Por Reinaldo Azevedo
Num dos posts desta manhã e no imediatamente
anterior a este, tratei do tal site Avaaz, chefiado, no Brasil, pelo petista
Pedro Abramovay. Trata-se de uma entidade americana, hoje espalhada pelo
mundo.
Sua entrevista ao Estadão desta segunda demonstra
que o Brasil está mergulhado no surrealismo, inclusive setores consideráveis da
imprensa, que se tornou mera caudatária de redes sociais e do bochicho da
Internet. Se a causa é politicamente correta e junta alguns milhares, então é
necessariamente boa. E o estado de direito que se dane! Vamos ver.
Ao Estadão, Abramovay diz que o site Avaaz, onde
ele decreta quem vive e quem morre, é financiado por doações. Sei. De quem?
Seja como for, trata-se de uma entidade que se orienta como empresa privada.
Logo, um grupo de financiadores escolhe os seus alvos. E não é pouco dinheiro.
Quem tem recursos para financiar pesquisas do Ibope está bem de caixa. Ele não
diz quanto custou. A transparência tem um limite. Ele se quer a voz da
sociedade, mas só conta uma parte.
Vejam que curioso! Eu aposto que Abramovayzinho
está entre aqueles que defendem financiamento público de campanha eleitoral.
Assim, entende-se que este rapaz, que setores da imprensa confundem com um
pensador, é contra o que eu chamaria "financiamento positivo". O financiamento
positivo, nesta acepção, é aquele em que entes privados doam recursos a um
partido em favor de uma causa. Mas o "menininho malvado" do petismo é favorável
ao "financiamento negativo": ele defende o suposto direito que tem o Avaaz de
receber dinheiro de terceiros para satanizar pessoas. É com essa mesma lógica
clara, lúcida, cristalina, iluminada, que esse rapaz queria descriminar no
Brasil o que chama de "pequeno tráfico".
Corolário: se você não quer ter o seu nome
demonizado no Avaaz, concorde com Abromovay. Na prática, o site se tornou uma
espécie de chantagista moral, ideológico. Não fosse assim, as preferências
disputariam espaço livremente no site. Mas não! Ele não deixa. Corta as
petições - sempre com o apoio da maioria do "grupo" - com as quais não
concorda. Por que falei em "chantagem moral e ideológica"? Ou você pensa o que
eles pensam ou corre o risco de ir para o paredão. É a mesma lógica do
sequestro: ou paga o resgate ou morre - o resgate cobrando por Abramovay e sua
turma é, reitero, moral e ideológico.
Este rapaz está tentando criar uma espécie de
Parlamento paralelo. Então ficamos assim: o Congresso que existe não faz a sua
parte e vai pedir socorro ao Supremo, chorando como um bebê que está com a
fralda molhada. E vai tomando o seu lugar o "Parlamento do teclado", o "Parlamento do sofá", que tem um presidente, que, por sua vez, tem um partido.
Curioso: enquanto os petistas do Parlamento fechavam com Renan Calheiros, os da
Internet pediam a cabeça de Renan Calheiros… Sim, eu sei: não foram só eles.
Muita gente pediu. Essa gente é hábil para fazer o mal se imiscuir no bem.
Tratem, senhores parlamentares, de fazer as
vontades dos financiadores do Avaaz - ou "eles" pedirão a sua cabeça. Ou criem
vergonha na cara e reajam às práticas chantagistas que selecionam alvos.
Não, senhores! Não vou condescender com esse
bolivarianismo de butique do senhor Abromovay! A Venezuela chegou àquele estado
miserável usando as boas causas a serviço da pistolagem ideológica.
Por Reinaldo Azevedo

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