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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Até você, Giorgia? Estragos que a guerra no Irã faz com os aliados americanos.

 Depois que a primeira-ministra não autorizou uso de base italiana, fica claro o prejuízo que vem sendo causado entre EUA e europeus. 

Por Vilma Gryzinski: 

Giorgia Meloni se dá bem com Donald Trump e é de direita - embora, ao contrário das maluquices ditas quando foi eleita, não tenha arrastado a Itália de volta ao fascismo. Por isso, pesa mais o fato de que ela não tenha autorizado o uso da base de Sigonella, na Sicília, por aviões americanos que transportavam armas para a guerra no Irã. Tudo perfeitamente dentro dos conformes dos acordos que regem o uso das bases na Itália, voltado para atividades logísticas e de reabastecimento, com casos de guerra exigindo autorização do Parlamento, mas o suficiente para ilustrar como um dos piores efeitos da guerra do Irã é a deterioração das relações dos Estados Unidos com os aliados europeus que Trump acusa de fazer corpo mole.

É diferente quando o espanhol Pedro Sánchez, líder de um partido esquerdista fundamentalmente antiamericano, veta o uso de bases e quando a atitude parte de uma aliada como Meloni.

França e Alemanha também já criticaram a declaração de guerra unilateral, sem o endosso de nenhuma organização supranacional como a ONU ou a União Europeia. A Grã-Bretanha, também governada por um partido de esquerda, faz malabarismos para não provocar Trump e ao mesmo tempo não se envolver na guerra.

Nem sempre funciona. Ontem Trump estava cuspindo fogo nos aliados hesitantes. "A todos os países que não conseguem combustível de avião por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, eu tenho uma sugestão", fulminou ele. "Número 1, comprem dos Estados Unidos, nós temos de sobra, e número 2, tomem uma coragem atrasada, vão para o Estreito e o consigam".

SONHO DE PUTIN

"Vocês têm que começar a aprender a lutar por si mesmos, os Estados Unidos não vão ficar mais ajudando, da mesma forma que vocês não nos ajudaram. O Irã foi, basicamente, dizimado. A parte difícil foi feita. Vão conseguir seu próprio petróleo".

São palavras duríssimas que atacam o coração da aliança atlântica, o instrumento de cooperação política e militar que projetou o poder americano sobre a Europa – e estendeu sobre o continente o guarda-chuva militar que não só impediu uma invasão soviética como acabou redundando no desmanche pacífico da poderosa URSS.

Os Estados Unidos têm razão em reclamar que os europeus se acomodaram na posição de ter a defesa garantida pelo rico aliado e usaram seu dinheiro em outros fins – inclusive na sustentação do generoso estado de bem-estar social que tantos benefícios traz. Mas a dificuldade de Trump é em aceitar que os Estados Unidos também foram beneficiados, e não simplesmente escorchados como diz com frequência.

Ver a aliança atlântica enfraquecida é um sonho para Vladimir Putin, que ganha uma vitória sem precisar fazer nada, ainda mais enquanto a guerra na Ucrânia solapa o poder da Rússia, e não deve ser visto com desagrado pela China.

MUITOS TRUNFOS

Giorgia Meloni tentou evitar a impressão de atrito com os Estados Unidos e disse que as relações com o país "são sólidas e baseadas na total e leal cooperação". Ela também já havia dito que era impensável ter o regime dos aiatolás de posse de armas nucleares e com tecnologia de mísseis com alcance para atingir a Europa.

Mas dificilmente vai escapar da fúria de Trump. O presidente deve estar frustrado por não ver a queda do regime teocrático que seria lógica, diante da decapitação da liderança e da revolta maciça da população poucas semanas antes. Pode ter subestimado o poder de um regime altamente repressivo sobre um povo acuado e intimidado, sem internet e sem clareza sobre o que está acontecendo em seu próprio país. Talvez também esperasse apoio em larga escala dos países europeus pelos quais os Estados Unidos tanto fizeram. Ou tenha confundido o pavor inspirado pelo Irã mostrado por líderes europeus em conversas privadas com aprovação a uma intervenção bélica sem respaldo legal.

Seria prejudicial a seus próprios interesses se Trump torpedear a Otan ou largar no meio do caminho a operação iniciada no Irã. O presidente tem muitos trunfos na mão, sendo o mais forte deles a posição forte dos Estados Unidos no campo dos recursos energéticos.

O melhor que tem a fazer é usá-los a seu favor – e, sim, também dos aliados europeus. Brigas em família devem ser deixadas para momentos menos urgentes. "Os Estados Unidos vão se LEMBRAR", proclamou ao reclamar que a França também não permitiu o sobrevoo de aviões a caminho do Irã. Pois que se lembrem, mas não detonem seus próprios interesses. Enfraquecer a Otan seria dar uma vitória de graça aos maiores inimigos dos Estados Unidos.

Fonte: https://otambosi.blogspot.com/

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