Logo depois de autorizar a abertura de um inquérito contra Lulinha por tráfico de influência e corrupção, o ministro André Mendonça determinou o levantamento do sigilo do processo que autorizou, em junho, o monitoramento de dados do senador Jaques Wagner na Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas à quadrilha de Daniel Vorcaro, e a investigação mostrou que a relação do ex-líder do governo Lula no Senado e o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima era "antiga, frequente e próxima".
A Polícia Federal identificou 74 ligações entre os dois entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando pelo menos cinco horas e meia de conversa, além de encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e outras interações.
Os investigadores afirmam que a relação entre os dois era marcada por alto grau de confiança pessoal, e que Wagner teria defendido interesses do banqueiro no Congresso Nacional.
A apuração dos delegados da PF sugere que o número 2 do PT marcava encontros para Augusto Lima no Senado, usava aviões ligados ao Master e servia de intermediário para levar recados ao presidente Lula.
Lima foi o responsável pela implementação na Bahia, quando Wagner era governador (2007-2014), de um sistema de crédito consignado para servidores públicos e depois transformou o Credicesta em alicerce para todo o esquema de papeis podres do Master.
As investigações da PF também levantam suspeitas sobre o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner.
Para receber propina, dizem os agentes, o senador petista usava o enteado e sua mulher Bonnie Toaldo Bonilha, além do operador Valério Marega Júnior.
Outro intermediário da relação criminosa seria o pai de Eduardo, Guilherme Sodré Martins, o Tio Guiga.
Sodré trocou mensagens suspeitas com Augusto Lima.
Segundo a PF, ele teria cobrado o banqueiro para que fossem pagos boletos ligados a um imóvel de luxo no valor de R$ 2,5 milhões dado de "presente" a Jaques Wagner.
O diálogo aconteceu em 1º de setembro de 2025: "Irmão bom dia! Tudo bem? Se puder ter alguma previsão, você me fala?", disse Sodré a Lima, que responde: "Blz irmão. Em cima aqui. Abração".
Três dias depois, o enteado de Jaques Wagner reforça a cobrança ao então sócio do Master: "Amigo, tudo bem? Preciso de sua ajuda. Amanhã vence (sic) os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não vou ficar devendo, concorda?".
A PF sustenta que essa rede baiana seria usada para ocultar vantagens indevidas associadas às fraudes investigadas no Banco Master com "recebimento de vantagens econômicas indevidas, direta e indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado".
Fonte: https://vespeiro.com/

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