Jornalista era editor-chefe do jornal impresso Feira de Jesus que circulou entre 1994 e 1999
O jornalista e memorialista Dimas Oliveira tomará posse na Cadeira 16 da Academia Feirense de Letras (AFL) nesta sexta-feira, 10 de julho, às 19h, no Casarão Fróes da Motta. O ingresso do novo imortal ocorre em meio às celebrações de 50 anos da instituição e representa o reconhecimento de uma vida dedicada à preservação da identidade local. A honraria carrega ainda um forte simbolismo pessoal: a cadeira tem como patrono o educador Áureo de Oliveira Filho, que foi padrinho de batismo de Dimas nos anos 1960 e o responsável por dotar a cidade com o Cine Teatro Santanópolis.
Embora consagrado por sua cobertura cinematográfica e cultural iniciada em 1967, um dos pilares mais robustos da contribuição de Dimas para a memória feirense foi sua atuação como editor-chefe do jornal impresso Feira de Jesus. O periódico, que circulou entre 1994 e 1999, não era apenas um canal de notícias confessionais. Sob a batuta do jornalista, o veículo funcionou como um marco peculiar e pioneiro na imprensa evangélica local, carregando um forte simbolismo político e social para a comunidade protestante da época.
O nome "Feira de Jesus" nascia de um anseio prático de grupos protestantes da década de 1990 de contrapor a forte tradição católica implícita no próprio nome oficial do município ("Feira de Santana"). Naquele momento, o fato de existir um empreendimento impresso e estruturado voltado exclusivamente para esse público já demonstrava a busca por maior visibilidade social. O jornal registrou o cenário local em um período anterior à chegada de movimentos de grande impacto que transformariam as dinâmicas das igrejas feirenses mais tarde, a exemplo do modelo G12/M12.
Ao equilibrar com maestria seu rigoroso olhar crítico à frente da edição cristã, Dimas Oliveira transformou o Feira de Jesus em um termômetro do crescimento evangélico e em uma fonte documental valiosíssima para pesquisadores da evolução social e religiosa do final do século XX. Para o presidente da AFL, João Batista de Cerqueira, acolher o jornalista - que também assina obras fundamentais como “cinema demais” - é motivo de alegria, pois sua sensibilidade histórica enriquece de forma definitiva o patrimônio intelectual da instituição.
Fonte: Portal Cidade Gospel, com informações de Denivaldo Costa e Folha do Estado


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