Lembranças de minha avó Marie Laurette Vergnes
Casal André Sylvain Vergnes e Marie Laurette Vergnes
Por Ronna Velloso
Minha avó, Marie Laurette Vergnes, era uma mulher extraordinária, agradável, forte… tenho muitas lembranças e graças a Deus pude conviver muito com ela.
Adorava sua casa, sempre bem arrumada e organizada. Aos 11 anos, eu estudava no Colégio Castro Alves e ela me levava, me pegava e fazia meu almoço. E que almoço, filé selado na hora, arroz com alho, purê de batata, uma salada francesa fantástica, tudo tão rápido e tão delicioso.
À tarde eu ia para o curso de inglês, para o balé, para banca. Andávamos muito pela Kalilândia e na volta para casa, algumas vezes comprávamos pão de açúcar, que eu comia com café com leite, um sabor, que eu consigo sentir agora.
Na casa de minha avó eu ficava até meus pais me pegarem à noite. Um fato engraçado é que eu poucas vezes dormia lá, minha avó acordava muito cedo para caminhar, umas 4/5 horas, e numa dessas vezes, eu acordei e ela já tinha saído, por isso fiquei com medo e para ligar para minha mãe, tive que pedir a uma amiga que ligasse de volta porque a linha era a mesma, coisas da época do telefone fixo.
Ela se aborrecia quando abríamos a geladeira à toa, sempre perguntava o que a gente queria abrindo…rsrs. As lembranças também remontam de quando eu era ainda mais nova, nos veraneios em Cabuçu. É tão viva a lembrança de minha avó com a canga amarrada alta, no busto, e nós duas ou com Jordanna descendo para ir para praia… lá ficávamos durante toda a manhã, e mesmo muito branquinha, ela conseguia e adorava ficar horas no mar, sempre comprando picolé de manga ou amendoim.
Às vezes, me recordo de uma vez, saímos de lancha com Modezil (Cerqueira), um amigo de meus pais, só eu e ela. Outras vezes, antes de voltar para casa, eu pedia um banho de piscina na casa de Marcelo, também amigo da família.
Volto a Feira de Santana e retomo a um dos Natais, em que me recordo do seu conjunto de linho, o cabelo bem arrumado, com laquê, unhas bem feitas, e assim sentave-se na varanda, a primeira, a esperar pelas comemorações.
Eu quis que ela fosse morar comigo em Salvador, quando fui fazer o segundo grau, e ao seu lado, em um colchão, eu dormi, por dois a três anos. Nunca brigamos, poucas vezes discutimos. Minha admiração será eterna. São tantas recordações, tantas lembranças vivas e por isso, não me sinto longe dela, me sinto tão próxima quanto em todos esses momentos.
Ronna Velloso, neta, é médica
Post Scriptum:
O livro "Betina", de Conceição Carvalho, lançado em 31 de julho de 2025, é dedicado, in memoriam, entre outras pessoas, a Marie Laurette Vergnes - sage femme e enfermeira - pelas três mil vidas que vieram ao mundo por suas mãos, menos no Hospital Dão Pedro de Alcântara e incontáveis atendimentos domicilares.


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