quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manipulação


"Esquizofrenia: por um lado, falam "não acreditem na mídia!", por outro, se contentam com simplificações propagadas por essa mesma "mídia"."
Via Logos Apologética

Nova escultura de Juraci Dórea instalada no campus da Uefs



O campus Universidade Estadual de Feira de Santana passa a abrigar a segunda escultura do artista plástico Juraci Dórea e que integra o Projeto Terra. A montagem foi concluída na terça-feira, 18 (Fotos: Edvan Barbosa). A primeira, que foi consumida pelo tempo, dentro da proposta de arte efêmera, teve o processo de decomposição registrado através de fotos e vídeos. Segundo Juraci, o couro utilizado deverá ser aproveitado em outras instalações. 
Caracterizado por utilizar os elementos peculiares do sertanejo, como a madeira e o couro, o Projeto Terra, desde a década de 80, espalhou a arte pelos diversos rincões da Bahia. A proposta de interação entre o homem e as obras de arte, levou a desintegração de muitas delas, já que o material foi sendo aproveitado para as necessidades do homem do sertão. 
A montagem da segunda escultura da Uefs faz parte do documentário  "O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão: Veredas", que tem direção do cineasta Tuna Espinheira, e deve ser lançado em setembro. Professor do Departamento de Letras e Artes da Uefs, Juraci Dórea é graduado em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). É pintor, desenhista, fotógrafo e programador visual, com exposição de obras no Brasil e no exterior.
Fonte: Ascom/Uefs

"O grande grito!"

Fonte: "Blog do Josias"

“Fascistas destrambelhados, brincando de democracia direta, usam os vândalos a serviço de sua causa. Ou: Quem saqueia loja incide no Código Penal; quem impede o direito de ir e vir viola a Constituição! A imprensa não pode queimar a Carta como os vândalos queimam o lixo!"

Por Reinaldo Azevedo
A imprensa brasileira, nessa sua fase criativo-cidadã-participativa, deu para criar categorias com as quais pretende corrigir a realidade para justificar a sua militância. Assim, inventa coisas como "cura gay", "bolsa estupro" e… "maioria pacifica". Já escrevi sobre as três e vou me ater um pouco mais sobre essa terceira. A "maioria pacífica" designa as pessoas que estão ocupando as ruas contra o aumento da tarifa de ônibus e que não promovem quebra-quebra, saques nem recorrem a coquetéis molotov para dizer o que pensam - e sobretudo o quanto… deixam de pensar. Esses seriam os lhanos, os mansos de espírito, aqueles a quem deveríamos ser gratos, exaltando as suas virtudes democráticas, com expressões como "Que coisa emocionante! Que coisa bonita! Que bacana!" Ontem, mais de uma vez, fui tomado pela vergonha alheia. Raramente ouvi tanta bobagem em prazo tão curto.
As TVs foram tomadas, assim, por um tom missionário. É como se a Dona Maroca estivesse cobrindo os eventos das praças Tahrir e Taksim. À "maioria pacífica", opor-se-ia a minoria dos baderneiros, os que saem ateando fogo em tudo o que veem pela frente, depredando prédios públicos, quebrando aparelhos urbanos, querendo briga e confronto. Esses seriam os maus. E esses maus, insistem os criadores de categorias, não representariam aquela maioria de pessoas bem intencionadas.
Trata-se, lamento, de uma fraude intelectual, em primeiríssimo lugar, e de uma fraude jornalística, dela decorrente, que remete também a uma questão que diz respeito ao ordenamento jurídico, que está sendo incendiado nas redações, como o lixo anda a ser incendiado nas ruas.
A distinção bate, de saída, numa questão de lógica elementar. Se a minoria baderneira não representa a maioria supostamente pacífica que está nas ruas, esses dois grupos juntos formam uma minoria que, por seu turno, não representa a maioria das cidades. É simples, é óbvio, é elementar. De resto, nem maiorias nem minorias podem desrespeitar as leis sem que lhe advenham consequências.
É estúpido!
Cabe perguntar: 

1. Que diabo de "maioria (da minoria!!!) pacífica" é essa que impede o direito de ir e vir, que se atribui a licença de paralisar as cidades, que acredita poder impor a milhões de pessoas a sua pauta, a sua agenda, os seus métodos de luta?
2: Que diabo de "maioria pacífica" é essa que aceita se reunir com o secretário de Segurança Pública para conversar, mas jamais para negociar? Que aceita se reunir com o prefeito para conversar, mas jamais para negociar?
3: Que diabo de "maioria pacífica" é essa que arranca do secretário Fernando Grella, por exemplo, o compromisso de que não haveria tropa de choque, de que não haveria obstrução de ruas pela Polícia, de que não haveria bala de borracha etc, mas que não deu nada em troca? Não aceitou nem mesmo entregar um itinerário para facilitar o trabalho de segurança. São pessoas que agem como se estivessem apartadas da ordem democrática. No Roda Viva, um dos seus arrogantezinhos sugeriu que o que quer aconteça de ruim em São Paulo é de responsabilidade de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad. Afinal, por que eles não revogam o aumento? Bem, uma jornalista e dois "inteliquituais" afirmaram o mesmo ontem…
4: Que diabo de "maioria pacífica" é essa que atribui toda a violência havida na quinta-feira passada à Polícia Militar, sem nem mesmo admitir a parcela de culpa dos vá lá, radicais?
5: Que diabo de "maioria pacífica" é essa que não concede ao prefeito Haddad nem mesmo um prazo, então, para estudar planilhas de custos e, eventualmente, fazer uma sugestão? Não! É tudo ou nada e é agora! Como lembra a professora Janaina Paschoal, num artigo magistral para este blog, eles não sabem ouvir "não" como resposta. Na verdade, eles não sabem ouvir um "talvez". Birrentos, querem o doce na hora. E fim de papo. Ou é a redução já ou, anunciam, é gente na rua, cidade parada, caos.
Eu tenho uma novidade para os queimadores de Constituição das redações, tratada como se fosse o lixo das ruas. Os bandidos que saqueiam lojas, que depredam patrimônio público e privado, que saem por aí metendo fogo nas coisas incidem numa penca de artigos do Código Penal. Têm de ser presos. Mas esses que vocês chamam "maioria pacífica" violam cláusulas pétreas da Constituição, violam direitos fundamentais.
Esses que estão sendo tratados como heróis por uma penca de más-fés cruzadas (e por muitos inocentes esperançosos) estão estabelecendo novos marcos da luta política no Brasil. Na verdade, trazem para cá, de forma ainda incipiente, táticas filoterroristas que vêm sendo objeto de especulação teórica de alguns chamados neomarxistas, que acreditam que a luta política tem de se dar em duas frentes: a) na desarticulação dos chamados costumes conservadores - e, nesse caso, os principais alvos têm de ser família e a religião (o cristianismo, claro!); b) na desmoralização contínua, permanente, das instituições do estado.
Curiosamente, alguns mal chamados "libertários", ultraliberais em economia, têm uma agenda muito parecida. Mas isso fica para outra hora.
Eu estou pouco me lixando se essa gente tem ou não consciência do que está fazendo ou falando. O que me interessa é a consequência de suas escolhas para o país. Vejo a sua prática e me pergunto: e sr seu método se generaliza e se consagra? NOTA: Ontem, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, se propôs a receber o movimento. Resposta: a turma só fala com o prefeito se a Polícia soltar três pessoas que estão presas, envolvidas naquela tentativa de linchamento dos policiais na Assembleia Legislativa. 
Noto que, até agora, as ditas lideranças de um movimento supostamente sem líderes não veio a público para condenar o vandalismo. E não vêm por cálculo. Enquanto essa suposta "maioria pacífica" puder contar com os ditos "radicais" como seus aliados objetivos, sempre poderá posar de moderados, ainda que rasgando a Constituição, sob o aplauso quase unânime da imprensa.
A mesma imprensa que está tendo de se esconder para não apanhar. Ou eles batem, ameaçam, metem fogo.
Isso é fascismo destrambelhado, não democracia!
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"


Convite da Alphaville


Alphaville está convidando para uma festa exclusiva em comemoração ao seu futuro lançamento em Feira de Santana: "Venha se divertir, conhecer os detalhes e novidades deste novo projeto e degustar um coquetel especialmente preparado pelo chef André Chequer, um passeiogastronômico por todas as regiões do Brasil onde Alphaville está presente". 
Será na noite de quarta-feira, 20, a partir das 20 horas, com show de Marcela Martinez, na Mansão 888. A jornalista e promoter Lilia Campos à frente do evento.

"O centro do debate"


Por Marco Antonio Villa
As manifestações ocorridas em São Paulo nas últimas duas semanas permitem algumas reflexões. Que o transporte coletivo é ruim e caro, para os padrões do serviço oferecido, ninguém discorda. Mas não é esta a questão que está no centro do debate.
O que se discute é como combinar a defesa do estado democrático de direito, a liberdade de manifestação e o direito de ir e vir. O que está ocorrendo em São Paulo não tem qualquer relação com as manifestações de Brasília ou do Rio de Janeiro. Nestas cidades, o centro das reivindicações são os gastos abusivos da Copa do Mundo e o abandono daquilo que afeta o cotidiano da população: saúde, educação etc.
É como em 1968: enquanto no Rio a passeata dos cem mil defendia a democracia, em São Paulo, no mesmo dia, teve o atentado terrorista contra o II Exército.
Na busca de paralelos onde eles não existem, já foi possível ler e ouvir relações entre as manifestações de São Paulo com o que aconteceu nos países árabes, na Turquia, ou até com 1968.
Os mais exaltados apontaram que nada mais é que o mal-estar da civilização com a globalização e que o capitalismo vive uma crise terminal (como profetizado desde o século XIX...). Os jovens seriam emissários desta nova ordem pós (sempre tem de ter um "pós") globalização, uma continuidade do falecido movimento Ocuppy Wall Street. Lembram-se que, em 2011, diziam que o movimento iria se espalhar pelo mundo inteiro? O que aconteceu semanas depois? Nada.
A tentativa de relacionar com momentos da nossa História onde inexistiam - como agora - um regime de amplas liberdades é patética. Neste ritmo, logo veremos algum estudante de 68 gritando - 45 anos depois, já idoso - pelas ruas de São Paulo: "a luta continua." Qual luta?
A organização efetiva dos atos não é de um movimento autônomo, apartidário, de jovens insatisfeitos com a política e desejosos de encontrar alguma forma de participação. Nada disso.
Quem efetivamente dá as ordens são pequenos grupos ultraesquerdistas. E o fazem para dar alguma satisfação aos seus exíguos militantes. Estão há anos discutindo e escrevendo sobre a crise do capitalismo. Falam e não encontram adesão na sociedade. Continuaram só falando. E foram perdendo o ralo apoio que tinham.
Sem crise econômica e um desemprego monstruoso, como em vários países europeus, restou a estes grupos encontrar algum móvel de luta, para que não desaparecessem.
O aumento das passagens de ônibus - abaixo da inflação, registre-se - caiu do céu. Foi o meio que as lideranças obtiveram para ter a legitimação das bases cansadas de ouvir discursos revolucionários sem uma efetiva ação.
O ataque aos bens públicos e privados, a tentativa de linchamento de um policial militar na praça da Sé, atos que não têm qualquer relação com o aumento das passagens, são vistos como ação revolucionária, de resistência ao capitalismo e ao seu poder opressor, a polícia.
O vandalismo é o alimento destes grupelhos que agem de forma violenta, desprezando os valores democráticos e os direitos constitucionais. Sonham com um Brasil nos moldes de Cuba, Coreia do Norte. Não entendem que a liberdade de manifestação não se sobrepõe ao direito de ir e vir. E este é o desafio da democracia: garantir ambos os direitos. E agir com energia - dentro dos limites legais - quando qualquer um deles estiver sendo violado.
Nestes momentos de tensão - inerentes ao regime democrático - é que são testadas as autoridades. O governador de São Paulo não se omitiu. Presumo que saiba que tem um custo político a defesa da lei e da ordem democráticas em um país que valoriza e estimula tudo o que é ilegal.
Temos uma propensão à marginalidade. No caso das manifestações há os que justificam o vandalismo como uma forma de protesto, de insatisfação, de jovens que são incompreendidos pelo que chamam de sistema. E a ação do estado democrático de direito é demonizada.
Como é possível conter a destruição de ônibus, lojas, bancas de jornais, bares, liberar ruas e avenidas, sem o uso da força? E os abusos cometidos pela ação policial deverão ser investigados e devidamente punidos.
É evidente a tentativa do governo federal de obter algum dividendo político das manifestações. As declarações dos ministros José Eduardo Cardozo e Ideli Salvatti visam a desgastar politicamente o governador Geraldo Alckmin. Os mandriões atacaram quem simplesmente fez cumprir a Constituição.
A pergunta é: quem vai ganhar, politicamente falando? Ou será que todos - os partidos constituídos - vão perder?
Não faltam praças para mostrar indignação contra tudo e todos. Por que não aproveitam e pedem a prisão dos mensaleiros, a começar pela do sentenciado José Dirceu? Mas não é esse o objetivo dos manifestantes em São Paulo, volto a dizer, diferentemente do Rio ou de Brasília.
Grande parte dos manifestantes - especialmente a liderança que se pronuncia pela imprensa - é da classe média. Da classe média mesmo, não daquela inventada pelo petismo, a tal "classe C." Nas imagens não encontrei trabalhadores, pobres, negros.
Não vi também, protegendo os próprios municipais, a Guarda Civil Metropolitana. Foram omissos, como o prefeito Fernando Haddad - e o aumento das passagens de ônibus é da esfera da prefeitura. E a Câmara de Vereadores? Mutismo total. Os 55 vereadores servem para quê?
Pode ser que a luz contra o marasmo venha do Rio ou de Brasília.
Marco Antonio Villa é historiador
Fonte: "Blog do Noblat"


"Feira, não te conheço!"



O jornalista Jânio Rego em seu "Blog da Feira" repete à exaustão o bordão "Feira, eu te conheço!". Mas, na prática, não é assim. 
Em postagem na terça-feira, 18, sobre Juraci Dórea montar escultura no campus da Uefs, ele afirma que "uma réplica dela em cimento está no centro da cidade".
A réplica da escultura de couro e varas, que já foi plantada até na Bienal de Veneza, é em ferro (Foto: Blog Demais), Jânio Rego. Não em cimento.

Organização internacional ensina como se manifestar


Recomendações da organização Anistia Internacional para a realização de manifestações públicas:
Facilite manifestações públicas pacíficas
É direito legítimo das pessoas se manifestarem publicamente. A função da polícia é facilitar e não coibir a marcha.
Em casos de manifestações não violentas, mesmo aquelas que não respeitem às leis, a polícia deve evitar o uso da força. Se inevitável para assegurar a segurança, deve-se usar o mínimo de força necessária.
Proteja manifestações pacíficas
Violações menores da lei, como pequenos danos à propriedade, devem ser investigadas e, eventualmente, responsabilizadas. Elas não devem, entretanto, levar à dispersão da manifestação. A decisão de se dispersar a marcha deve ser tomada com base em princípios de necessidade e proporcionalidade - apenas quando não há outra maneira de se proteger o público de uma onda de violência eminente.
Em locais onde minorias tentam transformar uma manifestação pacífica em violenta, os policiais devem proteger os manifestantes pacíficos.
Reduza situações de tensão e violência
A comunicação com a organização do movimento deve criar um vínculo de compreensão mútua e prevenir a violência.
Em locais nos quais casos de violência são muito prováveis, a comunicação se torna ainda mais importante.
Quando a decisão de dispersar a multidão é tomada, essa ordem deve ser claramente comunicada e deve-se dar tempo suficiente para as pessoas se dispersarem.
Use a força policial apenas para manter a lei
A força não deve ser usada para punir participantes que não cumpriram ordens ou contra aqueles que simplesmente participam da manifestação.
Prisões devem ser feitas de acordo com os procedimentos previstos em lei, e não devem ser usadas como mecanismo para evitar a participação na marcha ou como punição.
Minimize os danos, preserve e respeite a vida e proteja aqueles não envolvidos
Armas de fogo não devem ser usadas para dispersar uma multidão. Cassetetes e armas de baixo impacto não devem ser usadas contra pessoas que não são agressivas ou que não apresentam ameaça.
Quando o uso dessas armas for necessário, os policiais não devem causar sérios ferimentos e evitar lesionar partes vitais do corpo. Produtos químicos irritantes, como gás lacrimogênio, não devem ser usados em ambientes fechados ou de uma maneira que possa causar danos permanentes.
Seja responsável com a população e o Judiciário
Qualquer uso de força durante uma manifestação deve ser motivo de análise e, quando apropriado, de sanções disciplinares e criminais. Reclamações contra a polícia devem ser investigadas de maneira imparcial.
Fonte: Site da "Veja"

"Manifestante pacífico"



"Você lerá que comissão aprovou 'projeto de cura gay'. É uma falsa notícia e aqui se explica por quê"



Por Reinaldo Azevedo
Nem tudo se resume à minoria na rua. Há outros assuntos em pauta no país. O blog recebeu ontem quase 300 mil visitas. É provável que alguns novos leitores acabem tomando gosto pela página. Nem todos conhecem os debates travados aqui. Pois bem: nos jornais desta quarta, vocês encontrarão o que já está nos sites e portais. Algo mais ou menos assim: "Comissão de Feliciano aprova projeto da cura gay". É mentira dupla! Em primeiro lugar, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara não pertence ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Em segundo lugar, não existe projeto que prevê a cura gay. Isso é uma fantasia do jornalismo militante. Semelhante àquela que sustenta que o Estatuto do Nascituro é "Bolsa Estupro". Tenho 51 anos. Quando eu tinha 20 e poucos, 30 e poucos e, acreditem, até 40 e poucos, era proibido fazer militância política em redação. Cada um que tivesse as suas convicções, mas o compromisso tinha de ser com o fato, segundo valores, a saber: defesa da democracia, do estado de direito, da economia de mercado. Era proibido, por exemplo, mentir , simplificar ou trapacear em nome do bem da humanidade. Jornalista reporta o que vê - e alguns opinam. Mas sem inventar o que não existe num caso ou noutro.
Ao fato mais recente: a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara aprovou um Projeto de Decreto Legislativo, do deputado João Campos (PSDB-GO), que susta dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O texto ainda tem de passar pelas comissões de Seguridade Social e de Constituição e Justiça. Se alguém não conhece detalhes do debate - geralmente ignorados porque fica mais fácil fazer proselitismo onde há ignorância, especialmente a bem intencionada - explico tudo abaixo, nos mínimos detalhes, conforme fiz, por exemplo, no dia 2 de maio. Vamos ver.
O Projeto de Decreto Legislativo 234/11 torna sem efeito o trecho do Artigo 3º e todo o Artigo 4º da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia.
Então vamos aos documentos. A íntegra do Projeto de Decreto Legislativo está aqui, com a justificativa. Reproduzo a parte propositiva em azul.
Art. 1º Este Decreto Legislativo susta o parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999.
Art. 2º Fica sustada a aplicação do Parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.
Art. 3º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação.
Então é preciso fazer o que virou raridade nas redações quando os lobbies "do bem" ditam a pauta; saber, afinal, que diabo dizem os trechos que seriam sustados.
"Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados."
Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Comento
Atenção! A proposta de Decreto Legislativo não toca no caput do Artigo 3º. Ele seria mantido intocado. Como deixa claro o projeto do deputado, seriam suprimidos apenas o Parágrafo Único do Artigo 3º e o Artigo 4º.  Como se nota, ao suprimir esses dois trechos da Resolução 1/99, o Projeto de Decreto Legislativo não passa a tratar a homossexualidade como uma doença. É mentira! Também não autoriza a “cura gay”. É outra mentira! São distorções absurdas!
Fato, não militância
Procederei a algumas considerações prévias, até que chegue ao cerne da questão. Avalio que a homossexualidade não tem cura pela simples razão de que não a considero uma doença. E nisso concordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) e com o Conselho Federal de Psicologia. Assim, não acredito em terapias que possam converter héteros em gays ou gays em héteros (não se tem notícia de que alguém tenha buscado tal conversão). Mais: sexualidade não é uma opção - se fosse, a esmagadora maioria escolheria o caminho da maior aceitação social, e, nessa hipótese, as escolhas poderiam até ir mudando ao longo do tempo, à medida que determinadas práticas passassem a ser mais aceitas ou menos.
Há quem só goste de um brinquedo; há quem só goste do outro; e há quem goste dos dois. Essa minha opinião não é nova - o arquivo está aí. Os espadachins da reputação alheia, como escreveu Balzac, fazem questão de ignorá-la porque gostam de inventar inimigos imaginários para posar de mártires. Muito bem. Até aqui, não haveria por que os gays - ou o que chamo “sindicalismo gay” - estrilar. Mas é evidente que não pensamos a mesma coisa. Entre outras divergências, está o tal PLC 122 que criminaliza a chamada "homofobia". Trata-se de um delírio autoritário. Já escrevi muito a respeito e não entrarei em detalhes agora para não desviar o foco.
Vamos lá. Desde 22 de março de 1999, está em vigência a tal Resolução 1 (íntegra aqui), que cria óbices à atuação de psicólogos na relação com pacientes gays. Traz uma porção de "considerandos", com os quais concordo (em azul), e depois as resoluções propriamente. Listo os ditos-cujos:
CONSIDERANDO que o psicólogo é um profissional da saúde;
CONSIDERANDO que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é frequentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;
CONSIDERANDO que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;
CONSIDERANDO que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
CONSIDERANDO que há, na sociedade, uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente;
CONSIDERANDO que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações
Aí vem o conteúdo da resolução. O caput do Artigo 3º, com o qual ninguém mexe, é correto. Reproduzo:
"Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados."
Está claro, então, que os psicólogos não atuarão para favorecer a patologização da homossexualidade nem efetuarão tratamentos coercitivos. E a parte que cairia? Pois é…Transcrevo outra vez (em vermelho e em destaque):
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Têm de cair mesmo!
Qual é o principal problema desses óbices? Cria-se um "padrão" não definido na relação entre o psicólogo e a homossexualidade. Esses dois trechos são tão estupidamente subjetivos que se torna possível enquadrar um profissional - e puni-lo - com base no simples achismo, na mera opinião de um eventual adversário. Abrem-se as portas para a caça às bruxas. Digam-me cá: um psicólogo que resolvesse, sei lá, recomendar a abstinência sexual a um compulsivo (homo ou hétero) como forma de livrá-lo da infelicidade - já que as compulsões, segundo sei, tornam infelizes as pessoas -, poderia ou não ser enquadrado nesse texto? Um adversário intelectual não poderia acusá-lo de estar propondo "a cura"? Podemos ir mais longe: não se conhecem - ou o Conselho Federal já descobriu e não contou pra ninguém? - as causas da homossexualidade. Se um profissional chega a uma determinada terapia que homossexuais, voluntariamente, queiram experimentar, será o conselho a impedir? Com base em que evidência científica?
Há uma diferença entre "verdade" e "consenso da maioria influente". Ademais, parece-me evidente que proibir um profissional de emitir uma opinião valorativa constitui uma óbvia infração constitucional. Questões ligadas a comportamento não são um teorema de Pitágoras. Quem é que tem o “a²= b²+c²” da homossexualidade? A resolução é obviamente autoritária e própria de um tempo em que se impõe a censura em nome do bem.
Ora, imaginem se um conselho de "físicos" ousaria impedir os cientistas de tentar contestar a relatividade. O que vai ali não é postura científica, mas ideologia. Se conceitos com sólida reputação de verdade, testados empiricamente, podem ser submetidos a um teste de estresse intelectual, por que não considerações que dizem respeito a valores humanos? Tenham paciência! O fato de eu não endossar determinadas hipóteses ou especulações não me dá o direito de proibir quem queira fazê-lo.
Fiz uma pesquisa antes de escrever esse texto. Não encontrei evidências de resolução parecida em nenhum lugar do mundo. O governo da Califórnia, nos EUA, proibiu a terapia forçada de "cura" da homossexualidade em adolescentes. É coisa muito diferente do que fez o conselho no Brasil. Países que prezam a liberdade de expressão e que não querem usar o discurso da liberdade para solapar a própria liberdade não se dão a desfrutes dessa natureza.
Então vamos lá. Eu não estou defendendo terapias de cura da homossexualidade. Eu não acredito que haja cura para o que não vejo como doença. Também não acho que estamos no universo das escolhas. Dito isso, parece-me uma suma arrogância que um conselho profissional interfira nessa medida na atividade clínica dos profissionais e, atenção!, dos pacientes também! Assim, no mérito, não vejo nada de despropositado na proposta do deputado João Campos. Ao contrário: acho que ela derruba o que há de obviamente autoritário e, entendo, inconstitucional na resolução porque decidiu invadir também o território da liberdade de expressão, garantido pelo Artigo V da Constituição.
É preciso saber ler.
Proponho aqui um exercício aos meus colegas jornalistas. Imaginem um Conselho Federal de Jornalismo que emitisse a seguinte resolução, com poder para cassar o seu registro profissional:
"Os jornalistas não colaborarão com eventos e serviços que proponham qualquer forma de discriminação social".
"Os jornalistas não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos contra pobres, negros, homossexuais, índios, mulheres, portadores de necessidades especiais, idosos, movimentos sociais e trabalhadores"
O idiota profissional diria: "Ah, está muito bem para mim! Eu não faria nada disso mesmo!". Não, bobalhão, está tudo errado! Você se entregaria a uma "corte" de juízes que definiria, por sua própria conta, o que seria e o que não seria preconceito. Entendeu ou preciso pegar na mãozinha para ajudar a fazer o desenho? O problema daquele Parágrafo Único do Artigo 3º e do Artigo 4º é o subjetivismo. Ninguém pode ser obrigado, não numa democracia, a se submeter a um tribunal que pode dar a sentença máxima com base nos… próprios preconceitos.
Nem nos seus delírios mais autoritários ocorreria a um conselho profissional nos EUA, por exemplo, interferir dessa maneira na relação do psicólogo com o seu paciente. Uma coisa é afirmar, e está correto, que a homossexualidade não é doença; outra, distinta, é querer impedir que o profissional e quem o procura estabeleçam uma relação terapêutica que pode, sei lá, disciplinar um comportamento sexual sem que isso seja, necessariamente, uma "cura".
Os tais trechos da resolução, entendo, são mesmo autoritários e inconstitucionais. E têm de cair. E o que parece, isto sim, não ter cura é a vocação de amplos setores da imprensa para a distorção. Cada vez mais, a notícia se transforma num instrumento para privilegiar "os bons" e satanizar "os maus". Isso é militância política, não jornalismo.
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"

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"Dilma quer licença de Lula para demitir Carvalho"




A presidenta Dilma já não suporta a convivência com Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, mas ainda não o demitiu porque o ministro é uma indicação pessoal do ex-presidente Lula. E espera que Lula a libere para demiti-lo quando julgar conveniente. A informação é de senadores do PT e do PTB com acesso aos gabinetes do Planalto. Ela se queixa de que ele provoca uma crise sempre que abre a boca. 
Preocupações 
Gilberto Carvalho e as manifestações de segunda-feira por todo o País foram temas da conversa de Dilma com Lula, ontem, em São Paulo. 
Espião oficial 
Ex-chefe do Gabinete Pessoal de Lula, o ministro Gilberto Carvalho é uma espécie de "olhos e ouvidos" do ex-presidente no Planalto.
Fonte: Cláudio Humberto

terça-feira, 18 de junho de 2013

Filmagens no campus da Uefs

Imagens do ensaio fotográfico de George Lima realizado nesta terça-feira, 18, sobre escultura que o artista plástico Juraci Dórea plantou no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), durante filmagens de "O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão: Veredas", de Tuna Espinheira, com produção executiva de Wiltonauar Moura, da Larty Mark.


Aviso no Facebook


 
Fonte: Movimento Contra Corrupção

"MILHARES DE BRASILEIROS PROTESTANDO, E EU PERGUNTO: CADÊ LULA? ONDE ESTÁ O 'GRANDE LÍDER'? O QUE É QUE ELE ACHA DE TUDO ISSO?"



Por Ricardo Setti
O ex-presidento Lula, como se sabe, fala pelos cotovelos sobre tudo, em todos os lugares em que consegue juntar uma audiência. Agora, com milhares de brasileiros protestando nas ruas, está quietinho. Onde está Lula? O que tem a dizer, além das platitudes que postou em seu Facebook? 
Líder que é líder - é líder.
Líder está e aparece nas horas gloriosas mas é muito mais importante que apareça nos momentos de transe, difíceis, críticos, decisivos.
Líder precisa ter coragem.
Líder precisa por a cara para bater.
Tem que indicar caminhos, orientar, fazer-se seguir - ou divergir, criticar, trombar de frente com o que não concorda.
Líder não se esconde da multidão, aparece.
Líder não se encolhe, mas se expõe.
Aí, diante das multidões que se manifestam Brasil afora - hoje, entre outras cidades, em São Paulo, Florianópolis, São Gonçalo (RJ), Juazeiro (BA), São José do Rio Preto (SP) -, pergunto: CADÊ LULA?
Onde está o Lula falastrão, discurseiro, palanqueiro, que mete a colher em todos os assuntos, sempre que consegue juntar uma audiência diante de si?
Onde está o Grande Negociador para "sentar" - um de seus verbos preferidos - com líderes do movimento, sejam eles quem forem?
O que é que ele, afinal, tem a dizer sobre o que ocorre nas ruas "deztepaiz"?
Tudo o que se soube do Grande Líder, do Salvador da Pátria, do Criador do Brasil, do Nunca Antes Neste País foram declarações rasteiras, chinfrins, óbvias - e distantes anos-luz do que ocorre nas ruas - e postadas no Facebook. Vejam vocês mesmos:


Sabem por que, acho eu, aqui do meu canto, Lula não aparece, não fala, não se expõe?
Porque nem ele, o santo-dos-santos do populismo, o campeão dos campeões de popularidade, vai acabar sendo vaiado, vai ser arremessado na vala comum dos politicões tradicionais - uma vez que, como se sabe, ele se tornou também um campeão na modalidade, com sua aliança com os sarney, collor, maluf, jader barbalho e renan calheiros da vida.
Não aparece, não fala e não se expõe para não ouvir o que já se grita, em diferentes pontos "deztepaiz":
- Fora, Lula!