Por Reinaldo Azevedo
Vocês se lembram de uma
exposição que exibia, digamos assim, aquilo que nos habita debaixo da pele.
Andou circulando por aqui em 2011 e 2012, acho. A origem do material é chinesa.
Corpos e órgãos humanos eram exibidos em todas as suas minúcias de músculos,
ossos, veias etc. Na imprensa nativa, só encantamento. Chamou-se aquele
voyeurismo necrófilo de "encontro entre a ciência e a arte". Pura bobagem.
Agora atenção para o que segue.
A exposição chegou à
Venezuela em março de 2009. E foi proibida por Hugo Chávez. Por que? Porque,
disse ele, a exposição de um corpo humano insepulto é um ato de degradação
moral. Vejam o vídeo em que ele trata do assunto. Volto em seguida.
Assista:
Voltei
É evidente que proibir a exposição é coisa de tiranete de província, uma estupidez mesmo! Mas como vou negar que até Chávez, como um calendário que não se move, pode estar certo ao menos uma vez ao ano? Não tinha de proibir coisa nenhuma, mas é claro que concordo com suas ponderações morais a respeito. Quando se banaliza o humano como se fosse um sapo, corre-se o risco de tomar o humano por um sapo e um sapo por um humano, mais ou menos como fazem alguns ecologistas hoje em dia, que não hesitariam em deixar o país sem hidrelétricas se for para proteger alguns batráquios. Chávez acerta até em fazer a devida distinção entre um corpo entregue à investigação científica e outro que só serve para darmos uma espiadinha… Lamento! Nem arte nem ciência. Não é arte porque esta recria a natureza, em vez de expor vísceras. Não é ciência porque os que assistem àquela coisa miserável nada têm a fazer com o que retêm. Absolutamente nada! Confesso que aquilo provocou meu asco moral. De resto, ninguém sabia a origem daqueles corpos, que viajavam mundo afora.
É evidente que proibir a exposição é coisa de tiranete de província, uma estupidez mesmo! Mas como vou negar que até Chávez, como um calendário que não se move, pode estar certo ao menos uma vez ao ano? Não tinha de proibir coisa nenhuma, mas é claro que concordo com suas ponderações morais a respeito. Quando se banaliza o humano como se fosse um sapo, corre-se o risco de tomar o humano por um sapo e um sapo por um humano, mais ou menos como fazem alguns ecologistas hoje em dia, que não hesitariam em deixar o país sem hidrelétricas se for para proteger alguns batráquios. Chávez acerta até em fazer a devida distinção entre um corpo entregue à investigação científica e outro que só serve para darmos uma espiadinha… Lamento! Nem arte nem ciência. Não é arte porque esta recria a natureza, em vez de expor vísceras. Não é ciência porque os que assistem àquela coisa miserável nada têm a fazer com o que retêm. Absolutamente nada! Confesso que aquilo provocou meu asco moral. De resto, ninguém sabia a origem daqueles corpos, que viajavam mundo afora.
Assim, reitero, proibir é uma
tolice; expor os corpos, uma imoralidade.
Quiseram as circunstância, no
entanto, que, quatro anos depois, em março de 2013, o cadáver insepulto seja o
do próprio Chávez, aquele que afirmara, quando vivo, que tal exposição era um
sinal da degradação moral destes tempos.
Porque aquele Chávez que
lastimou a exposição estava certo (proibi-la foi um absurdo, insisto), o Chávez
de agora, transformado em múmia, é, então, um evidência de degradação moral.
Por Reinaldo Azevedo

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