Opção de transferência bancária para a Pessoa Física: Dimas Boaventura de Oliveira, Banco do Brasil, agência 4622-1, conta corrente 50.848-9

Clique na imagem

*

*
Clique na logo para ouvir


Telefones: (71) 3634-6194/ 6197/ 6060 - (71) 99965-4537 * E-mails: cpl@construtorapereiralima.com.br - construtoraplima@terra.com.br * Site: https://construtorapereiralima.com.br/


Pré-Venda para Pré-Estreia e Lançamento

Pré-Venda para Pré-Estreia e Lançamento
Dia 21/04: 20h30 - Dias 22 a 29/04: 13 - 15h40 - 18h20 - 21 (Dublado)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A vida como exemplo I

Lembranças de minha avó Marie Laurette Vergnes


Casal André Sylvain Vergnes e Marie Laurette Vergnes 

Por Fábio Veloso

Apesar dos esforços de reconstrução e do Plano Marshall, a Europa ainda sentia os efeitos da 2ª Guerra Mundial, fato que encorajou significativas marchas migratórias para "as Américas". Foi em meio a esse cenário que, em janeiro daquele ano, o casal André Sylvain Vergnes e Marie Laurette Vergnes deixou Toulouse, sul da França, a bordo de um navio com destino ao Brasil. Viagem longa, austera e difícil, principalmente para a jovem Marie, então grávida. 

A intenção inicial era seguir para a Argentina. Mas, quis o destino - e certa dose de vontade da gestante - que as raízes da nova vida fossem fincadas no Brasil. 

Na trilha dessa decisão, a filha do casal nasceu em 30 de maio de 1955, na capital paulista, onde haviam desembarcado. A então pequenina Martine Christiane Vergnes reafirmou no coração do casal um vínculo de amor e dedicação que duraria a vida inteira. 

Começo difícil, como previsto. Novo e longínquo país, dificuldade de comunicação decorrente do natural desconhecimento da língua portuguesa, com vínculos familiares, amizades e pátria-mãe a milhares de quilômetros de distância, do outro lado do Oceano Atlântico. 

Mas, a disposição do casal ao trabalho e a vocação do Brasil a ser mãe gentil propiciaram contatos que, na pessoa do Dr. Dival Pitombo, levaram a jovem família à cidade de Feira de Santana-BA quando Martine tinha apenas um ano de vida. Estabeleceram-se na casa de nº 553 da Rua Leolinda Bacelar, bairro Kalilândia. Logo se tornaram conhecidos: ele, como "Seu André"; ela, "Dona Laurette". 

Seu André havia servido às forças armadas de seu país, como piloto de avião em combate ao nazismo durante a 2ª Guerra Mundial. Já em terras brasileiras, dedicou-se ao magistério, lecionando francês nos colégios Santanópolis, Normal e São Gonçalo. Ensinar era, a um só tempo, reverenciar a sua cultura de origem e ampliar os horizontes de todos na nova casa.

Por sua vez e na esteira do curso que fizera na França, Dona Laurette atuou como enfermeira e parteira no Brasil. Fez da profissão um sacerdócio, numa rotina de trabalho que, na prática, significava estar de plantão ininterrupto todos os dias, já que os recursos então disponíveis não propiciavam a margem de agendamento de partos dos dias atuais. E foi assim que cerca de três mil bebês vieram ao mundo por suas habilidosas e incansáveis mãos, em diferentes dias, horários, feriados, datas festivas, noites e madrugadas. 

Ela, que também trabalhara como enfermeira na referida guerra, redimensionou a sua vocação laboral no Brasil. Lá na França, atuava para socorrer feridos e evitar mortes. Tratava-se de evitar o fim. Aqui, suas amorosas mãos traziam vida. Tratava-se de proporcionar o começo. 

Em casa, Dona Laurette era uma esposa, mãe, avó e sogra cuidadosa e amorosa. Seu talento culinário resultava em saborosas refeições, tanto da cozinha francesa (ah, aquela terrine au foie gras!) como local, a exemplo do seu inesquecível vatapá. Gostava da família reunida em longos almoços dominicais, com boa mesa, um belo vinho e, principalmente uma agradável prosa para compartilhar afeto em família. 

São histórias de vida cujo fio condutor foi o amor, em suas mais diversas expressões: amor à família, aos amigos, ao trabalho, à França (eternamente viva em seus corações), ao Brasil e a Feira de Santana, que os acolheu com particular generosidade. 

A trajetória de Seu André e Dona Laurette está marcada na história feirense, deixando um legado que permanece absolutamente indelével na memória de todos. Fizeram da vida um exemplo! 

Merci, Seu André e Dona Laurette! 

Fábio Velloso, neto emprestado, é promotor de Justiça

Post Scriptum: 

O livro "Betina", de Conceição Carvalho, lançado em 31 de julho de 2025, é dedicado, in memoriam, entre outras pessoas, a Marie Laurette Vergnes - sage femme e enfermeira - pelas três mil vidas que vieram ao mundo por suas mãos, menos no Hospital Dão Pedro de Alcântara e incontáveis atendimentos domicilares.

Nenhum comentário: