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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Escritora feirense defende incentivo à leitura e valorização dos autores


Por Fernanda Peleteiro

A literatura permanece como um dos principais instrumentos de formação cultural, educacional e humana. Em um cenário marcado pelas transformações tecnológicas e pelas mudanças na forma como as pessoas consomem informação, escritores seguem enfrentando desafios para produzir, publicar e conquistar novos leitores. Para a escritora feirense Alexandra Patrocínio (Foto), a literatura continua cumprindo um papel essencial: aproximar pessoas, traduzir sentimentos e preservar histórias.

Ela destaca que ainda existe uma percepção equivocada de que escritores pertencem apenas ao passado ou aos grandes centros culturais.

"Quando eu era criança, a gente tinha uma ideia de que o escritor era algo distante do nosso alcance. É importante saber que existem escritores vivos, bem pertinho da gente, pessoas que trazem contribuição a partir da experiência, do estudo e do conhecimento."

Segundo Alexandra, reconhecer esses autores fortalece a cultura local e estimula a produção literária.

"Tem escritor que já se foi, mas tem muita gente viva escrevendo. É importante que as pessoas percebam isso e valorizem quem continua produzindo literatura."

A literatura fala aquilo que sentimos

Mais do que contar histórias, Alexandra acredita que a literatura tem a capacidade de traduzir emoções que muitas vezes o leitor não consegue expressar.

"A literatura diz coisas que talvez pessoas que não escrevem, ou que não desenvolveram essa habilidade, não saibam como dizer."

Ela explica que é justamente essa identificação que cria uma ligação entre o autor e o leitor.

"Nos textos, a gente encontra alguém que diz exatamente aquilo que sentimos. Muitas vezes pensamos: 'Era isso que eu queria dizer, mas não sabia como colocar em palavras'."

Para a escritora, essa é uma das maiores contribuições da literatura.

"Ela nos mostra como podemos falar, nos expressar e compreender melhor aquilo que sentimos."

Escrever é só o começo

Embora o processo criativo seja desafiador, Alexandra afirma que a maior dificuldade enfrentada atualmente pelos escritores acontece depois que a obra está pronta.

"Hoje, para mim, o principal desafio está na produção do livro. Não basta escrever. É preciso que esse texto seja publicável."

Ela explica que publicar envolve diversas etapas técnicas.

"É preciso uma editora, diagramação, revisão, ilustradores em alguns casos, além do ISBN, que é como se fosse o CPF do livro."

Segundo Alexandra, encontrar profissionais qualificados e com preços acessíveis ainda é um grande obstáculo para quem escreve.

"Temos dificuldade de encontrar editoras sérias que consigam produzir nossos livros dentro de uma condição financeira que o escritor consiga pagar."

Diante desse cenário, ela decidiu aprender todas as etapas da produção editorial.

"Hoje eu mesmo escrevo, produzo e publico meus livros. Eu tenho o meu selo editorial justamente porque percebi que precisava dominar esse processo."

Ela acredita que muitos autores deixam de publicar por causa dos custos envolvidos.

"O maior desafio hoje está justamente na publicação e no alto valor que ela representa para quem escreve."

A leitura mudou, mas continua viva

Com o avanço da tecnologia, Alexandra reconhece que os hábitos de leitura passaram por mudanças importantes.

"A gente precisa entender que os modos de ler são variados. Antes existia praticamente apenas o livro físico."

Hoje, segundo ela, os leitores também encontram a literatura em diferentes plataformas.

"Existem livros digitais, livros virtuais e outras formas de leitura. Essa nova geração também lê, escreve e produz conteúdo."

Apesar disso, Alexandra ressalta que a experiência do livro impresso continua sendo especial.

"Para quem é leitor e escritor, tocar o livro, sentir o cheiro das páginas, é uma experiência única."

Livro físico fortalece habilidades cognitivas

Como psicóloga, Alexandra destaca que a leitura também produz efeitos importantes sobre o funcionamento do cérebro.

"Quando estamos lendo, o cérebro cria imagens, desenvolve uma linguagem própria, trabalha a imaginação, a concentração e o foco."

Ela explica que o livro físico favorece uma leitura contínua, sem tantas interrupções.

"No ambiente digital aparecem links, notificações e outros estímulos que podem interromper a leitura. Já o livro físico permite que a pessoa permaneça conectada com a história."

Segundo ela, esse hábito estimula diversas funções cognitivas.

"A leitura trabalha atenção, imaginação, concentração, funções executivas e pode até ajudar no controle da ansiedade. São inúmeros benefícios para o desenvolvimento do cérebro."

Formar leitores começa pelo exemplo

Questionada sobre como despertar o interesse das novas gerações pelos livros, Alexandra afirma que a família exerce papel importante na formação de leitores.

"A maioria dos leitores se forma pelo exemplo. Quando existe uma casa leitora, pais leitores, os filhos acabam aprendendo esse hábito naturalmente."

Ao mesmo tempo, ela lembra que esse não é o único caminho.

"Eu não tive uma família leitora. Meus pais eram semianalfabetos. Meu primeiro livro foi encontrado no lixo e, mesmo assim, eu me apaixonei pela leitura."

Por isso, ela defende o fortalecimento das ações realizadas pelas escolas.

"A escola tem um papel fundamental. As rodas de leitura, a contação de histórias, os concursos literários e o trabalho das academias de letras ajudam a despertar esse interesse."

Na avaliação da escritora, toda a sociedade pode contribuir para a formação de novos leitores.

"Mesmo quando não existe uma família leitora, é possível formar leitores por meio da escola e dos projetos de incentivo à leitura."

Persistir é o caminho

Para quem sonha em publicar a primeira obra, Alexandra deixa uma mensagem de incentivo.

Ela lembra o ensinamento do poeta Rainer Maria Rilke ao defender que o escritor não deve depender da aprovação de outras pessoas para acreditar no próprio talento.

"Ninguém precisa validar a nossa escrita."

E reforça:

"Se você tem um texto guardado na gaveta, no celular ou no computador, confie nele. Confie nos seus sonhos e publique. Tenho certeza de que existe, em algum lugar, um leitor esperando exatamente pelo seu texto."

Para Alexandra Patrocínio, escrever continua sendo um ato de coragem e de generosidade. Em um mundo cada vez mais acelerado, ela acredita que a literatura permanece como um espaço de reflexão, encontro e transformação, capaz de aproximar autores e leitores por meio das palavras.

Fonte: https://diaadianewsba.com.br/

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