Venda antecipada de ingressos no Orient Cineplace Boulevard

Venda antecipada de ingressos no Orient Cineplace Boulevard

Em lançamento mundial no Orient Cineplace Boulevard

Em lançamento mundial no Orient Cineplace Boulevard
13 - 15h40 - 18h25 (Dub) - 21h10 (Leg) no Orient Cineplace Boulevard

terça-feira, 11 de outubro de 2016

"Lula caminha para ser réu pela 3ª vez, e sua defensa continua no samba de uma nota só"



Por Reinaldo Azevedo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a caminho de ser réu pela terceira vez, de novo na Justiça Federal de Brasília, onde é investigado sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça no caso que envolve Nestor Cerveró. Ele teria participado da tramoia para tentar comprar o seu silêncio. Na 13ª Vara Federal de Curitiba, é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É o caso do apartamento do Guarujá.
No STF, é investigado no inquérito-mãe que apura a existência de uma organização criminosa que tinha como epicentro a Petrobras. Teori Zavascki, como se sabe, atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República e o incluiu no inquérito. Nesta segunda, uma nova denúncia, agora no âmbito da Operação Janus: Lula é acusado de ter criado facilidades junto ao BNDES para beneficiar negócios da Odebrecht em Angola. Crimes de que é acusado desta vez: organização criminosa, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A possibilidade de que a denúncia venha a ser aceita é enorme.
Muito bem! E qual tem sido, invariavelmente, o comportamento dos seus defensores?
Acusar uma suposta conspiração política que estaria em curso para incriminar o ex-presidente. Ele próprio insiste nessa tecla em palanques por aí, quando sugere que estão tentando tirá-lo da eleição de 2018. O curioso é que ele fala como se ainda fosse um forte candidato. E, bem, todos sabemos que ele não é.
O conjunto de evidências que vazam dessas investigações, inquéritos e denúncias contra Lula é assombroso. Mas não serei eu o juiz. Que se proceda ao devido processo legal. O que chega a ser espantoso é que advogados experientes insistam numa linha de defesa que tem se provado um desastre.
Desde quando se anunciou que o chefão petista poderia ser investigado, deu-se o grito de guerra: "Estão querendo pegar Lula. Lula é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo". De lá pra cá, reitero, duas denúncias aceitas, uma terceira a caminho, uma investigação no Supremo e, bem…, sabe-se lá mais o quê.
Por que isso? Acho que só a arrogância pode explicar. Em termos estritamente técnicos, a defesa não prova a inocência. O que ela faz é tentar demonstrar a fraqueza da acusação, descaracterizando as provas. Claro, havendo álibi, ele tem de ser apresentado. Mais: se há vícios processuais, os defensores também têm de demonstrá-lo. Reitero: estou tratando de questão técnica.
A defesa de Lula, no entanto, elegeu a arena ideológica para combater, o que, sinceramente, é algo incompreensível a qualquer ser razoável. Não adianta! A tese de que tudo não passa de preconceito e de armação política se esfarela diante da pletora de evidências de que uma organização criminosa comandava o poder. Os advogados do ex-presidente podem até insistir que ele nada tinha a ver com isso. Mas é um absurdo e uma perda de tempo tentar jogar tudo na conta da imaginação de adversários e da conspiração.
O efeito tem sido contraproducente, inclusive junto à opinião pública. O Lula inocente num mar de lama já virou caricatura. Só serve para gerar memes na Internet. Açula a criatividade da moçada, irrita os medianamente informados e humilha os já humildes, que sabem que jamais terão a quem transferir responsabilidades.
Eu não tenho o menor interesse em ensinar aos advogados de Lula como se faz a coisa certa. Até porque não tenho expertise para isso. O que me interessa na estratégia da defesa é estudar discursos, é a semiótica da coisa. Os advogados de Lula falam como se houvesse na rua uma massa pronta a se sublevar e a tomar seu herói dos braços da reação para alçá-lo em triunfo.
É chato ter de lembrar, mas lembro: essa não é a função da defesa. Essas massas não existem.
Os doutores que o defendem que tratem de voltar ao livro-texto da advocacia. Esse discurso político não vai dar em nada. A não ser em cadeia.
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"
 


Nenhum comentário: