses, tão bem representada por intelectuais de relevo e envergadura nacionais, com talentos e habilidades que as colocam na condição de possuir um dos mais significativos sodalícios do país.
Nesse clima de harmonia e congraçamento entre identidades, transcorreu, na noite do último dia 10 de julho, numa solenidade leve, serena e bastante concorrida, a posse de novos membros da Academia Feirense de Letras, nas dependências do belíssimo Casarão Fróes da Motta.
Entre os efetivos: Adel Ruy Dantas de Cerqueira, Carlos Kruschewsky de Miranda, Dimas Boaventura de Oliveira, Laila Geovana Moreira Beirão, José de Assis Freitas Filho, Jucélia Figueredo da Silva, conhecida como Celiah Zaiin, e Weslley Moreira de Almeida. E entre os correspondentes, além deste que vos escreve: Mwewa Lumbwe, Múleka Dítoka wa Kalenga, Aleilton Fonseca, Celeste Andrade, Ricardo Carvalho, Lícia Soares de Souza, Wesley Correia, Palmira Heine, Karine Teixeira Damasceno, Liomar Pereira da Silva, George Saad, Cécile Dolisane Ebosse Nyambe, Marie-Rose Abomo-Maurin, Mohamed Mahiout, Karine Rouquet e Vahid Nejad Mohammand.
A mim, só me resta agradecer por tamanha generosidade do povo feirense. Em tempo, também parabenizar a Academia Feirense de Letras por alcançar 50 anos de existência, tão bem consolidada, atuante e importante no fomento de políticas públicas de salvaguarda do patrimônio cultural local e baiano, notadamente, o arquitetônico e o histórico, mas, de modo muito especial, na propagação da cultura livresca, no hábito da leitura e no pensar Feira de Santana como lugar de memória, morada do saber humano e ponte para o devir.
Claudefranklin Monteiro Santos é professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.
Publicado no https://www.sosergipe.com.br/
Enviado pela Academia Feirense de Letras


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