Programação reúne mesa temática e fórum aberto para discutir memória, preservação, acesso e articulação regional de acervos comunitários
O debate sobre memória, território e direito à narrativa ganha centralidade no próximo dia 24 de abril, com a realização do encontro "Arquivos Comunitários, Território e Disputas Pela Memória". O evento reúne pesquisadores, gestores, articuladores da memória e representantes de experiências fundamentais no campo dos acervos comunitários. Mais do que discutir preservação documental, a programação propõe uma reflexão sobre o papel político desses arquivos na afirmação identitária, na resistência ao apagamento e na produção de narrativas construídas a partir dos próprios territórios e sujeitos sociais.
Ao longo do dia, a programação será dividida em dois momentos. Pela manhã, das 10 às 12 horas, acontece a mesa "Arquivos Comunitários, Território e Disputas Pela Memória", com participação de Thamires Ribeiro, do Museu da Maré; José Carlos Ferreira, do Zumví Arquivo Afro Fotográfico; Jorge X, diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia; e Kissila Rangel, pesquisadora vinculada à Universidade Federal Fluminense e à Fundação Casa de Rui Barbosa. A conversa coloca em diálogo experiências de documentação e preservação construídas em contextos distintos, mas atravessadas por questões comuns, como pertencimento, reconhecimento institucional, políticas de custódia e direito à memória.
À tarde, das 14 às 17 horas, a programação segue com o Fórum Aberto, em formato de roda de diálogo ampliada, com apresentações breves de iniciativas, debate coletivo e encaminhamentos. A mediação será de Jean Camoleze, do Programa Pró-Memórias, e Edson Cardoso, do Ìrohin: Centro de Documentação, Comunicação e Memória Afro-brasileira. O encerramento será conduzido por Mabel Meira Mota, da Universidade Federal da Bahia.
"O Fórum tem um objetivo de mapear arquivos comunitários e iniciativas negras que preservam a memória, no intuito de dialogar problemáticas e encontrar caminhos, ferramentas públicas e privadas para manutenção desses arquivos, desses espaços de memória", explica José Carlos Ferreira, diretor de relações institucionais do Zumví Arquivo Afro Fotográfico. A presença de José Carlos no encontro também amplia o debate a partir da experiência do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, um dos mais importantes acervos para a história da fotografia e dos movimentos negros no Brasil.
Entre os objetivos do Fórum estão o mapeamento de iniciativas de arquivos comunitários na Bahia, a identificação de demandas comuns ligadas à formação, financiamento, preservação e acesso, além da discussão sobre os impactos da legislação arquivística recente e a construção de propostas de articulação regional.
Sobre o Zumví Arquivo Afro Fotográfico
Fundado em Salvador, em 1990, por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o arquivo nasceu do compromisso de registrar a vida da população negra por mãos também negras, em um contexto em que a população negra raramente era fotografada a partir de suas próprias perspectivas. Ao aproximar a experiência do arquivo do debate sobre arquivos comunitários, o Fórum reforça que preservar memória também é disputar sentido, reconhecer protagonismos e garantir que determinadas histórias não permaneçam à margem dos registros oficiais.
Atualmente, essa trajetória ganha novo alcance com a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, em cartaz no IMS Paulista, em São Paulo, reunindo cerca de 400 fotografias e documentos que atravessam movimentos sociais, blocos afro, afoxés, territórios quilombolas, feiras populares, festas e cenas do cotidiano da população negra baiana.
A exposição comemorativa "Zumví 35 Anos", celebra mais de três décadas dedicadas à memória, à preservação e às narrativas visuais negras, compondo um panorama que escreve, com luz e presença, uma história contada por quem a vive.
De acordo com o diretor de relações institucionais do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, "a exposição no Instituto de Moreira Salles, está sendo um maior sucesso, porque é uma exposição de muita verdade, tanto por parte do curador Hélio Menezes, por parte de toda a equipe aqui do Zumví, do trabalho de todos os fotógrafos". O gestor ainda destaca que hoje a Exposição se encontra em destaque no segmento de fotografia do Brasil e da América Latina.
Em cartaz até 23 de agosto, a mostra reafirma o Zumví como espaço de memória, militância e produção de narrativas próprias, além de ampliar o acesso público a um acervo fundamental para a história visual negra no país.
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